Mercado

Dólar se acomoda após alta da véspera e com atenção a política

Reuters, 23/02/2021
23/02/2021 18:07
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O dólar fechou em leve queda nesta terça-feira, mas não sem oscilar entre ganhos e perdas mais elásticos, com investidores ainda ressabiados com o futuro da agenda liberal após entendimento de ingerência do governo em estatais.

A queda veio na reta final dos negócios, enquanto o presidente Jair Bolsonaro aproveitava solenidade no Palácio do Planalto com prefeitos para fazer afagos ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

A moeda negociada no mercado à vista caiu 0,17%, a 5,4456 reais na venda. Ao longo da jornada, variou entre 5,485 reais (+0,55%) e 5,4089 reais (-0,85%).

De forma geral, o câmbio acompanhou a melhora no sinal de moedas emergentes no exterior, na esteira do alívio nas taxas de retorno dos títulos soberanos dos Estados Unidos, após declarações do chair do Federal Reserve (banco central dos EUA), Jerome Powell.

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A queda dos rendimentos dos Treasuries reduz o diferencial de juros a favor do dólar, tirando atratividade da moeda norte-americana e aumentando o interesse por ativos mais arriscados, como moedas emergentes e ações.

Mas o mercado cambial seguiu atento ao noticiário sobre o governo e tentativas de interferência em empresas estatais, bem como movimentações em torno da agenda de reformas e do auxílio emergencial.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), prometeu um andamento "sumaríssimo" para a chamada PEC Emergencial na Casa assim que ela for enviada pelo Senado.

Guedes cancelou em cima da hora participação em evento internacional virtual para se reunir com Lira e tratar da agenda fiscal do governo.

Divulgação"Lira falou muito bem. Parecia até o Paulo Guedes, só que político", comentou um gestor.

Além disso, o mercado gostou da notícia de que o governo trabalha para publicar ainda nesta terça-feira medida provisória associada a seus planos de privatização da Eletrobras (ELET3), informação revelada à Reuters por três fontes com conhecimento do assunto.

Na segunda-feira, o dólar saltou 1,31%, depois de declarações do presidente Jair Bolsonaro e sua decisão de trocar o comando da Petrobras (PETR4) alimentarem rumores sobre uma virada na política econômica e temores sobre como Guedes ainda visto como fiador da agenda de reformas econômicas e de equilíbrio fiscal reagiria às mudanças.

"Uma saída de Guedes consolidaria uma guinada rumo ao populismo econômico. Acho que o impacto (nos mercados) seria bem maior do que o que a gente viu ontem", disse Sergio Goldenstein, consultor independente, estrategista na Omninvest Independent Insights e ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do Banco Central.

Nesse contexto, o problema fiscal considerado por analistas de mercado o mais grave que o país enfrenta está por trás da volatilidade do câmbio e agora exige que o BC comece a subir os juros, de acordo com Marcos Mollica, gestor de fundos multimercados do Opportunity.

"Não tinha nada errado com a política monetária. A volatilidade do câmbio vinha do fiscal. O erro foi não dar sinais claros de volta ao caminho da austeridade", disse Mollica, acreditando que o Copom deveria subir os juros na reunião de março e ao ritmo de 50 pontos-base.

Alguns no mercado defendem que o patamar baixo da Selic estaria relacionado à maior volatilidade nos preços do dólar, por deixar o juro real negativo e, assim, facilitar o uso da moeda brasileira como ativo de financiamento e "hedge".

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