Investimento

Docas libera R$ 3 milhões para dragagem do porto de Angra

Trabalhos aumentarão o calado do cais para 10 metros e permitirá a atracação de navios tipo Panamax, de 70 mil toneladas de porte bruto (TPB). Conclusão está prevista para o segundo semestre do ano que vem.

Redação
28/04/2005 00:00
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O porto de Angra dos Reis, administrado pela FCA - PLANETA OPERADORA, começará ainda este semestre as obras de dragagem. A verba de R$ 3 milhões para o início dos trabalhos foi liberada esta semana pela Companhia Docas do Rio. A dragagem aumentará o calado do cais para 10 metros e permitirá a atracação de navios tipo Panamax, de 70 mil toneladas de porte bruto (TPB).

A perspectiva é de que os trabalhos estejam concluídos até o segundo semestre do ano que vem, graças à duplicação das verbas para R$ 6 milhões no orçamento de 2006, elevando o total liberado para R$ 9 milhões. Lideranças políticas da base governista, como o deputado estadual Aurélio Marques (PL) e o prefeito de Angra, Fernando Jordão (PTB), tem engrossado o esforço para ampliar os investimentos na região, com sucesso.

Docas reforçará o porto de Angra também no plano dos equipamentos, com a transferência de dois guindastes de 16 toneladas cada, hoje ociosos no Porto do Rio. As medidas refletem o otimismo com a recuperação de Angra, depois dos impactos combinados da transferência dos embarques de produtos siderúrgicos da CSN para Sepetiba e dos acidentes na Ferrovia Centro-Atlântica, que ficou quase dois anos com um trecho de 40 km interditado, prejudicando o acesso ao porto. "Angra é pequeno, mas é plenamente viável, particularmente por causa do potencial para tornar-se uma base de apoio à exploração off-shore de petróleo e gás natural", explica o diretor de Gestão Portuária de Docas, Luiz Rafael d`Oliveira Mussi.

A localização a meio caminho das duas maiores cidades brasileiras, Rio e São Paulo, e a proximidade da Bacia de Santos, que  se estende do litoral norte paulista ao sul fluminense, são trunfos de Angra, destaca Mussi. "Nosso plano de negócios, partindo da experiência bem-sucedida em Vitória com a Shell, prevê explorar esta localização para disputar serviços de apoio a plataformas de exploração", explica Fernando Sterea, da Angraporto Offshore Logística. "A guarda de três plataformas (P-10, P-12 e P-22) indica a confiança da Petrobras nos serviços do porto, abrigado e com a disponibilidade necessária para esse tipo de serviço", argumenta Mussi.

O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, chega a falar em uma "nova Macaé", pelo efeito combinado da receita dos royalties a que Angra se credenciaria com a base de apoio e das encomendas para o comércio e a indústria locais.

O aumento da movimentação de carga em Angra e a consolidação de Sepetiba como megaporto exigem obras complementares para agilizar o acesso. Duas licitações em preparação pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) atendem a essa necessidade. Uma obra é a duplicação da BR-101 Sul entre Santa Cruz, zona Oeste da capital, e Itacuruçá, orçada em R$ 142 milhões. Outra, mais ambiciosa, é a BR-493, arco rodoviário que desafogará a Avenida Brasil e a BR-101 Sul do tráfego pesado de caminhões. O traçado de 56 km entre Seropédica e Queimados, um dos principais distritos industriais da Baixada Fluminense, atravessará artérias vitais como a Rio-São Paulo e a Rio-Belo Horizonte. Por envolver desapropriações de terrenos e engenharia mais complexa, a BR-493 é um investimento bem mais alto, da ordem de R$ 600 milhões. "Mesmo assim, nossa expectativa é de que as obras fiquem prontas em um ano e meio, para que o presidente Lula, que começou a obra, possa cortar a fita da inauguração", promete Luiz Mussi, com base nas projeções que recebeu dos colegas do DNIT, como ele subordinados ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, do PL.

As previsões de Mussi podem soar otimistas, mas ele argumenta com as obras em Sepetiba, antecipando-se ao aumento de demanda em conseqüência da melhoria das estradas, para sustentar seu ponto de vista. "Estamos investindo R$ 4 milhões para dobrar o gate de entrada do porto, para evitar filas de caminhões, e instalando três balanças novas, das quais duas rodoviárias, além de asfaltar as dependências internas", explica.

Esses investimentos têm como pano de fundo a recuperação do fôlego financeiro de Docas, recebida com um déficit de R$ 800 milhões. "Com medidas inovadoras, como a atracação da plataforma P-47 da Petrobras numa área do Porto do Rio ociosa há dez anos, elevamos a receita em 35% em 2003, 25% ano passado e pelo menos 20% este ano, considerando-se os quatro portos do Estado (Rio, Niterói, Angra e Sepetiba)", conta.
 

PLANOS – A mesma disposição em descobrir nichos e otimizar receitas refletem nos planos para Angra dos Reis, em parceria com o operador privado, que tem a concessão por 25 anos, renováveis pelo mesmo prazo. "Temos parceiros em mira para o terceiro berço, que permitiria um calado maior, da ordem de 12 metros, compatível com os grandes graneleiros. E sondagens promissoras para um shopping náutico na área contígua ao cais, aproveitando a concentração de turistas de alto poder aquisitivo na região e atraindo-os ao centro da cidade, hoje pouco freqüentado.

A flexibilidade de usos da área e a rápida adaptação a mudanças é o forte dos portos modernos. Angra não será exceção, a partir da cooperação entre Docas e o concessionário privado", confia. Como reflexo desta confiança, a diretoria de Docas articulou com o Ministério da Justiça a instalação de uma delegacia da Polícia Federal em Angra, que terá a segurança reforçada também pelo Núcleo de Polícia Marítima da PF, sediada no porto de Sepetiba, mas com jurisdição sobre toda a Costa Verde.

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