ANP

Discussão sobre produção em áreas comuns

Valor Econômico
27/06/2008 09:03
Visualizações: 1376

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) se prepara para decidir o primeiro caso de unitização no Brasil em que uma parte do reservatório se estende por uma área ainda sob controle da União. O fenômeno ocorre em vários reservatórios encontrados no pré-sal da bacia de Santos e por isso a regulamentação do tema é aguardada com grande expectativa. Segundo a ANP, o assunto será colocado em audiência pública em dezembro. A unitização é o termo usado no mercado de petróleo para definir como será a exploração individual de uma reserva quando ela é compartilhada por diferentes blocos, concedidos a diferentes empresas ou se uma parte da reserva ainda não foi licitada e pertence à União. 


O campo da Petrobras que se estende para área da União é Caxaréu, no bloco BC-60, no pré-sal de Campos. Victor Martins, diretor da ANP responsável pelas autorizações para desenvolvimento da produção, diz que, no caso de uma área da União, tanto a Lei 9.478/97 (do Petróleo) como o contrato de concessão da 2 rodada deixam claro que a ANP "poderá agir como se fosse o concessionário de tal área, para efeito da negociação e celebração do acordo para individualização da produção". 


Segundo Martins o contrato também prevê que a ANP poderá, em qualquer tempo durante a negociação, licitar o bloco se essa for a orientação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). 


A existência de reservatórios no pré-sal que se estendem por concessões dadas a empresas diferentes e se espalhando por áreas ainda da União coloca a discussão da unitização em nível mais crítico. A área mais conhecida até agora está no prospecto Pão de Açúcar, onde os blocos BMS-9 (Carioca e Guará) e o BM-S-22, operado pela Exxon, parecem estar em cima de um único reservatório que se estende para áreas da União - que ainda detém a maior parte da reserva. 


Ele admite que o tema é complexo, mas diz que a ANP tem os instrumentos para coordenar o processo, de modo a preservar os interesses da União e o poder decisório do governo. Uma pergunta ainda sem resposta pela ANP é sobre a origem dos bilionários recursos necessários para o pré-sal caso a União assuma os campos. É comum na indústria que os governos sejam financiados por empresas privadas. Se for esse o desenho, o Estado perde o bônus de assinatura. 


Perguntado sobre o interesse do governo em mudar o regime de concessão do pré-sal, Martins acha fundamental "tratar coisas diferentes de forma diferente". Acha que a unitização do pré-sal terá de ser conduzida como qualquer outra do pós-sal, seguindo a legislação vigente e os contratos assinados. Mas defende um aumento imediato das alíquotas da Participação Especial (PE), dada a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional. Isso pode ser feito por meio de mudanças no decreto 2705/98, sem precisar esperar a decisão sobre mudanças no modelo. "É preciso separar a discussão. O Estado brasileiro está perdendo dinheiro a cada trimestre e mudar isso é urgente." 


O resto, segundo ele, são questões complexas que podem inclusive implicar mudanças na Lei do Petróleo. Ele diz, porém, que um acompanhamento do noticiário que trata do assunto mostra pontos complexos e polêmicos, como a mudança entre beneficiários dos royalties e da PE, o direcionamento dos recursos, mudanças dos limites estaduais e intermunicipais e a criação de um fundo soberano. "Seria ingênuo supor que a discussão de um tema que tem essa multiplicidade de polêmicas vá ser feita de forma rápida. O momento é de extrema urgência e cautela." 


Sobre a discussão para criação de uma nova empresa, ele prefere não se manifestar. "Existem algumas questões políticas que estão fora do escopo regulatório da agência nessa discussão do que fazer com a riqueza que se vislumbra no pré-sal. E isso eu não vou comentar. São questões extremamente complexas e técnicas que hão de requerer um tratamento técnico e especializado para que o interesse nacional seja preservado com a maior amplitude possível." 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Naturgy investe R$ 11 milhões em infraestrutura de gás e...
06/07/26
Transpetro
Transpetro realiza primeiro abastecimento da frota com c...
06/07/26
BOGE 2026
Dessalgadoras ganham papel estratégico na modernização d...
04/07/26
Combustíveis
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Financiamento
FAPESP destina R$ 50 milhões para projetos de inovação e...
03/07/26
Pessoas
Alessandra Davolio Gomes assume a direção de um dos maio...
02/07/26
Bacia Potiguar
BRAVA Energia inaugura Centro de Operações Integradas e ...
02/07/26
Tecnologia e Inovação
ABPIP desenvolve ecossistema próprio de inteligência art...
02/07/26
Etanol de milho
Atvos lança Pedra Fundamental da primeira planta de etan...
02/07/26
Reconhecimento
Constellation é a única empresa do setor de perfuração d...
02/07/26
Gestão do Conhecimento
200 mil pessoas, zero tolerância para treinamento que nã...
01/07/26
Resultado
Com 5,597 milhões de boe/d, a produção nacional de petró...
01/07/26
Bioenergia
Hora do jogo: começa hoje o 19º Congresso Nacional da Bi...
01/07/26
Firjan
ABDAN e FIRJAN lançam Agenda Nuclear para um Brasil Comp...
01/07/26
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.