Saúde e Bem-estar
Redação TN/ Assessoria
Às vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, a palavra “ansiedade” ganhou novos significados nas redes sociais. Além de aparecer em relatos relacionados à saúde mental, o termo passou a fazer parte do vocabulário cotidiano para expressar expectativa, entusiasmo e antecipação de uma estreia de série a um evento ou acontecimento aguardado.
É o que aponta um levantamento realizado por Karol Oliveira e Clarissa Prado, com apoio da Polis Consulting e uso da plataforma Brandwatch. O estudo analisou conversas publicadas no X (antigo Twitter) ao longo de setembro de 2025, e está sendo divulgado agora.
O estudo monitorou 1.937.018 menções e, a partir de uma amostra de 665 publicações classificadas, identificou 162 menções à ansiedade, o equivalente a 24,4% dos conteúdos analisados.
O dado que mais chama atenção está no contexto em que a palavra aparece: quase 73% das menções associadas à ansiedade não estavam relacionadas a sintomas ou transtornos mentais. Em muitos casos, o termo era utilizado para comunicar expectativa, entusiasmo ou antecipação diante de situações cotidianas.
“A análise mostra que a palavra ansiedade circula entre significados muito diferentes nas redes sociais. Ela pode aparecer tanto para expressar a expectativa por algo desejado quanto para descrever uma experiência real de sofrimento. Observar esse contraste ajuda a entender como a linguagem da saúde mental está sendo incorporada ao vocabulário cotidiano”, menciona o CEO da Polis Consulting, consultoria especializada em Social Intelligence, social listening, social analytics e inteligência de marketing, Gildevan Carvalho.
Quando ansiedade significa expectativa
A análise das emoções associadas às menções a “ansiedade” reforça essa mudança de significado. A expectativa foi a emoção mais associada ao termo, presente em 61,7% das menções, seguida pela tristeza, com 17,3%.
No cruzamento entre ansiedade e expectativa, 63% das publicações apresentavam tom positivo, enquanto 34% eram negativas e 2% neutras. Entre os exemplos analisados estão manifestações de expectativa por acontecimentos desejados, estreias, eventos e situações do dia a dia.
O entretenimento aparece com força nesse cenário. Entre os conteúdos classificados, 115 publicações estavam relacionadas ao tema, mostrando como termos ligados à saúde mental podem ser ressignificados nas redes para expressar entusiasmo, urgência ou expectativa em torno de séries, filmes, música, jogos e fandoms.
“Não se trata de afirmar que esses usos são certos ou errados, nem de dizer que a ansiedade está sendo banalizada. O que os dados permitem observar é uma transformação na forma como nomeamos nossas emoções e experiências no ambiente digital”, reforça Gildevan Carvalho.
O outro lado da palavra
O estudo também mostra que o sentido atribuído à ansiedade varia conforme o contexto emocional em que o termo aparece. Quando associado à tristeza, por exemplo, o termo esteve ligado a um caráter negativo em 96,4% das menções. Os relatos incluíam sofrimento e sintomas como falta de ar, palpitações, náusea, dificuldade para dormir, sobrecarga, agitação e sensação de paralisação.
O contraste levanta uma questão sobre a maneira como a sociedade nomeia suas emoções nas redes: quando “ansiedade” descreve apenas expectativa e quando passa a comunicar uma experiência de sofrimento? Para além da forma como a ansiedade é expressa nas redes sociais, a discussão também passa pela importância de reconhecer as próprias emoções e incorporar o autocuidado e hábitos mais equilibrados à rotina.
Os hábitos saudáveis não se resumem apenas a exercícios físicos ou alimentação saudável. “Coisas mais simples, como tempo com amigos, cuidar da alimentação, tirar um tempo para o ócio, para você, sem trabalho, sem cobrança, também são parte do autocuidado”, destaca a psicanalista Ana Tomazelli.
A análise não busca medir a prevalência de transtornos mentais na população, mas observar como os termos relacionados à saúde mental aparecem e são ressignificados nas conversas espontâneas no ambiente digital.
POLIS CONSULTING
A Polis Consulting é uma consultoria especializada em Social Intelligence, social listening, social analytics e inteligência de marketing. Desde 2014, atua no mercado brasileiro conectando marcas e agências a tecnologias globais de monitoramento, análise e gestão de dados digitais
Conteúdos relacionados:
Fale Conosco
25