Mercado

Demanda e preços do açúcar elevam receita da Cosan

Valor Econômico
12/11/2010 09:38
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A maior demanda por combustíveis no país e os bons preços do açúcar no mercado internacional turbinaram o resultado do grupo Cosan, maior companhia produtora de açúcar e álcool do país e uma das principais distribuidoras do Brasil. O lucro líquido no segundo trimestre do ano-fiscal 2010/11 foi de R$ 439,7 milhões, 154% maior ante igual período do ano anterior.


A companhia registrou receita operacional líquida de R$ 4,72 bilhões no trimestre, um crescimento de 32% sobre igual intervalo do ano anterior. Já lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) saltou de R$ 355,6 milhões de julho a setembro do ano passado para R$ 796,7 milhões neste ano. A margem subiu de 9,3% para 13,2%.


Marcelo Martins, diretor financeiro e de relações com investidores da Cosan, afirmou que todas as unidades de negócio da companhia tiveram aumento de capacidade e de volume vendido, com destaque para a área de combustíveis.


A Cosan Combustíveis e Lubrificantes (CCL), que controla a bandeira de postos Esso, teve receita recorde de R$ 3 bilhões, enquanto a divisão sucroalcooleira (Cosan Açúcar e Álcool) viu o faturamento crescer 46,8%, para R$ 1,8 bilhão no trimestre. No segmento de logística, a Rumo registrou receita líquida de R$ 250 milhões, alta de 227,1% sobre o mesmo trimestre do ano anterior - explicada por uma parceria com a ALL.


A joint venture formada entre Cosan e Shell, anunciada no início deste ano, ainda aguarda parecer positivo da Comissão Europeia, previsto para sair até dezembro, e deverá ser colocada em prática no Brasil nos primeiros três meses de 2011.


Segundo Martins, as duas companhias ainda deverão definir se os negócios de varejo do grupo, que incluem a marca União e Da Barra, ficarão sob o guarda-chuva da joint venture ou se será assumida pela Cosan. Ficou de fora desse acordo os negócios de terra, ancoradas pela Radar, divisão logística, da Rumo, e lubrificantes.


Com esse acordo, a Cosan e Shell deverão se tornar a terceira maior distribuidora de combustíveis do país, atrás da BR Distribuidora, da Petrobras, a líder, e o grupo Ultra, por pouca diferença de participação. A estratégia de aquisições nesse segmento será traçada após a conclusão do negócio, segundo Martins. A marca Shell deverá permanecer e a Esso desapareça aos poucos.


A Cosan trabalha com a expectativa de que os preços do etanol permaneçam aquecidos na entressafra da cana, que vai de dezembro a março. Para o presidente da companhia, Marcos Lutz, os preços deverão ficar semelhantes aos da entressafra passada. "Este ano a seca foi intensa e as estimativas de moagem foram frustradas no Centro-Sul e Nordeste. A redução da produção tem que ser acompanhada da redução de consumo, o que só acontece quando o preço aumenta um pouquinho", disse o executivo, que participou do Fórum Nacional, no Rio. Em relação ao açúcar, Lutz afirmou que as atenções globais estão voltadas para a Índia, segundo maior produtor global, atrás do Brasil, onde a safra começa no fim do ano. A expectativa é de uma produção indiana entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas. "O mercado ainda vai ver, nos próximos três anos, quadro de oferta e demanda bem apertada."


A tendência de valorização do real no curto prazo não é preocupação para a empresa, já que a Cosan tem "hedge" suficiente para se proteger por um ano das variações cambiais. Lutz explicou que outra vantagem da companhia é a dívida de longo prazo em dólar. "A gente está relativamente protegido em relação ao dólar, mas no longo prazo é uma preocupação. O Brasil todo tem que ter essa preocupação porque, como grande exportador, o câmbio danifica."

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