Combustíveis

Defasagem cresce, mas Petrobras não admite reajuste

Valor Econômico
23/08/2004 00:00
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Nem com o petróleo chegando à barreira dos US$ 50 a Petrobras admite aumentar preços da gasolina e do diesel. Na sexta-feira, após o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ter afirmado que a estatal é livre para definir preços, a assessoria do presidente da empresa, José Eduardo Dutra, voltou a repetir que "não há previsão de reajuste da gasolina e do óleo diesel", frisando que "qualquer reajuste será anunciado formalmente". Analistas e consultores, contudo, acham que a estatal não pode esperar muito para reajustar preços.
O analista Emerson Leite, do Crédit Suisse First Boston (CSFB), reconhece que essa é "uma decisão difícil de ser tomada internamente", já que a volatilidade de preços é alta. Por outro lado, ele acha que a situação voltou a ficar "insustentável". Ele calcula que a defasagem média da gasolina e diesel na refinaria está próxima a 20%.
O departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco calcula a defasagem da gasolina em 17% na ponta e 12% na média desde o último reajuste, em 15 de junho. Já no diesel, o Bradesco calcula que a defasagem está em 29% na ponta, e em 17% na média.
Só que no caso do diesel, o Bradesco ressalta dois agravantes que repercutem negativamente sobre a estatal: o que preço internacional desse combustível vem acompanhando de perto o do petróleo no mercado internacional (que subiu 30% desde 15 de junho), ao contrário do da gasolina, que subiu apenas 18%. Outro agravante é que o país ainda não produz todo o diesel que consome, importando cerca de 30%. E essas compras são feitas pela Petrobras com base no preço internacional do derivado.
Já o economista Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), calcula em 13% a defasagem sobre a gasolina e em 18% a do diesel. Enquanto o Bradesco se baliza na variação diária do petróleo na Bolsa de Nova York ("spot") para cálculo da defasagem, o CBIE usa a média semanal de preços no golfo americano divulgada pela Agência Internacional de Energia (AIE).
Para Pires, a combinação de petróleo caro, queda da produção interna e aumento das importações é responsável pelo resultado da estatal, cujo lucro no semestre (R$ 7,8 bilhões), foi 11,5% menor que o de 2003. "O lucro da Petrobras nunca está ligado ao mercado de petróleo e sim a decisões políticas. Em 2003 o resultado foi bom porque o objetivo do governo era fazer superávit. E este ano o foco é controlar a inflação", avalia Pires.
Juntos, gasolina e diesel respondem por cerca de 66% das vendas líquidas de derivados da área de abastecimento. O lucro líquido do segmento no primeiro semestre foi de R$ 1,441 bilhão, 47% menor do que em igual período de 2003.

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