Indústria Naval

Decisão da Transpetro desagrada armadores reunidos na Firjan

Presidente da Transpetro, Sergio Machado, diz que quer operar 10% das embarcações de apoio à plataformas brasileiras. Vista como estatização por armadores nacionais, intenção gera discordância e críticas de executivos reunidos no 20º Congresso da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (S


08/11/2004 00:00
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O já tumultuado processo de revitalização do setor naval brasileiro ganhou novos ingredientes que prometem azedar as relações da Petrobras, e de sua subsidiária Transpetro, com os armadores privados do país. Tudo porque o presidente da Transpetro, Sergio Machado, anunciou nesta segunda-feira (08/11) a intenção de ampliar o número de barcos da empresa nas operações de apoio às plataformas do país. A decisão, que desagradou aos representantes do setor, foi classificada como estatização do setor pelo presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Hugo Pedro Figueiredo.
Embora o protesto de Figueiredo tenha recebido apoio de outros executivos do setor, como o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), Ronaldo de Oliveira Lima, Machado afirmou que o objetivo da companhia é conquistar apenas 5% do mercado de barcos de apoio para substituir embarcações estrangeiras por nacionais. Para os representantes das entidades, mesmo limitado a esse percentual, a decisão da Transpetro representaria "um retrocesso preocupante".
"Quem garante que a fatia do mercado vai parar em 5%? Antes não tinham nada e agora querem ter 5%, depois 10%, 15% e assim por diante", comenta Figueiredo, ao acrescentar que a Transpetro incluiu em seu plano estratégico o objetivo de voltar a construir embarcações. O presidente do Syndarma lembra que, até os anos 70, a operação de navios de apoio era totalmente estatal, mas a Transpetro vendeu os navios que tinha e abriu para o setor privado, garantindo sua saída completa da atividade.
"Os armadores, então, investiram e se prepararam para atender a demanda e agora, que estão totalmente capacitados, a Transpetro decide voltar ao jogo", critica. O presidente da Abeam afirma que a concorrência entre os armadores privados e a Transpetro seria desequilibrada. "O custo operacional seria vantajoso para a estatal e, além do mais, como vamos concorrer com o nosso cliente?", ressalta Lima.
Na opinião de Machado, uma participação da estatal de 5% não teria nenhum efeito sobre o setor privado. O executivo reiterou o objetivo de substituir embarcações estrangeiras por nacionais e afirmou que, das 140 embarcações de apoio utilizadas pela Petrobras, 87 são estrageiras. Segundo ele, a estatal deverá encomendar cerca de dez barcos. As licitações, entretanto, não serão em grandes lotes como a dos 22 petroleiros, mas em pequenos contratos, para a construção de dois ou três navios por vez.
Sérgio Machado e Hugo Figueiredo participaram da mesa de abertura do 20º Congresso de Nacional de Tranportes Marítimos, Construção Naval e Offshore, promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena), que será realizado na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) de hoje a 12 de novembro.
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