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Crise "sem precedente" reduz consumo energético e adia leilões

Redação/Agência Brasil
23/04/2020 17:55
Crise "sem precedente" reduz consumo energético e adia leilões Imagem: Divulgação Visualizações: 2197

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque (foto), disse hoje (23) que a pandemia do novo coronavírus (covid-19) lançou o setor energético brasileiro em uma "crise sem precedentes" -- agravada, segundo ele, pela queda do preço global do barril do petróleo em função de uma disputa comercial entre a Arábia Saudita e a Rússia.

De acordo com Albuquerque, medidas de isolamento social adotadas para conter a rápida expansão da doença no Brasil levaram o consumo de gasolina a cair quase 33% em apenas um mês. Já a demanda por etanol caiu 44%; a de óleo diesel, cerca de 18%; a de gás natural, 20% e a de querosene de aviação, aproximadamente 85%.

"No setor elétrico houve uma redução de carga de 22%, o que equivale a 15,5 gigawatts-hora [Gwh]. Isto representa mais que todo o consumo da região Sul em condições normais. É praticamente o [consumo do] Nordeste e mais um terço da região Norte. Ou seja, é uma redução expressiva do consumo de energia", disse o ministro esta manhã, durante videoconferência com jornalistas.

A soma da súbita queda na demanda por combustíveis e da inesperada queda do preço global do petróleo formou o que Albuquerque classificou como "uma tempestade perfeita". Em meio a esta conjuntura, só as vendas do gás de cozinha (o GLP, gás liquefeito de petróleo) aumentaram, ocasionando a falta do produto em algumas localidades -- situação que, segundo o ministro, já foi normalizada. "O abastecimento está garantido. Segundo informações que recebi ontem, [a distribuição] está praticamente regularizada em todos os estados da federação", declarou.

No âmbito político, as circunstâncias motivaram o governo a adiar os leilões de energia que estavam previstos para ocorrer este mês. "No que diz respeito a leilões, a queda do preço do petróleo e do gás fez com que adiássemos os leilões da 7ª e da 17ª rodada. Estamos mantendo os da rodada permanente para o segundo semestre, posto que houve manifestação de interesse dos agentes do setor", disse o ministro, enfatizando a imprevisibilidade do momento.

"Não sabemos exatamente quando esta crise vai terminar e qual será sua consequência para cada setor. A postergação dos leilões não causou surpresa a ninguém. Assim que as condições permitirem, nós vamos realizá-los", comentou Albuquerque, enfatizando que, embora excepcional, a crise é "pontual" e medidas já estão sendo tomadas para garantir o abastecimento futuro e a sustentabilidade do setor energético, preservando contratos e atraindo novos investimentos. "Já vivemos outras crises. Agora, precisamos considerar as lições aprendidas para modular nossas ações", afirmou Albuquerque.

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