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Crise não afetará financiamento da MMX para expansão de Serra Azul

Valor Online
10/08/2011 14:40
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A crise internacional que se agravou na semana passada com o rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard and Poor’s não deverá atrapalhar os planos de financiamento da MMX para a expansão do sistema de Serra Azul. A afirmação é do presidente da companhia, Roger Downey, para quem, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), há a possibilidade de utilização de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), mecanismo que antecipa fluxo de caixa para companhias exportadoras.

O executivo também se mostrou otimista em relação ao trabalho realizado pelo Itaú BBA e pelo West LB, contratados como consultores financeiros para estruturação de financiamentos de US$ 1,8 bilhão para a expansão de Serra Azul, que tem custo previsto de R$ 4 bilhões para elevar a capacidade dos atuais 8,7 milhões de toneladas de minério de ferro anuais para 24 milhões de toneladas/ano.

“De maneira geral, não recebemos indicação de nenhum de nossos parceiros financeiros de que o financiamento corra algum risco. Trabalhamos com instituições grandes e sólidas, que entendem tudo de forma clara e estão comprometidas com nossos projetos”, afirmou Downey, que participou de teleconferência com analistas sobre o resultado do segundo trimestre, quando a empresa registrou lucro líquido de R$ 90,9 milhões, com crescimento de 84% do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês), para R$ 73,1 milhões.

O diretor financeiro da mineradora, Guilherme Escalhão, destacou os sócios estrangeiros presentes no capital da MMX. Para ele, a chinesa Wuhan Iron and Steel (Wisco) e a sul-coreana SK Networks também poderiam contar com o apoio dos bancos de fomento dos dois países asiáticos.

“Podemos ter apoio desses bancos de desenvolvimento que estão por trás dos nossos parceiros estrangeiros. O projeto é muito forte e não vislumbramos problema pela frente”, afirmou Escalhão.

Downey lembrou ainda que a expectativa da companhia é conseguir a licença prévia para a expansão em Serra Azul, no Quadrilátero Ferrífero, até o fim do ano.

Sobre os recursos para as obras do Superporto Sudeste, que terá capacidade de embarcar 50 milhões de toneladas por ano, com expansão prevista para dobrar a capacidade, Roger Downey garantiu que não há chance de problemas de financiamento, uma vez que o BNDES já tem contrato assinado e já desembolsou cerca de R$ 350 milhões do total previsto de R$ 1,2 bilhão.

O acordo com o banco de fomento para construção do Superporto Sudeste engloba R$ 407,7 milhões no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com prazo de 10 anos e juros de 4,5% ao ano; e outros R$ 805,1 milhões em project finance, com prazo de 12 anos e juros de TJLP mais 2,18% ao ano.

“Não há chance ou algo que leve BNDES a sair do financiamento do nosso projeto”, afirmou Downey. “Não há chance de mudar o quadro”, garantiu.

O diretor de operações portuárias da MMX, Luciano Ferreira, frisou que as obras no Superporto Sudeste estão “a todo vapor”, com 1,6 quilômetros já escavados de um túnel de 1,8 quilômetros, com previsão de término dessa escavação para setembro.

Segundo ele, a mudança do projeto do túnel para incorporação da futura expansão contribuiu para elevar os investimentos na escavação de R$ 90 milhões para R$ 150 milhões.

“Mas é positivo, porque quando expandirmos não vamos precisar parar a operação para aumentar o túnel”, afirmou.
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