Governança Corporativa

Crise gera incertezas e pode afetar a gestão da siderúrgica

Clima de beligerância entre controladores da empresa.

Valor Online
29/09/2014 10:08
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O que parecia ser a solução dos sonhos para os problemas da Usiminas desde 2008, na gestão administrativa, operacional e financeira, tornou-se um pesadelo de um dia para o outro com a crise societária envolvendo Nippon Steel & Sumitomo, gigante mundial do aço, e o grupo Techint/Ternium, um dos líderes na América Latina. O dois controladores de fato da siderúrgica, preocupados com suas divergências, mostraram um problema sério de governança corporativa na empresa.
A chegada de Techint/Ternium à siderúrgica em janeiro de 2012, após compra de 27,6% das ações de controle por R$ 5,1 bilhões - R$ 36,00 por um título que vale hoje pouco mais de R$ 7,00 -, sinalizava novos tempos na companhia, que obteria todos os benefícios de dois grandes grupos da indústria do aço. Os japoneses, presentes desde a fundação da empresa, com know-how tecnológico, e os argentinos, com o cacife de ótimo desempenho nas suas operações na América Latina, segundo analistas especializados.
A avaliação é que o confronto de duas culturas tão distintas - a japonesa, mais conservadora, de visão de longo prazo e baseada na confiança, e a ítalo argentina, mais agressiva na gestão e de busca de retorno rápido do investimento - detonou os desentendimentos. Não se prevê uma saída fácil para a crise e o receio é que o conflito aprofunde ainda mais a situação crítica da Usiminas, que vinha tentando se recuperar de anos ruins de desempenho, tem pela frente um mercado cada vez mais competitivo e agora uma gestão incerta. A qualquer hora, o presidente temporário, Rômel de Souza, pode ser afastado com uma liminar.
Nesse clima de beligerância não há ainda assembleia de acionistas marcada para eleger a "nova" diretoria. Além disso, criou-se um ambiente hostil na empresa - o chão de fábrica e funcionários de média gerência em Ipatinga comemoraram muito o afastamento de Julián Eguren e sua substituição por Souza, um executivo da casa. "Ipatinga está em festa", disse um funcionário da cidade que é o berço da Usiminas.
Mesmo que a Ternium obtenha uma ação liminar de reintegração, com que ambiente esses diretores retornariam à empresa? E até mesmo novos executivos.
Os argentinos, apontam pessoas e analistas do setor, vinham fazendo uma reorganização forte na empresa, com corte de custos gerais e mudanças nas operações industriais para obter maior competitividade e colhendo bom resultado financeiro e operacional. Todavia, alegam gente da empresa, tudo isso à maneira argentina: sem dar satisfação aos sócios, atropelando funcionários com muitos anos de carreira, demissões desnecessárias, cortes de salários...
Isso e os problemas de compliance acabaram incomodando os sócios, azedando a relação até então amigável existente entre eles. Já se especula que o conflito deverá atingir também a joint venture que eles têm no México.
Avalia-se que Eguren não contribuiu em nada para uma harmonia na empresa, conduzindo a empresa de forma independente dos sócios. Ao contrário: tratou a Usiminas como uma unidade industrial da Ternium e que ouvia muito mais gerentes argentinos de diretorias tocadas por brasileiros do que o titular do cargo. Nem em Belo Horizonte, onde está a sede da empresa, quis fixar residência.
A raiz do problema entre os sócios está na costura do acordo de acionistas, diz uma fonte do setor. Não se poderia ter concordado que pessoas das duas companhias viessem a gerir a Usiminas. Teria de ser um time independente, recrutado no mercado. Uma saída urgente, seria os comandantes de Nippon Steel e da Techint se reunirem e firmarem um acordo de destituição de toda a diretoria executiva. E estabelecer alternância na presidência do conselho, como antes, a cada dois anos.

O que parecia ser a solução dos sonhos para os problemas da Usiminas desde 2008, na gestão administrativa, operacional e financeira, tornou-se um pesadelo de um dia para o outro com a crise societária envolvendo Nippon Steel & Sumitomo, gigante mundial do aço, e o grupo Techint/Ternium, um dos líderes na América Latina.

O dois controladores de fato da siderúrgica, preocupados com suas divergências, mostraram um problema sério de governança corporativa na empresa.

A chegada de Techint/Ternium à siderúrgica em janeiro de 2012, após compra de 27,6% das ações de controle por R$ 5,1 bilhões - R$ 36,00 por um título que vale hoje pouco mais de R$ 7,00 -, sinalizava novos tempos na companhia, que obteria todos os benefícios de dois grandes grupos da indústria do aço.

Os japoneses, presentes desde a fundação da empresa, com know-how tecnológico, e os argentinos, com o cacife de ótimo desempenho nas suas operações na América Latina, segundo analistas especializados.

A avaliação é que o confronto de duas culturas tão distintas - a japonesa, mais conservadora, de visão de longo prazo e baseada na confiança, e a ítalo argentina, mais agressiva na gestão e de busca de retorno rápido do investimento - detonou os desentendimentos.

Não se prevê uma saída fácil para a crise e o receio é que o conflito aprofunde ainda mais a situação crítica da Usiminas, que vinha tentando se recuperar de anos ruins de desempenho, tem pela frente um mercado cada vez mais competitivo e agora uma gestão incerta.

A qualquer hora, o presidente temporário, Rômel de Souza, pode ser afastado com uma liminar.

Nesse clima de beligerância não há ainda assembleia de acionistas marcada para eleger a "nova" diretoria. Além disso, criou-se um ambiente hostil na empresa - o chão de fábrica e funcionários de média gerência em Ipatinga comemoraram muito o afastamento de Julián Eguren e sua substituição por Souza, um executivo da casa. "Ipatinga está em festa", disse um funcionário da cidade que é o berço da Usiminas.

Mesmo que a Ternium obtenha uma ação liminar de reintegração, com que ambiente esses diretores retornariam à empresa? E até mesmo novos executivos.

Os argentinos, apontam pessoas e analistas do setor, vinham fazendo uma reorganização forte na empresa, com corte de custos gerais e mudanças nas operações industriais para obter maior competitividade e colhendo bom resultado financeiro e operacional.

Todavia, alegam gente da empresa, tudo isso à maneira argentina: sem dar satisfação aos sócios, atropelando funcionários com muitos anos de carreira, demissões desnecessárias, cortes de salários.

Isso e os problemas de compliance acabaram incomodando os sócios, azedando a relação até então amigável existente entre eles. Já se especula que o conflito deverá atingir também a joint venture que eles têm no México.

Avalia-se que Eguren não contribuiu em nada para uma harmonia na empresa, conduzindo a empresa de forma independente dos sócios.

Ao contrário: tratou a Usiminas como uma unidade industrial da Ternium e que ouvia muito mais gerentes argentinos de diretorias tocadas por brasileiros do que o titular do cargo. Nem em Belo Horizonte, onde está a sede da empresa, quis fixar residência.

A raiz do problema entre os sócios está na costura do acordo de acionistas, diz uma fonte do setor. Não se poderia ter concordado que pessoas das duas companhias viessem a gerir a Usiminas.

Teria de ser um time independente, recrutado no mercado. Uma saída urgente, seria os comandantes de Nippon Steel e da Techint se reunirem e firmarem um acordo de destituição de toda a diretoria executiva.

E estabelecer alternância na presidência do conselho, como antes, a cada dois anos.

 

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