Empresas

Crise do grupo EBX piora com saída de conselheiros

Eike Batista não deve fazer a capitalização na petroleira.

Valor Econômico
24/06/2013 11:13
Visualizações: 1099

 

A saída de Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e Ellen Gracie do conselho de administração da OGX é interpretada pelo mercado como uma indicação clara de que Eike Batista não deve fazer a capitalização de US$ 1 bilhão na petroleira, conforme havia se comprometido ano passado ao conceder à empresa uma "put" (opção de venda). Seriam os três ex-ministros, conselheiros independentes da empresa, os responsáveis por definir se a empresa exerceria ou não a put.
A retirada dos conselheiros, depois de Eike ter vendido ações da OGX no mercado e retirado a oferta para fechar o capital da CCX, reforçam a percepção do mercado de que possíveis soluções para os negócios do grupo EBX passam por decisões que desagradarão aos investidores. Por essa razão alguns dos sócios do BTG Pactual teriam manifestado o desejo de que o banco deixasse de prestar a assessoria ao Grupo EBX.
O temor é de que a imagem do banco seja contaminada por prováveis decisões que contrariem as boas práticas de governança e de relacionamento de credibilidade com os investidores - essa seria também a possível avaliação feita pelos conselheiros que deixaram a OGX. Por outro lado, observadores dizem que uma saída do BTG agora "pegaria muito mal" para o banco, "que vive de credibilidade".
Eike Batista não teria muito mais a perder com decisões que deverão significar, de fato, que ele não mais terá acesso ao dinheiro do mercado de capitais para eventuais futuros negócios. Isso porque, entre os investidores, essa percepção, independentemente de quaisquer novas medidas controversas, está cada vez mais se cristalizando.
Procurado, o BTG não deu entrevista. Sócios de Eike em outras companhias, também não. Casos do BNDES, que emprestou recursos para as empresas de Eike e tem fatias da CCX e da MPX; do Ontario Teachers Pension Plan (OTPP), que possui 17,88% da LLX, e do fundo Mubadala Development., de Abu Dhabi, que injetou US$ 2 bilhões na holding EBX em março do ano passado e estaria pressionando o empresário. Quando esse negócio foi fechado as informações, não confirmadas por EBX ou Mubadala, eram que o acordo previa algumas proteções ao fundo no caso de queda das ações do grupo. A EBX também não comenta.
A possibilidade de Eike não injetar US$ 1 bilhão na OGX corrobora algumas avaliações de mercado de que para negócios conseguirem sobreviver seria crucial que Eike deixasse o comando. O tipo de negócio do empresário, de projetos que ainda precisam ser executados, não pode ir adiante sem uma liderança que tenha a confiança dos investidores. Com a abundância de recursos no mercado de capitais em 2006 e 2007, Eike captou muitos recursos no mercado de ações e também por instrumentos de dívidas.
Como os negócios atrasaram, as empresas não conseguem gerar caixa para suportar seus planos de investimentos e pagar suas dívidas - os bonds da OGX e OSX já são negociados em níveis preocupantes. À medida que as ações desvalorizaram fortemente na bolsa (as da OGX caíram mais de 90% nos últimos 12 meses), o peso desses endividamentos ficou muito mais relevante para a estrutura de capital.
Mais um indicativo de que o mercado espera por medidas que desagradem investidores foi a queda na sexta-feira de 7,58% de ações da elétrica MPX. O papel fechou a R$ 7,80, a menor cotação desde fevereiro de 2011. Essa tem sido a única ação do grupo a acumular menores baixas, pois, quando Eike vendeu parte de sua fatia na empresa para a alemã E.ON, foi anunciada uma capitalização de R$ 1,2 bilhão na empresa por meio de uma oferta pública de ações. O BTG deu garantia de colocação para o papel a R$ 10. A oferta está em andamento. No entanto, na sexta-feira o mercado especulou que o banco poderia retirar essa garantia, uma hipótese considerada como improvável por especialistas, uma vez que, se fizesse isso, o BTG estaria descumprindo um contrato.

A saída de Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e Ellen Gracie do conselho de administração da OGX é interpretada pelo mercado como uma indicação clara de que Eike Batista não deve fazer a capitalização de US$ 1 bilhão na petroleira, conforme havia se comprometido ano passado ao conceder à empresa uma "put" (opção de venda). Seriam os três ex-ministros, conselheiros independentes da empresa, os responsáveis por definir se a empresa exerceria ou não a put.


A retirada dos conselheiros, depois de Eike ter vendido ações da OGX no mercado e retirado a oferta para fechar o capital da CCX, reforçam a percepção do mercado de que possíveis soluções para os negócios do grupo EBX passam por decisões que desagradarão aos investidores. Por essa razão alguns dos sócios do BTG Pactual teriam manifestado o desejo de que o banco deixasse de prestar a assessoria ao Grupo EBX.


O temor é de que a imagem do banco seja contaminada por prováveis decisões que contrariem as boas práticas de governança e de relacionamento de credibilidade com os investidores - essa seria também a possível avaliação feita pelos conselheiros que deixaram a OGX. Por outro lado, observadores dizem que uma saída do BTG agora "pegaria muito mal" para o banco, "que vive de credibilidade".


Eike Batista não teria muito mais a perder com decisões que deverão significar, de fato, que ele não mais terá acesso ao dinheiro do mercado de capitais para eventuais futuros negócios. Isso porque, entre os investidores, essa percepção, independentemente de quaisquer novas medidas controversas, está cada vez mais se cristalizando.


Procurado, o BTG não deu entrevista. Sócios de Eike em outras companhias, também não. Casos do BNDES, que emprestou recursos para as empresas de Eike e tem fatias da CCX e da MPX; do Ontario Teachers Pension Plan (OTPP), que possui 17,88% da LLX, e do fundo Mubadala Development., de Abu Dhabi, que injetou US$ 2 bilhões na holding EBX em março do ano passado e estaria pressionando o empresário. Quando esse negócio foi fechado as informações, não confirmadas por EBX ou Mubadala, eram que o acordo previa algumas proteções ao fundo no caso de queda das ações do grupo. A EBX também não comenta.


A possibilidade de Eike não injetar US$ 1 bilhão na OGX corrobora algumas avaliações de mercado de que para negócios conseguirem sobreviver seria crucial que Eike deixasse o comando. O tipo de negócio do empresário, de projetos que ainda precisam ser executados, não pode ir adiante sem uma liderança que tenha a confiança dos investidores. Com a abundância de recursos no mercado de capitais em 2006 e 2007, Eike captou muitos recursos no mercado de ações e também por instrumentos de dívidas.


Como os negócios atrasaram, as empresas não conseguem gerar caixa para suportar seus planos de investimentos e pagar suas dívidas - os bonds da OGX e OSX já são negociados em níveis preocupantes. À medida que as ações desvalorizaram fortemente na bolsa (as da OGX caíram mais de 90% nos últimos 12 meses), o peso desses endividamentos ficou muito mais relevante para a estrutura de capital.


Mais um indicativo de que o mercado espera por medidas que desagradem investidores foi a queda na sexta-feira de 7,58% de ações da elétrica MPX. O papel fechou a R$ 7,80, a menor cotação desde fevereiro de 2011. Essa tem sido a única ação do grupo a acumular menores baixas, pois, quando Eike vendeu parte de sua fatia na empresa para a alemã E.ON, foi anunciada uma capitalização de R$ 1,2 bilhão na empresa por meio de uma oferta pública de ações. O BTG deu garantia de colocação para o papel a R$ 10. A oferta está em andamento. No entanto, na sexta-feira o mercado especulou que o banco poderia retirar essa garantia, uma hipótese considerada como improvável por especialistas, uma vez que, se fizesse isso, o BTG estaria descumprindo um contrato.

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