A CPFL Energia sinalizou que pretende continuar generosa na distribuição de dividendos aos acionistas, mesmo que se empenhe em novo empreendimento com investimentos bilionários, como a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).
"Pretendemos manter essa marca da companhia de boa pagadora de dividendos com crescimento de valor", afirmou a analistas o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Junior, durante teleconferência , ontem, sobre o resultado trimestral da empresa divulgado na véspera. A política de dividendos da CPFL estabelece que a empresa remunere os acionistas com, no mínimo, 50% do lucro. Ferreira Junior disse que nos últimos anos o percentual foi de 95%.
Indagado sobre as ambições da companhia para Belo Monte, Ferreira Junior disse que ainda estuda a viabilização de um consórcio com participação de Neoenergia e Vale, e que outras interessadas poderiam entrar no grupo.
"Estamos aguardando o edital", disse o executivo, acrescentando que a participação da CPFL no leilão vai depender de fatores como licença ambiental e tarifa-teto. Ferreira Junior deu a entrevista antes de saber da decisão do juiz Edson Grillo, da Justiça Federal de Altamira, no Pará, que suspendeu, no final da tarde, o processo de licenciamento de Belo Monte.
Em uma conta rápida, Ferreira Junior disse que, considerando investimento total em Belo Monte de R$ 25 bilhões e uma eventual fatia de 20% da CPFL no consórcio vencedor, o desembolso anual, pela companhia, seria da ordem de R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos. "Com financiamento de 75% a 80% (do aporte anual pela CPFL), sobrariam R$ 200 milhões por ano. Não é algo que modifique a lógica de dividendos", reforçou.
A CPFL encerrou o terceiro trimestre com relação entre dívida líquida e Ebitda de 2,4 vezes. A CPFL reportou na noite de terça-feira lucro líquido de R$ 290 milhões no terceiro trimestre, queda de 15,8% na comparação com um ano antes.