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Cosan quer megawatt acima dos R$ 150 para a bioenergia

Agência Estado
31/08/2010 09:51
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Pedro Mizutani, presidente da Cosan Açúcar e Álcool, afirmou ontem que a empresa não venderá bioeletricidade produzida por meio de biomassa nos preços ofertados em leilão de energia renovável, realizado na semana passada. Segundo ele, o preço final do leilão de R$ 134 por megawatt (MW) torna inviável investimento de co-geração, mesmo para expansão de capacidade. "A Cosan iria vender energia da Usina de Carapó em Mato Grosso do Sul, para expandir a produção já existente na usina. No entanto, diante do preço do leilão, decidimos não vender."

Para o executivo, para realizar investimento de expansão de capacidade já instalada, o preço teria de ficar acima de R$ 150 por MW. Mizutani informou que para investir em usinas retrofit (já prontas e que precisam ser readaptadas para co-gerar energia por meio de biomassa), o valor de venda em leilão teria de ser acima de R$ 180 o MW. A Cosan tem dez usinas gerando energia e outras duas devem entrar em operação, respectivamente, em 2011 e 2012.

Mizutani relatou, ainda, que a Cosan não pretende investir em co-geração sem antes ter a demanda garantida por venda em leilão ou por contratos com empresas de eletricidade. O executivo acrescentou que, agora que a joint venture entre Shell e Cosan foi selada, a empresa vai esperar por cerca de 45 dias para que o acordo seja referendado pela Comissão Europeia, para que os novos passos sejam definidos.

Mizutani participou do 12º Fórum Internacional sobre o Futuro do Álcool, realizado em Sertãozinho (SP), na região de Ribeirão Preto, na abertura da Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira (Fenasucro). Neste momento, o fórum começou com a presença do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e de Rubens Ometto, presidente do Conselho de Administração da Cosan, também presidente da Fenasucro.

Durante o evento, Ometto disse que a tendência é a marca Esso desaparecer no médio prazo, dentro da nova estrutura formada pela joint venture com Shell. Segundo o executivo, a marca Shell tende a prevalecer na nova estrutura. "Tudo está sendo organizado, mas é natural que a Shell tenha prioridade", informou.

Ele afirmou que a redução dos impostos incidentes sobre o etanol seria a medida mais eficaz para acabar com a sonegação fiscal no setor. Ometto ressaltou o exemplo do Estado de São Paulo, que reduziu o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para 12%, e que deveria ser seguido pelos demais Estados. "A equalização do ICMS depende de vontade política e, nesse sentido, o Estado de São Paulo é um exemplo a ser seguido", afirmou Ometto.

Por sua vez, o ministro da Agricultura disse que a equalização da alíquota do etanol no País depende de uma reforma tributária e da unanimidade dos secretários da Fazenda dos estados.

O presidente da Cosan comentou não compartilhar com as críticas do setor sucroalcooleiro em relação à atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O executivo disse que não tem queixas sobre a atuação do banco em relação à Cosan. "O BNDES sempre agiu de forma profissional com a Cosan", informou.

Rossi admitiu a dificuldade de um consenso no País para a uniformização da alíquota do ICMS entre os estados, bem como da reforma tributária. "Mas nós temos a posição de que é importante desonerar a produção, disso não há dúvida; o governo conseguiu fazer isso diferenciando a Cide em relação à gasolina, que é ponto positivo", disse o ministro.

Ele considerou que um dos gargalos no setor sucroalcooleiro ainda é a logística, lembrou que empresas privadas fazem investimentos na área e citou os também previstos pelo governo federal nos Planos de Aceleração do Crescimento (PACs) 1 e 2. "Seria irreal dizermos que temos uma logística maravilhosa, mas os investimentos no PAC 1 e no 2 vão mudar essa questão, especialmente com a melhoria nos portos e com o uso do modal ferroviário e, eventualmente, também das hidrovia", afirmou Rossi.

O ministro lembrou ainda que "a cana-de-açúcar ocupa, uma parte ínfima de menos de 1% do território nacional, ou cerca de 8 milhões de hectares e ratificou o compromisso do governo federal com o setor sucroalcooleiro". "O presidente Lula é grande divulgador do programa de etanol, tanto que ele estará aqui", concluiu. Lula visita o evento hoje.

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