Combustíveis

Com preço baixo, importação de gasolina cresce

A Petrobras poderia recuperar o que perdeu nos últimos seis anos.

Valor Online
07/01/2015 09:35
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Mantidos os atuais parâmetros de câmbio e preços dos derivados, analistas projetam que, até o fim de 2015, a Petrobras poderia recuperar o que perdeu nos últimos seis anos com a venda no mercado doméstico de gasolina e diesel mais baratos do que pagou para importar. Outra possibilidade aberta pelo barril do óleo cru no nível de US$ 50, no entanto, é usar a margem de lucro mais alta para eventual redução no preço dos derivados, o que poderia ajudar a inflação a permanecer no teto da meta em 2015.

A Petrobras, no entanto, não pensa em reduzir os preços dos combustíveis para se defender de suposto aumento de importações de concorrentes, disse uma fonte, que pediu para não ter o nome revelado. Segundo essa fonte, o mercado está estável e não foram detectadas importações de terceiros. O preço do petróleo no mercado internacional caiu pela metade nos últimos meses (ver gráfico) e a diferença entre o preço interno e o externo da gasolina e do diesel passou de problema a salvação do caixa da Petrobras. A política de controle de preço dos combustíveis trouxe perdas ao caixa da estatal entre maio de 2008, quando foi instaurada, e novembro do ano passado, quando a diferença foi revertida. Nos últimos quatro anos, estima-se que a perda tenha alcançado US$ 59 bilhões. Caso se observe neste ano um cenário com o barril de petróleo oscilando entre US$ 50 e US$ 60, e o câmbio entre R$ 2,60 e R$ 2,80, a estatal recupera as perdas contabilizadas desde maio de 2008, nos cálculos de Walter de Vitto, economista da Tendências Consultoria. A diferença calculada pela consultoria com os preços de ontem, quando o barril do tipo Brent ficou em US$ 51,10 e o câmbio a R$ 2,70, apontou para o litro da gasolina no mercado externo a um preço 35,7% menor do que o praticado nas refinarias da Petrobras. e o litro do diesel 31,2% mais barato.

Com o crescimento dessa diferença nos últimos meses, a Raízen já teria começado a importar combustíveis em baixos volumes, informou uma fonte. Segundo essa fonte, a importação de combustíveis é interessante para aproveitar os preços mais favoráveis no mercado externo, mas ainda é difícil avaliar se os custos da estrutura da importação compensam ao longo do tempo. Procurada, a assessoria da Raízen não encontrou fonte disponível para tratar do assunto. No curto prazo, Vitto não acredita que haverá grandes mudanças no preço do barril de petróleo, afetado pelo aumento de produção dos EUA, estabilidade da demanda mundial e a decisão dos países exportadores ligados à Opep de não reduzir a produção para forçar um aumento na cotação internacional. A defasagem deve se manter ente 20% e 30% até o fim do ano, já que é esperada nova desvalorização do real, com o dólar subindo a R$ 2,80. Em outro cenário, com oscilações normais, a defasagem da gasolina fica positiva à estatal em 37% e em 28% para o diesel com o barril de petróleo a US$ 50 e o dólar a R$ 2,70, nas contas de Fernando Rocha, economista da JGP Gestão de Recursos. Ele acredita que a Petrobras irá usar o cenário agora favorável para se recapitalizar.

O momento político turbulento pelo qual passa a estatal também deixa menos espaço para uma piora nas fontes de receitas. A operação é uma das poucas áreas que estão com bons prognósticos. A produção do óleo cru deve crescer 11% neste ano, segundo estimativas de mercado. Hoje, está ao redor de 2,2 milhões de barris diários. “O que pode acontecer, mas não há previsão no curto prazo, é decisão de redução dos preços na bomba mais para o fim do ano, caso haja risco de a inflação ficar acima da meta em 2015″, afirma Rocha. O cenário externo começou a mudar em julho. Na conta da GO Associados, pela média mensal das variações diárias do câmbio, do barril de petróleo e do preço dos combustíveis no mercado interno e nas refinarias do Golfo do México, em julho a Petrobras vendeu o litro da gasolina a R$ 1,39, enquanto pagou R$ 1,60 para importar.

No diesel, cobrou R$ 1,61 o litro que custou R$ 1,67 no exterior. Em dezembro, o quadro já era outro. Com o barril do tipo WTI a uma média de US$ 60, e o dólar a R$ 2,64, o litro da gasolina no Golfo do México ficou em R$ 1, enquanto a mesma gasolina saiu das refinarias brasileiras por R$ 1,43. O diesel foi importado por R$ 1,22 o litro e vendido a R$ 1,72. O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, diz ser difícil prever o comportamento do petróleo e, por consequência, dos preços dos combustíveis. Uma vez que a redução pela metade dos preços externos não deve sofrer grandes alterações, ele chama atenção ao fato de que há um novo componente na orientação das políticas econômicas dos bancos centrais das principais economias.

O petróleo mais barato se junta ao derretimento da cotação do minério de ferro e da soja registrados ao longo de 2014. Como as três commodities são usadas como insumos, esses recuos serão traduzidos em pressão deflacionária. “O que é mais um fator que ajuda a manter a inflação do Brasil dentro da meta no ano”, diz Silveira. Ver também Petróleo volta a derrubar bolsas internacionais.

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