Empresas

Com crise da cana, Dedini muda o foco

Valor Econômico
22/02/2010 10:09
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Uma das maiores empresas de capital nacional líderes na fabricação de equipamentos sob encomenda, a Dedini Indústrias de Base, com sede em Piracicaba (SP), tirou grande proveito dos anos de glória do setor de açúcar e etanol, crescendo a taxas de até 40% ao ano. Com a crise mundial e a do próprio setor, a fabricante decidiu reduzir a forte dependência de vendas aos usineiros.

 

Agora, o foco são projetos de infraestrutura - hidrelétricas e cogeração -, de extração e refino de petróleo e gás, de biodiesel e diversos setores industriais, como siderurgia, fertilizantes, bebidas, química e petroquímica, celulose e papel, alimentos, cimento e mineração e até o automotivo, com peças para estamparia de carrocerias de carros.

 

"Chegamos a ter 85% da nossa receita e da carteira de pedidos em encomendas da usinas de açúcar e etanol", informou Sérgio Leme dos Santos, presidente-executivo da Dedini. No ano passado, por conta da retração econômica mundial e do setor, esse percentual caiu para 45%. O impacto não para por aí: a empresa convive ainda com elevado índice de inadimplência de vendas realizadas a investidores cujos projetos de novas usinas não foram para frente ou pararam no meio do caminho.

 

A fabricante paulista encerrou 2009 com faturamento de R$ 1,4 bilhão, bem abaixo de R$ 2,2 bilhões do ano anterior. A expectativa para este ano é crescer 5%, com a melhoria das encomendas e o aumento da demanda da área de infraestrutura, principalmente de projetos hidrelétricos. Hoje, as usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, já respondem por expressiva fatia da carteira da Dedini. "Em 2011, já esperamos voltar ao patamar de R$ 2 bilhões", disse Santos.

 

A empresa garante estar equipada para ganhar presença em obras e projetos de outros setores, com seis fábricas em operação em Piracicaba (três) e Sertãozinho (SP), Recife (PE) e Maceió (AL). Desde o ano passado, a Dedini passou a capacitar com melhorias tecnológicas sua fundição, apta a fazer 60 mil toneladas de metal e até 45 mil de peças finais, para fabricar equipamentos mais complexos e com especificações mais rigorosas. Caso de componentes para extração de petróleo em águas profundas ou tanques para uma fábrica de bebidas, em material inoxidável, e até itens para usinas de geração elétrica.

 

Nos alvos da empresa, fundada em 1920 pelo imigrante italiano Mário Dedini, estão projetos de grande porte no país, como a extração de petróleo no pré-sal e a futura hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. "Estamos capacitando nossa fundição, que tem capacidade de sobra, com investimentos que, apenas neste trimestre, somam R$ 28 milhões", afirmou Renato Herz, diretor comercial e da divisão de infraestrutura e energia, além de responsável pela área de fundição.

 

Divisão-chave da Dedini, a fundição recebeu nos últimos três anos investimentos de R$ 50 milhões. Os recursos visaram dotar a unidade, situada em Piracicaba, de tecnologias como soldas a laser, metalurgia de aços e ligas especiais e fornos a vácuo. Sem um desses itens, por exemplo, não poderia fazer componentes para hidrogeração de energia, lembrou Herz.

 

No momento, a empresa faz cotações de preços para dois projetos anunciados de siderúrgicas no Norte e Nordeste do país e assegura estar pronta para participar também das refinarias premium de petróleo da Petrobras no Maranhão e Ceará, além da Abreu Lima, em Suape (PE). Herz observa que a empresa se prepara para crescer, indiretamente, com as obras para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016.

 

"Construção e reformas de estádios vão precisar de mais cimento, cujos fabricantes vão ter de expandir suas fábricas para atender a demanda", explicou. Da mesma forma, deverá crescer o consumo de cervejas, exigindo novas fábricas no país. Um dos negócios da Dedini é construir instalações para cervejarias, bem como tanques refrigerados para exportação de suco de laranja.

 

Ainda com o sonho de abrir o capital na Bovespa, iniciativa que foi abortada dois anos atrás, a Dedini quer neste ano dar um passo rumo à internacionalização. No alvo, uma filial na Índia, maior atuação no mercado da região, entrada na África e maior presença em países da América do Sul. "Nosso plano é fazer joint ventures com grupos locais", disse Santos.

 

Aos 90 anos de atividades, a Dedini é comandada pela quarta geração da família. Em 1970, com a morte do fundador Mário Dedini, a direção da empresa passou a Dovílio Ometto, seu genro. Desde o início de 2008, que presidente o conselho é Giuliano Dedini Ometto, bisneto do fundador, que assumiu o cargo após a morte da mãe, Juliana. Esse elo da família controla a companhia com cerca de 52%, por meio da holding Doado. Dois outros ramos herdeiros de Mário Dedini, reunidos nas holdings AD e Nidar, detêm os demais 49%.

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