Biocombustíveis

Com caixa mais 'gordo', usinas já planejam investimentos

Valor Econômico
06/07/2010 09:58
Visualizações: 963

As maiores empresas do setor sucroalcooleiro conseguiram engordar o caixa neste ano aproveitando os preços recordes do açúcar na safra 2009/10 e a alta das cotações do álcool no mercado doméstico na entressafra. Os balanços das companhias com capital aberto mostram que Cosan, São Martinho e Açúcar Guarani tiveram juntas uma geração de caixa de R$ 2,4 bilhões, mais que o dobro do que as três contabilizaram juntas ao fim do ciclo 2008/09.

 

 

Desse total, só a Cosan Açúcar e Álcool gerou R$ 1,7 bilhão (incluindo o efeito de operações de hedge), o melhor resultado da história da companhia. O valor sobe para R$ 2 bilhões se forem consideradas as outras empresas do grupo, como a Cosan Combustíveis e Lubrificantes (CCL).

A expectativa é de que a safra atual, a 2010/11, também ofereça boa rentabilidade e liquidez às usinas. "O desempenho na temporada vai depender muito da estratégia de hedge de cada empresa. Mas, de forma geral, tende a ser um mercado mais justo [em termos de preços]", diz Rubens Ometto, presidente do Conselho de Administração da Cosan.

O desempenho da companhia, que teve lucro líquido também recorde de R$ 986 milhões, levou a uma redução da relação entre a dívida líquida e a geração de caixa de 3,3 vezes em dezembro passado para 2,5 vezes em março deste ano - apesar de todos os investimentos feitos, como aquisição da NovAmerica e da Esso. "Vamos continuar nossos investimentos, como o projeto de cogeração, além dos voltados para logística e para a área de alimentação", diz Marcos Lutz, presidente da Cosan.

São Martinho e Açúcar Guarani também tiveram geração de caixa recorde. Mas é a parceria com a Petrobras Biocombustíveis que alavancará os investimentos das duas empresas, depois de dois anos de relativa estagnação na expansão da capacidade instalada.

A estatal injetará nas duas novas parceiras mais R$ 2 bilhões nos próximos meses - R$ 1,6 bilhão na Açúcar Guarani e R$ 420 milhões na São Martinho. Com esse aporte vultoso, a Açúcar Guarani deve aproveitar, portanto, o caixa próprio, gerado nesta última safra, para reduzir seu endividamento.

Já a São Martinho, que transferiu metade da sua dívida líquida para a nova empresa de etanol criada com a Petrobras - a Nova Fronteira Bioenergia -, ficará mais confortável para retomar o plano de crescer no Estado de São Paulo.

Fábio Venturelli, CEO da empresa, mantém segredo sobre os próximos passos. Mas, de forma geral, explica que a expansão virá de uma combinação de parcerias estratégicas, aquisições e construção de usinas novas. Com a transferência de metade da dívida, a São Martinho melhorou a relação dívida líquida sobre a geração de caixa de 2,27 vezes para 1,18 vez. "Isso cria uma base robusta para seguirmos nossa agenda de crescimento que é dobrar de tamanho até 2020", diz Venturelli.

Jacyr da Costa Filho, CEO da Açúcar Guarani, confirma que, caso seja o objetivo dos acionistas, os recursos gerados com a produção serão usados para liquidar dívidas. "O aporte da Petrobras visa ao nosso crescimento. Já fizemos a aquisição da usina Mandu (SP) e vamos continuar a expansão. Essa parceria nos abre condições de usar os recursos da operação para melhorar a situação de endividamento".

Em março do ano passado, a relação de dívida líquida sobre a geração de caixa da Açúcar Guarani era de 5,8 vezes. O aumento do caixa contribuiu para melhorar essa relação para 4,5 vezes em dezembro de 2009 e para 3,4 vezes em março deste ano. "Vamos continuar perseguindo a redução desse indicador", diz Reinaldo Benitez, diretor de Relações com Investidores da Açúcar Guarani.

Ele destaca que, independentemente do plano que cada grupo tem para os recursos disponíveis em caixa, a boa notícia é a melhora da liquidez no setor, após dois anos difíceis por causa dos preços baixos e da crise internacional.

A Guarani deve prosseguir com a estratégia de aquisições, com recursos da Petrobras, mas também está no foco da companhia um projeto para ampliar a capacidade das usinas já existentes. "O potencial é aumentar entre três milhões e quatro milhões de toneladas de capacidade [de moagem] com essa iniciativa", afirma Costa.

Também há mais crédito disponível. A Guarani anunciou ontem que a Tereos Internacional, sua controladora, concluiu a contratação de duas novas linhas de crédito. A maior delas, no valor de € 450 milhões, tem vencimento em 2015 e foi concedida por um sindicato de bancos à Tereos União Europeia, subsidiária da Tereos Internacional. A outra linha, de € 40 milhões, foi concedida pelo Rabobank Paris e vence em 364 dias.
 

 

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste te...
23/04/26
Oportunidade
Firjan SENAI tem mais de 11 mil vagas gratuitas em quali...
22/04/26
Combustíveis
Etanol aprofunda queda na semana e amplia perdas no acum...
20/04/26
P&D
Centro de pesquisa na USP inaugura sede e impulsiona tec...
17/04/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 182 mil barris por ...
17/04/26
Reforma Tributária
MODEC patrocina debate sobre reforma tributária no setor...
17/04/26
E&P
Revisão de resolução sobre cessão de contratos de E&P é ...
17/04/26
Estudo
Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil
17/04/26
Apoio Marítimo
Mesmo com tensões globais, setor marítimo avança e refor...
17/04/26
Internacional
Petrobras assina participação em novo bloco exploratório...
17/04/26
PPSA
Petrochina arremata carga da União de Bacalhau em leilão...
17/04/26
Rio de Janeiro
Firjan calcula que, só em 2025, estado do Rio acumulou p...
16/04/26
Refino
Refinaria de Mataripe, da Acelen, reduz consumo total de...
16/04/26
Cana Summit
No Cana Summit 2026, ORPLANA e UNICA formalizam revisão ...
16/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Reconhecimento
3º Prêmio Foresea de Fornecedores premia melhores empres...
16/04/26
Cana Summit
Abertura do Cana Summit 2026: autoridades e especialista...
15/04/26
Gás Natural
TBG e SCGás inauguram nova estação em Santa Catarina e a...
15/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23