Internacional

China vai extrair gás em águas profundas

A China está pronta para começar a extrair gás natural de águas profundas, um feito de engenharia avançada que inclui centenas de quilômetros de dutos submarinos e uma plataforma de fabricação chinesa resistente a tufões.

The Wall Street Journal
19/11/2013 10:45
Visualizações: 751
A China está pronta para começar a extrair gás natural de águas profundas, um feito de engenharia avançada que inclui centenas de quilômetros de dutos submarinos e uma plataforma de fabricação chinesa resistente a tufões.

O campo pioneiro faz parte de uma iniciativa do governo chinês para mais do que dobrar o uso do gás no país e fazer o produto responder por 10% da matriz energética até 2020, ajudando a diminuir sua dependência do carvão - um combustível mais poluente e responsável, hoje, por dois terços da eletricidade consumida na China.

O campo de gás de Liwan-3, no Mar da China Meridional, a cerca de 320 quilômetros a sudeste de Hong Kong, deve começar a produzir no início do ano que vem e responder num certo ponto por 4% do suprimento de gás do país. Ele tem o potencial de fornecer mais gás para a China que as importações da Austrália, o segundo maior fornecedor de gás natural liquefeito do país.

Com toda sua complexidade, o projeto de US$ 6,5 bilhões está bem localizado. O campo fica em território marítimo não disputado e perto de onde o país mais precisa de gás: as regiões costeiras do sul e do leste que têm um rápido crescimento e deficiência de energia.

A Husky Energy Inc., controlada pelo bilionário de Hong Kong Li Ka-shing, opera o projeto e tem uma fatia de 49% dele. A estatal chinesa de energia Cnooc Ltd. detém o restante.

A Cnooc tem procurado aumentar sua experiência em perfuração em plataformas marinhas. No ano passado, a petrolífera pagou US$ 15,1 bilhões pela canadense Nexen Inc. Com isso, obteve acesso às técnicas usadas pela Nexen no Golfo do México - muito mais profundo que o campo Liwan - e pode empregá-las em futuros projetos de águas profundas. Além disso, a Husky e a Cnooc contrataram especialistas em águas profundas, incluindo a Saipem SpA, da Itália, para assessorá-las em Liwan.

"Estamos muito perto de termos nossa primeira produção de gás", disse o diretor-presidente da Husky Energia, Robert Peabody, numa palestra em 24 de outubro. A empresa canadense informou que está "dentro do cronograma e do orçamento" para começar a produzir até o fim deste ano ou início de 2014.

A produção inicial de Liwan, de aproximadamente 8,5 milhões de metros cúbicos por dia, deve subir para perto de 10 milhões no ano que vem, quando um segundo campo próximo a ele entrar em produção. Com a conexão de um terceiro campo, daqui a mais de um ano, a produção deverá atingir em torno de 14 milhões de metros cúbicos por dia.

O pico de produção de Liwan, previsto para 2015, deve equivaler a cerca de 4% da produção doméstica de gás na China e 7% do gás importado. "Números pequenos, mas impressionantes para um projeto só", disse Craig McMahon, da consultoria Wood Mackenzie.

O primeiro gás virá de nove poços com 1.450 metros de lâmina d'água. O gás fluirá por dois dutos de 79 quilômetros para uma plataforma de águas rasas, o núcleo do projeto, de onde viajará mais 260 quilômetros até a costa entre Macau e Hong Kong.

Liwan está longe das zonas sul e oeste do Mar da China Meridional, onde a exploração foi impedida por disputas territoriais entre China, Vietnã, Filipinas e outros.

No mês passado, a China ofereceu 25 blocos no mar para exploração em parceria com outras empresas. A BP PLC e a Chevron Corp. estão entre as companhias estrangeiras de petróleo que já exploram as águas profundas no sul da China, sob contratos que dão à Cnooc direito a uma fatia de 51% se as áreas passarem a produzir comercialmente. A Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos estimou que poderia haver 5,4 trilhões de metros cúbicos de gás e 11 bilhões de barris de petróleo sob o mar da China Meridional.

Mas o aprendizado da Cnooc a tornará menos dependente de parceiros estrangeiros, na costa da China ou em qualquer outro lugar. A empresa já investiu em projetos de águas profundas no Brasil, na África Ocidental e no Golfo do México.

Grande parte da produção esperada pelo projeto Liwan já foi vendida por valores entre US$ 11 e US$ 13 por milhão de unidades térmicas britânicas a empresas chinesas, preço cerca de 33% menor que o pago no mercado à vista de gás natural liquefeito da Ásia.

A China também está tentando atender a crescente demanda por gás usando navios-tanques e gasodutos terrestres. As importações de gás natural liquefeito marítimo do país, provenientes principalmente do Qatar e da Austrália, subiram 20% no ano passado e 23% nos primeiros nove meses deste ano.

As empresas chinesas também planejam importar gás natural liquefeito da Rússia, da América do Norte e de Moçambique. A produção de gás em campos terrestres na China cresceu apenas 6,7% no ano passado, para 107 bilhões de metros cúbicos.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.