Mercado

Cemig compra energia de Santo Antônio

Folha de S.Paulo
11/05/2009 03:38
Visualizações: 829

Sócia na usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) comprou 30% da energia a ser gerada pela usina e vai fornecê-la para grandes empresas a partir de 2012. O contrato dura 15 anos e prevê o pagamento de R$ 7,5 bilhões, 58% do valor total da obra.

 

Pelas regras do setor, as novas usinas são obrigadas a destinar 70% da energia ao mercado cativo (distribuidoras), cobrando preços regulados pelo governo. Os 30% restantes são vendidos no mercado livre, um tipo de balcão a que recorrem grandes consumidores de energia (siderúrgicas, mineradoras etc.). Nele, os preços seguem a lei de oferta e procura e são mais altos.

 

A distribuidora que vende no mercado cativo não pode operar no balcão. É o caso da Cemig, que só pôde fechar a compra por meio de sua comercializadora que opera no mercado livre. A Folha apurou que a operação era discutida pelos sócios do consórcio Saesa (Santo Antônio Energia) desde meados de 2008.

 

As empresas não quiseram comentar, mas a informação foi confirmada por integrantes do consórcio. Concorrentes da Cemig no mercado livre e clientes também confirmaram.

 

“Solução caseira”

 

O negócio, considerado uma “solução caseira” pelos analistas consultados, resolve dois problemas, um da Saesa e outro da Cemig. Os investidores privados, principalmente bancos e fundos de investimentos, recusavam-se em aportar recursos na hidrelétrica porque consideravam incertos o retorno sobre o investimento.

 


Para oferecer R$ 78,87 pelo MWh ao mercado cativo e levar a concessão de Santo Antônio em leilão, em 2007, a Saesa apostou que conseguiria vender o megawatt/ hora (MWh) no mercado livre acima de R$ 130. A mistura entre as duas tarifas (a regulada e a livre) garantiria a amortização do investimento em 12 anos.

 

Com a crise, a perspectiva é a de queda de consumo e, portanto, de retração na indústria. Resultado: uma previsão de 30% de queda no preço do MWh no mercado livre, o que, para os investidores, significa mais tempo para a amortização dos investimentos. A venda da energia para a Cemig resolveu esse problema da Saesa, que receberá R$ 130 por MWh.

 

Para a estatal, a compra foi estratégica porque ela já tinha contratos com grandes consumidores de energia, especialmente siderúrgicas, válidos até 2028. “Agora poderá mesclar a energia que já está no sistema com a que será gerada oferecendo tarifas mais competitivas”, diz Pedro Serafim, do escritório Tozzini Freire.

 

“É uma decisão acertada”, afirma Silvio Roberto Areco Gomes, diretor-executivo da consultoria Andrade & Canelas. “Essa crise financeira vai passar e, na retomada, ganhará a companhia que tiver feito investimentos para garantir oferta aos grandes consumidores.”

 

Essa é a segunda grande transação da Cemig, que, em abril passado, anunciou a compra da Terna por R$ 2,33 bilhões. A Terna é uma distribuidora presente em 11 Estados com 3.300 km em linhas de transmissão.

 

Para cumprir o contrato com a Cemig, a Saesa terá de antecipar a inauguração da usina em um ano. Ela estava prevista inicialmente para 2013. As obras começaram há oito meses e os programas de mitigação dos impactos socioambientais estão sendo contestados na Justiça pelo Ministério Público Federal de Rondônia.

 


O empreendimento recebeu R$ 6,8 bilhões do BNDES e R$ 503 milhões do Banco da Amazônia. O FGTS injetou R$ 1,5 bilhão e adquiriu R$ 140 milhões em cotas do fundo de investimento privado (FIP) dos bancos Santander e Banif.

 

A Cemig detém 10% da Saesa (Santo Antônio Energia); outros acionistas são grupo Odebrecht (18,6%), Andrade Gutierrez Participações (12,4%), Furnas (39%) e o FIP do Santader e Banif (20%).

 

Segundo o presidente da Saesa, Roberto Simões, a obra está em nova fase. A venda da energia garante a antecipação da receita, permitindo acelerar a amortização do investimento.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Margem Equatorial
ANP aprova delimitação de 11 novos setores exploratórios...
02/10/26
Agronegócio
Agro diversifica matriz energética e busca alternativas ...
02/10/26
Firjan
Manifesto Firjan defende o voto consciente em 4 de outubro
02/10/26
PPSA
ExxonMobil e TotalEnergies vencem o 9º Leilão Spot de Pe...
02/10/26
Workshop
Petrobras, Shell, ArcelorMittal e IBRAM discutem desafio...
01/10/26
Resultado
Produção de petróleo e gás em agosto de 2026 alcançou 6,...
01/10/26
Normas
ANP recebe contribuições sobre revisão da norma para reg...
01/10/26
ROG.e 2026
Petrobras e Petronect levam nova solução para compras de...
30/09/26
Premiação
Mirante Tecnologia vence prêmio da Petrobras de melhor f...
30/09/26
ROG.e 2026
Empresa Piracicaba apresentou lançamentos em um dos prin...
30/09/26
Combustíveis
Diesel S-10 acumula alta de 15,1% em 12 meses, aponta Mo...
30/09/26
Segurança + IA
CTO da Oakmont é um dos representantes brasileiros no en...
29/09/26
Gás Natural
ANP realiza 2° Workshop para debater Gas Release
29/09/26
Sustentabilidade
Prêmio Firjan de Sustentabilidade: conheça as empresas e...
29/09/26
Etanol de milho
Produtores de etanol de cana investem em usinas híbridas...
29/09/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de julho foram ...
29/09/26
ROG.e 2026
Oil States destaca integração entre engenharia, fabricaç...
28/09/26
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
28/09/26
ROG.e 2026
Vencedor do RSE Award e destaque na ROG.e, o Programa de...
28/09/26
ROG.e 2026
Empresários do Norte Fluminense prospectam negócios na R...
25/09/26
ROG.e 2026
ANP participou de mais de 40 palestras em evento que reú...
25/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25