Biocombustíveis

Brasil perde participação em mercado de etanol para EUA

Valor Econômico
10/02/2011 10:50
Visualizações: 1243
O aumento da demanda mundial, um dólar fraco e uma produção interna recorde estão dando aos produtores de etanol dos Estados Unidos uma vantagem cada vez maior sobre os brasileiros nos mercados para exportação do álcool combustível.
 

Enquanto os produtores americanos buscam compradores no exterior, o apetite doméstico cada vez maior do Brasil mantém mais álcool dentro do país. O desequilíbrio ajudou o etanol americano, feito a partir do milho, a conquistar uma fatia crescente do mercado mundial, o que tem ajudado nos lucros de empresas como a Archer Daniels Midland Co., a ADM.
 

"Tudo que era exportado do Brasil está agora sendo despachado dos EUA", diz Marc Van Driessche, gerente de negociação da trading de biocombustíveis Greendiesel Trading.
 

As exportações americanas de etanol triplicaram no ano passado, para 13,2 milhões de hectolitros, em comparação com 4,3 milhões em 2009. Os principais destinos foram Canadá, nordeste da Europa e Brasil, segundo a Associação de Combustíveis Renováveis dos EUA.
 

O Brasil ainda está à frente dos EUA em exportações de etanol, mas a liderança encolheu. As exportações brasileiras somaram 19 milhões de hectolitros no ano passado, uma queda de 61% em relação a 2009, segundo a associação americana.
 

As trajetórias diferentes de Brasil e EUA são atribuíveis em grande parte à fraqueza do dólar diante do real, que dá uma vantagem competitiva aos exportadores americanos. O dólar caiu 39% em relação ao real desde o início de 2009. Outro fator é a alta nos preços do açúcar, que faz com que os usineiros desviem parte da cana-de-açúcar que seria usada no álcool.
 

Também há mudanças nos mercados domésticos de álcool combustível dos EUA e do Brasil.
 

Nos EUA, os produtores de etanol estão tendo dificuldades para aumentar as vendas internas ao mesmo tempo em que a produção cresce. A indústria alcooleira americana lutou muito para aumentar a quantidade de etanol misturada à gasolina. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA permitiu em janeiro que os veículos montados a partir de 2001 usassem uma mistura de 15% de etanol. Antes, a mistura permitida era de 10%. Mas, como as montadoras ameaçam anular as garantias dos motores e as refinarias se negam a vender a mistura com mais álcool, os produtores de etanol buscam vender no exterior a oferta crescente de que dispõem.
 

Enquanto isso, a economia em crescimento do Brasil produz demanda por carros, e a porcentagem de álcool na gasolina é maior do que nos EUA. A produção brasileira de automóveis bateu recorde em 2010 e este ano, em janeiro, as vendas chegaram a quase 245.000 veículos, um aumento de quase 15% sobre o mesmo período de um ano atrás, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea.
 

A crescente demanda brasileira por etanol superou a sua própria oferta, reduzindo as exportações do biocombustível e até exigindo importações dos EUA, diz Adhemar Altieri, diretor de comunicação da Unica, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar.
 

As exportações de etanol puro dos EUA não têm direito a um crédito fiscal de US$ 0,45 por galão (US$ 0,12 por litro) oferecido pelo governo americano. Mas a produção apoiada pelo crédito tributário está cada vez mais sendo enviada à Europa na forma da mistura de 90% etanol e 10% gasolina. Essa mistura, chamada E90, permite aos traders usar a mínima quantidade de gasolina, receber o crédito e vender o combustível à Europa com desconto. Pessoas do setor nos EUA e na Europa descrevem a E90 como produto para um mercado de nicho, que cresceu recentemente para 189.000 hectolitros em exportações por mês.
 

A exportação mina o argumento popular de que o álcool aumenta a independência energética dos EUA, reconhece Jeff Lautt, diretor de operações corporativas da Poet, a empresa americana que é a maior produtora de etanol do mundo. Ele diz que preferiria que o mercado americano permitisse maior uso doméstico, em vez da crescente demanda por exportação.
 
 
"Não faz sentido estar exportando", diz. "É realmente motivado pelo fato de que temos essas restrições do mercado."
 
 
Lautt prevê que as vantagens que os EUA têm sobre o Brasil continuem "pelo futuro próximo".
 

Mas Richard Lobb, porta-voz do Conselho Nacional do Frango dos EUA, uma das muitas associações de produtores de carnes que se opõem ao etanol porque aumenta os custos da alimentação animal, diz que o verdadeiro motivo por trás das exportações é que muitos produtores entraram no mercado em busca de "dinheiro fácil". "A razão pela qual o etanol está disponível para exportação é que a indústria tem excesso de capacidade", diz.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Santa Catarina
Workshop sobre competitividade no mercado de gás natural
04/11/26
Tributação
ANP e executivos do mercado debatem temas urgentes em se...
04/11/26
Refinarias
Consórcio TEM Boaventura realiza içamento do primeiro r...
04/11/26
Etanol
ORPLANA leva visão do setor canavieiro ao Agro World Fórum
04/11/26
Firjan
Maior disponibilidade de gás natural fortalece cadeia pe...
03/11/26
Estudo
Firjan lança estudo Petroquímica e Fertilizantes no Rio ...
03/11/26
Resultado
Com 6,120 milhões de boe/d, produção de petróleo e gás n...
03/11/26
Pré-Sal
Com 180 mil barris por dia, P-78 (Búzios 6) atinge topo ...
03/11/26
Combustíveis
ANP enviará ao Cade processos contra distribuidoras por ...
03/11/26
Etanol
Etanol encerra a semana em alta, com valorização do hidr...
03/11/26
Leilão
Neoenergia arremata lotes 1 e 7 em Leilão de Transmissão...
30/10/26
SOG 2027
Sergipe Oil & Gas 2027 apresenta nova estrutura e amplia...
30/10/26
Margem Equatorial
Mais uma descoberta de petróleo em águas ultra profundas...
30/10/26
PPSA
Petrochina, CNOOC e Petrobras e vencem 10º Leilão Spot d...
30/10/26
Parceria
ABPIP e Sebrae/RN firmam parceria para impulsionar inova...
29/10/26
Aviação
ANP fará consulta pública sobre regulamentação do Progra...
29/10/26
Investimentos
PD&I - aprovada abertura de consulta e audiência pública...
29/10/26
ANP
Aprovada resolução sobre cessão de contratos de E&P
29/10/26
Resultado
Foresea registra receita líquida de US$179 milhões e ele...
29/10/26
Resultado
Com crescimento de 11,7% em um ano, produção própria de ...
29/10/26
Firjan
Resultados dos recentes leilões de óleo e gás impulsiona...
28/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.