Gás Natural

Bolívia deve mudar lei do setor de gás após a eleição

Valor Econômico
01/12/2009 09:35
Visualizações: 1131

O governo do presidente Evo Morales prepara uma nova lei de hidrocarbonetos para a Bolívia. A discussão sobre o texto, que deve ficar pronto após as eleições de domingo, tem gerado muita expectativa e especulação entre empresas e analistas no país. Alguns apostam que a Bolívia reduzirá a carga tributária das empresas para tentar atrair mais investimentos e aumentar a produção de gás.

 

Para Carlos Arze Vargas, pesquisador especializado em energia do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Trabalhista e Agrário (Cedla), de La Paz, a ideia central do governo é "reverter a situação de baixa do investimento na indústria do gás no país". E para isso deverá diminuir os impostos das empresas que exploram o gás, como quer as petroleiras.

 

O governo tem evitado falar publicamente sobre o tema. Questionado pelo Valor na sexta-feira sobre a possibilidade de flexibilização fiscal na nova lei, o coordenador da campanha eleitoral de Morales, o deputado Jorge Silva, disse apenas: "Não se descarta". E em seguida acrescentou: "Mas essa não é a prioridade".

 

Para a economista Carmen Crespo, que integra uma equipe de especialistas que ajuda o governo a redigir o projeto de lei, o objetivo é produzir uma legislação que seja compatível com a nova Constituição, aprovada em fevereiro. A atual lei de hidrocarbonetos é de 2005 e foi sancionada pelo governo anterior, do presidente Carlos Mesa, ainda que com o apoio da bancada do partido de Morales, o MAS. Em 2007, já no atual governo, os contratos foram revistos, como exigia a lei de 2005, mas ainda estariam defasados em relação à nova Carta.

 

"A nova lei tem que aplicar a nova Constituição, tem que definir, por exemplo, como as empresas vão passar a operar como prestadoras de serviço e não mais como concessionárias, como é hoje, e como é mais confortável para elas", disse Crespo ao Valor. Os contratos de prospecção e produção já colocam as empresas como prestadoras de serviço, mas os contratos que tratam de outras atividades, como transporte, refino e distribuição para redes internas na Bolívia, ainda mantêm as petroleiras como concessionárias.

 

As mudanças previstas, ainda segundo Crespo, devem incluir aumento de impostos, inclusive em alguns dos contratos da Petrobras, que não quis comentar o assunto. A empresa, que é operadora de quatro campos de gás na Bolívia e tem participação em um quinto, participa também do transporte e compressão de gás natural.

 

"As expectativas do governo não são de baixar a arrecadação, mas sim de subir nessas outras etapas", disse Crespo, ex-pesquisadora do Cedla. "Em relação aos contratos vigentes [de prospecção e produção] não creio que haverá mudanças. Os contratos que serão firmados sob a nova lei talvez possam ser simplificados, mas não sei se serão mais flexíveis em termos fiscais."

 

O Ministério de Hidrocarbonetos reuniu há um mês algumas empresas do setor de energia que têm contratos em sociedade com a estatal boliviana YPFB para discutir a nova lei. Segundo o ministério, o governo quer finalizar o texto da lei em dezembro ou em janeiro e encaminhá-lo ao novo Legislativo que também será eleito neste domingo. "A mensagem que as empresas deram ao governo foi que as empresas já podem, sim, estar adaptadas aos contratos vigentes para operar os campos que já produzem. Mas que, para investimentos novos, será preciso mais incentivos fiscais", disse Carlos Delius, vice-presidente da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos.

 

O Estado recolhe 50% da receita das empresas mais uma fatia variável que segundo as empresas pode fazer a tributação superar 90%. Carlos Arze Vargas diz que não espera uma redução na fatia da cobrança dos 50%. "Isso provocaria reação nas ruas". A saída, diz, seria criar outros benefícios fiscais.

 

Para Vargas, o governo vai flexibilizar a cobrança por uma necessidade política: "Evo não conseguiu cumprir promessas de industrialização dos gás durante o primeiro mandato. Para industrializar é preciso um aumento da produção, e os contratos atuais têm desincentivado os investimentos das empresas. O governo percebeu que não tem condição de obrigar as empresas a investir." Segundo Arze, um dos reflexos da falta de investimento aparece na capacidade da produção diária de gás do país. Desde 2004, a capacidade se mantém em cerca de 40 milhões de m3 por dia. Há mais ou menos uma década 64 poços eram perfurados no país por ano. Hoje, são 4 por ano.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Branded Content
Corrosão no offshore: o desafio de proteger o aço onde p...
06/11/26
Biometano
ANP aprova as primeiras certificações de produtores de b...
06/11/26
Energia Elétrica
ABCE: leilão de transmissão reforça segurança energética...
06/11/26
Internacional
5º Congresso da Federação dos Advogados de Língua Portug...
05/11/26
Firjan
Parceria público-privada é apontada como vital para indú...
05/11/26
Drilling
Norbe VIII, da Foresea, está pronta para atuar em águas ...
05/11/26
Tubulações
Reparo a frio com material compósito recupera tubulações...
05/11/26
Resultado
Vibra mantém ritmo de crescimento no 3T26 e avança na ex...
05/11/26
Lançamento Editorial
Livro analisa os impactos da Reforma Tributária na indús...
05/11/26
Pessoas
John Crane nomeia Jesper Østerlund como vice-presidente ...
04/11/26
Santa Catarina
Workshop sobre competitividade no mercado de gás natural
04/11/26
Tributação
ANP e executivos do mercado debatem temas urgentes em se...
04/11/26
Refinarias
Consórcio TEM Boaventura realiza içamento do primeiro r...
04/11/26
Etanol
ORPLANA leva visão do setor canavieiro ao Agro World Fórum
04/11/26
Firjan
Maior disponibilidade de gás natural fortalece cadeia pe...
03/11/26
Estudo
Firjan lança estudo Petroquímica e Fertilizantes no Rio ...
03/11/26
Resultado
Com 6,120 milhões de boe/d, produção de petróleo e gás n...
03/11/26
Pré-Sal
Com 180 mil barris por dia, P-78 (Búzios 6) atinge topo ...
03/11/26
Combustíveis
ANP enviará ao Cade processos contra distribuidoras por ...
03/11/26
Etanol
Etanol encerra a semana em alta, com valorização do hidr...
03/11/26
Leilão
Neoenergia arremata lotes 1 e 7 em Leilão de Transmissão...
30/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.