Energia elétrica

Bandeira vermelha na conta de luz não deve impedir inflação abaixo da meta em 2017, dizem especialistas

Reuters, 04/10/2017
04/10/2017 12:26
Visualizações: 1012

A inédita bandeira vermelha nível 2 adotada nas contas de luz do Brasil em outubro pode responder por quase metade do IPCA do mês, mas ainda assim a inflação deve terminar 2017 fora da meta oficial.

Especialistas consultados pela Reuters concordam que os custos maiores com eletricidade devido a chuvas fracas na região das hidrelétricas, principal fonte de energia do Brasil, tiraram o viés de baixa das projeções, mas não ameaçam o quadro de inflação benigna.

"Por mais que outubro venha pressionado, existe uma margem bastante gorda para o governo ter espaço para fazer ajustes nos preços de administrados", afirmou o analista de inflação da Tendências Consultoria, Marcio Milan.

"Nosso número tinha viés de baixa, mas a bandeira vermelha tira isso. Se não fosse ela, poderíamos ajustar nossa projeção de alta do IPCA no ano de 3,1 por cento para abaixo de 3 por cento", completou.

Nas contas da Tendências, a tarifa de eletricidade deve apresentar alta de 6,5 por cento em outubro, com impacto de 0,23 ponto percentual no IPCA do mês, cuja estimativa é de um avanço de 0,58 por cento em outubro.

Criadas para sinalizar aos clientes a oferta de energia, as bandeiras tarifárias elevam custos em cenários de menor geração, mas o segundo patamar da bandeira vermelha, de valor mais elevado, ainda não havia sido acionado desde que o mecanismo foi lançado em 2015.

Nesse nível a bandeira tarifária eleva os custos para os consumidores em 3,50 reais a cada 100 kilowatts-hora em eletricidade.

A situação das chuvas oscilou bastante ao longo do ano, mas em geral os especialistas não alteraram suas perspectivas para a inflação após o anúncio pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mantendo-as em torno do piso da meta ou mesmo abaixo dele.

"Outubro ficou mais pressionado, mas nossa projeção para o IPCA no ano de 2,9 por cento não mudou. Estamos em um momento em que a inflação tem sistematicamente surpreendido para baixo", disse o economista da LCA Consultoria Econômica, Fabio Romão, que calcula alta da energia elétrica de 3,13 por cento em outubro e impacto de 0,11 ponto percentual sobre o IPCA do mês, de 0,45 por cento.

A meta oficial de inflação para este ano é de 4,5 por cento, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Perspectiva

Após um bom começo de ano, as chuvas rarearam e em março foi acionada a bandeira amarela, seguida pela vermelha em abril, quando especialistas chegaram a prever um cenário negativo para a geração hidrelétrica ao longo de todo o segundo semestre.

Em seguida houve um alívio, com boas chuvas que deixaram a bandeira verde em junho, mas a situação voltou a piorar no mês seguinte, com bandeira amarela, e em agosto, quando houve o retorno da bandeira vermelha.

Para o economista da Rosenberg & Associados Leonardo França Costa, se os reservatórios apresentarem melhora até o final do ano, sua projeção para a inflação pode ir abaixo dos atuais 2,8 por cento. Porém seus cálculos levam em consideração que a bandeira vermelha deve continuar em vigor no início do próximo ano, mantendo um limite à fraqueza da inflação.

"Não vemos melhora tão rápido porque a deterioração dos reservatórios foi bem grande", disse ele.

Entretanto, a maior preocupação para 2018 em relação à alta dos preços não gira tanto sobre a energia, mas sim sobre as expectativas de recuperação econômica, cenário que é inflacionário.

"A energia ainda não é ameaça suficiente para preocupar sobre a inflação do ano que vem. O que mais preocupa é como a inflação no geral vai responder a uma eventual recuperação mais rápida da atividade econômica e do mercado de trabalho", alertou o economista da Votorantim Corretora Carlos Lopes.

A expectativa dos economistas consultados na pesquisa Focus mais recente do Banco Central é de um crescimento econômico em 2017 de 0,70 por cento, com inflação de 2,95 por cento. Em 2018 a expansão da atividade melhora a 2,48 por cento, com alta de 4,06 por cento do IPCA.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
Dessalgadoras ganham papel estratégico na modernização d...
04/07/26
Combustíveis
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Financiamento
FAPESP destina R$ 50 milhões para projetos de inovação e...
03/07/26
Pessoas
Alessandra Davolio Gomes assume a direção de um dos maio...
02/07/26
Bacia Potiguar
BRAVA Energia inaugura Centro de Operações Integradas e ...
02/07/26
Tecnologia e Inovação
ABPIP desenvolve ecossistema próprio de inteligência art...
02/07/26
Etanol de milho
Atvos lança Pedra Fundamental da primeira planta de etan...
02/07/26
Reconhecimento
Constellation é a única empresa do setor de perfuração d...
02/07/26
Gestão do Conhecimento
200 mil pessoas, zero tolerância para treinamento que nã...
01/07/26
Resultado
Com 5,597 milhões de boe/d, a produção nacional de petró...
01/07/26
Bioenergia
Hora do jogo: começa hoje o 19º Congresso Nacional da Bi...
01/07/26
Firjan
ABDAN e FIRJAN lançam Agenda Nuclear para um Brasil Comp...
01/07/26
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.