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Apetite da Statoil cresce com descobertas no pré-sal

Valor Econômico
03/04/2012 12:34
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O Brasil é parte importante dos planos da norueguesa Statoil de entrar na próxima década produzindo 2,5 milhões de barris equivalentes de óleo e gás. A produção foi de 1,9 milhão de barris no último trimestre de 2011 e o lucro líquido de US$ 14 bilhões. Tanto produção quanto lucro foram menores que os da Petrobras, empresa com perfil semelhante e também uma companhia pública de capital misto, que produziu 2,4 milhões de barris equivalentes no quarto trimestre e lucrou US$ 19,9 bilhões.

Atualmente, o Brasil responde por uma pequena parte da produção norueguesa. São 65 mil barris no campo de Peregrino, na bacia de Campos, que a tornam a segunda empresa privada com maior produção no Brasil, atrás apenas da Shell.

O objetivo da Statoil é aumentar a extração aqui para 200 mil barris por dia. Se conseguir, o Brasil será responsável por aproximadamente 40% do aumento da produção projetado para 2020, o que é muito considerando que a companhia opera em 20 países fora da Noruega.

"O Brasil é uma das nossas maiores prioridades", afirmou o vice-presidente executivo de exploração da Statoil, Tim Dodson, ao jornal 'Valor' na semana passada. "E agora somos parte do pré-sal brasileiro", comemora.

Além de já produzir no país, a Statoil tem doze licenças de exploração em cinco bacias. Até o momento um dos blocos mais promissores, onde tem 35%, é o BM-C-33, na bacia de Campos, operado pela Repsol Sinopec. Ali foram descobertos três reservatórios - Seat, Gávea e Pão de Açúcar - sendo que esse último foi avaliado pela Repsol como o "maior do pré-sal do Brasil" entre os operados por privados.

Segundo o executivo da Statoil, ainda não foram concluídas as análises desse reservatório e por isso ainda não é possível falar em volumes de reservas.

Até o momento, a previsão de aumento da produção é baseada em um reservatório ao sul de Peregrino e nas descobertas no pré-sal da bacia de Campos. Essa região no Brasil, segundo Dodson, é uma das mais importantes áreas da Statoil, mas também cresce o interesse pelo pré-sal de Angola, onde ela tem concessões. A empresa prevê uma intensa atividade exploratória no país, com novos poços em Peregrino, no BM-C-33 e no BM-ES-32, onde é sócia da Petrobras.

Mesmo assim, Dodson ainda tem apetite suficiente para pedir a realização da 11ª Rodada de Licitações na reunião que teve com Magda Chambriard, diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) na quinta-feira. O executivo explica que o crescimento da Statoil no Brasil pode ser orgânico, por meio de descobertas em áreas exploratórias, mas não descarta aquisições.

A Statoil investe anualmente US$ 3 bilhões na exploração de petróleo e gás em várias regiões do mundo. A empresa foi uma das que adquiriu áreas no pré-sal na 8ª Rodada de Licitações, que acabou sendo cancelada.

A norueguesa foi a primeira a trazer uma chinesa para uma sociedade no Brasil. Vendeu 40% de Peregrino para a Sinochem por US$ 3,07 bilhões, e também se tornou sócio da chinesa no bloco BM-C-47 licitado em 2008. Questionado sobre o que esperar das chinesas no Brasil depois que a Sinopec se tornou sócia da Repsol e da Galp no pré-sal de Santos, o executivo diz que prefere não especular sobre o assunto.

Mas observa que até o momento as chinesas preferiram não assumir riscos. "A exploração é um negócio mais arriscado do que comprar óleo e gás provados. As companhias asiáticas não querem realmente jogar esse jogo ainda. E são uma parte menor da competição. Em compensação, se falamos de aquisições, eles estão jogando um papel muito mais importante, não apenas no Brasil, mas no Canadá e Estados Unidos", observa.

E esse comportamento deve levar a um aumento da concorrência para aquisição de ativos já licenciados, os "farm-in" no jargão do setor. "Estamos tentando crescer o nosso negócio em competição com a Petrobras, em competição com as empresas internacionais tradicionais como a BP, Chevron e Shell, e agora também os chineses. Para nós, isso apenas aumenta a competição", afirma.
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