Energia elétrica

Acordo sobre risco hidrológico em energia exigiria R$ 4,2 bi de geradores, diz CCEE

Reuters, 04/01/2019
04/01/2019 17:41
Visualizações: 760

Elétricas que travam uma briga judicial com o governo e a reguladora Aneel contra custos com o chamado "risco hidrológico" precisariam desembolsar 4,2 bilhões de reais para quitar débitos hoje suspensos por liminares, no caso de sucesso em uma proposta de acordo para encerrar a disputa, estimou nesta sexta-feira o chefe da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O governo Temer propôs um pacto pelo qual as empresas teriam uma compensação parcial pelos custos gerados com hidrologia desfavorável desde que retirassem as ações na Justiça e pagassem o devido, mas um projeto de lei que viabilizaria a solução foi rejeitado no Senado em outubro.

Em meio à disputa, a liquidação financeira de operações no mercado de eletricidade realizada mensalmente pela CCEE tem ficado com bilhões de reais em aberto. No processamento das transações de outubro, em dezembro, cerca de 7,9 bilhões de reais ficaram em aberto, dos quais 6,9 bilhões devido às ações que protegem os geradores.

Se houvesse um acerto entre o governo ou regulador e as empresas, no entanto, a cobrança junto às elétricas seria menor que esse valor em aberto porque elas também possuem créditos junto à CCEE, que seriam abatidos da dívida, explicou o presidente do Conselho da CCEE, Rui Altieri.

"Tem um efeito contábil dos créditos, então o valor é de 4,2 bilhões de reais... e aí poderia ter uma negociação de parcelamento", afirmou.

 

Ele ressaltou que a CCEE já foi autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a permitir essa alternativa, atendendo pleitos das elétricas, que alegam que poderiam enfrentar um custo muito pesado de uma única vez no caso de um acordo.

"Certamente será parcelado esse valor. Nós já temos a competência para discutir esse parcelamento aqui na CCEE", acrescentou Altieri.

Apesar da rejeição inicial do Senado ao projeto que tratava do pacto com as elétricas, alguns parlamentares passaram a articular a aprovação de um texto alternativo que viabilizaria a mesma proposta.

Enquanto essa nova matéria não é votada em definitivo, o governo tem tentado derrubar as liminares dos geradores, ao passo que a Aneel busca negociar um eventual novo acerto que não demande mudanças legais, segundo Altieri.

"Essa é uma preocupação constante nossa, nós temos que normalizar o mercado... há essas três alternativas —a jurídica, o projeto de lei e o acordo, mas não houve avanços agora no final do ano (de 2018)."

Longa Disputa

As elétricas começaram ainda em 2015 a questionar na Justiça custos gerados pela obrigação de comprar energia no mercado para atender seus contratos, após anos de chuvas abaixo da média que reduziram o nível dos reservatórios e impactaram negativamente a produção de suas usinas hidrelétricas.

Elas alegaram em suas ações que as despesas associadas ao risco hidrológico aumentaram fortemente após medidas do governo, como o acionamento de termelétricas emergenciais e incentivos à expansão de fontes renováveis.

Na proposta de acordo encaminhada por Temer, o governo aceitou compensar as elétricas por parte das despesas, associadas a questões não hídricas, por meio da renovação de contratos de concessão de suas usinas hidrelétricas.

Mas, enquanto um novo acerto não avança, a CCEE promoverá em 9 e 10 de janeiro a liquidação de operações do mercado de curto prazo de energia referente a dezembro, ainda sob a expectativa de que a briga judicial mantenha os elevados valores em aberto na operação.

Os valores em aberto nas liquidações, embora continuem robustos, já foram maiores, de mais de 10 bilhões de reais, antes de o Superior Tribunal de Justiça derrubar no final de outubro uma liminar que impedia parte das cobranças pelo risco hidrológico.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Brasil-Alemanha
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos com f...
26/01/26
Etanol
Hidratado registra valorização no mercado semanal e diário
26/01/26
Logística
Terminais Ageo captam R$ 450 milhões em debêntures incen...
23/01/26
Petrobras
Alta eficiência amplia refino e aumenta produção de comb...
22/01/26
Combustíveis
IBP: Decisão da ANP garante segurança de abastecimento e...
22/01/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 174 mil barris por ...
21/01/26
Apoio Offshore
Fundo da Marinha Mercante destina R$ 2,3 bilhões à const...
21/01/26
Drilling
Navio-sonda Norbe IX, da Foresea, passa por manutenção p...
21/01/26
Biocombustíveis
Sifaeg destaca novo ciclo de investimentos e consolidaçã...
20/01/26
Navegação Marítima
Descarbonização: a nova rota do setor marítimo brasileiro
20/01/26
PD&I
CEPETRO e Universidade Tecnológica da PETRONAS desenvolv...
19/01/26
Pessoas
Zilor anuncia novo Diretor de Pessoas
19/01/26
Navegação
Petrobras e Transpetro assinam contratos do Programa Mar...
19/01/26
Etanol
Indicadores Cepea mostram etanol hidratado em alta no me...
19/01/26
Posicionamento IBP
Importação de biodiesel
16/01/26
Bacia de Campos
Brava Energia anuncia aquisição de 50% de participação n...
16/01/26
Biocombustíveis
Com R$ 6,4 bi em 2025, BNDES faz aprovação recorde de cr...
16/01/26
Créditos de Carbono
Edital ProFloresta+ supera expectativas e recebe 16 prop...
16/01/26
iBEM26
Inteligência Artificial faz aumentar demanda por energia...
16/01/26
Resultado
Em 2025 a Petrobras produziu 2,40 milhões de barris de ó...
16/01/26
Pré-Sal
Equinor arremata primeira carga de petróleo da União do ...
15/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.