Evento

40ª ASPEN – iBesc debate abastecimento, políticas públicas e eficiência logística

Executivos do Grupo Ultra, Ultracargo e Ipiranga estiveram entre os palestrantes do evento, que foi realizado na sede do Grupo

Redação TN Petróleo/Assessoria
04/05/2022 13:52
40ª ASPEN – iBesc debate abastecimento, políticas públicas e eficiência logística Imagem: Divulgação Visualizações: 1868

O Instituto Besc de Humanidades e Economia (iBesc) esteve reunido nesta terça-feira, 3, na sede do Grupo Ultra, em São Paulo, para realizar a 40ª ASPEN (Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional). O evento colocou em debate o tema "abastecimento, políticas públicas e eficiência logística" e contou com a participação de diversas lideranças empresariais.  

Os assuntos mais relevantes para o setor foram apresentados por nomes como o diretor executivo do Grupo Ultra, Marcelo Araújo (foto), pelo presidente da Ultracargo, Décio Amaral, e pelo CEO da Ipiranga, Leonardo Linden. O evento contou ainda com a participação do Secretário-Adjunto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Pietro Mendes, do presidente da Vibra Energia, Wilson Ferreira Jr, do consultor e ex-diretor da ANP, Aurélio Amaral e da representante do Ministério de Minas e Energia, Marisa Maia de Barros.  

O diretor executivo do Grupo Ultra, Marcelo Araújo, falou sobre a capilaridade do Grupo, presente em 85% dos municípios do país, e sobre os desafios para levar mais eficiência ao abastecimento do interior do Brasil. Araújo avalia que é necessário fortalecer a segurança jurídica e a previsibilidade para viabilizar projetos de longo prazo envolvendo a construção de ferrovias e dutovias, modais que poderiam deixar a distribuição de combustíveis mais eficiente e sustentável.  Adicionalmente, trouxe algumas boas práticas internacionais: 

"O acesso a ativos essenciais é importante para várias indústrias e, é importante nos espelharmos em estudos já desenvolvidos em outros países que definem o conceito de infraestrutura essencial e acesso a terceiros como um pilar para racionalizar as regulações hoje existentes no Brasil. Precisamos avançar no debate para fomentar grandes investimentos", declarou.  

O presidente da Ultracargo, Décio Amaral, reforçou a necessidade de avanço no marco regulatório das ferrovias e mostrou dados que estimam uma redução de cerca de 75 mil caminhões ao ano no entorno do Porto de Santos, a partir da construção de um ramal ferroviário, ligando o Terminal da Ultracargo à malha ferroviária do entorno: 

"Temos que facilitar o investimento e usarmos melhor a capacidade que já temos. Se conseguirmos utilizar a via ferroviária em Santos, a exemplo do que já temos no Porto do Itaqui, no Maranhão, além de reduzir a circulação de caminhões poderemos gerar uma economia de 30% no frete e ainda reduzir em 40% as emissões de CO2". 

Ainda no tema da logística e sustentabilidade, o CEO da Ipiranga, Leonardo Linden, falou sobre o potencial do Brasil na questão da produção de energias limpas e dos biocombustíveis, e fez considerações para possibilitar o avanço dos programas RenovaBio e Cbios: 

"Estamos preparados para as mudanças que estão ocorrendo no cenário de abastecimento no Brasil. Adotamos um maior escopo para operações em trading e infraestrutura. Avaliamos positivamente a discussão do marco regulatório setorial e defendemos um debate sustentável do Renovabio e o Cbios. Apoiamos os programas e desejamos um maior equilíbrio nas obrigações e metas de produtores e compradores dos certificados. Um calendário com maior previsibilidade possibilita a oferta contínua e reduz a volatilidade na precificação dos títulos. Vemos um mercado com defasagem no balanço de oferta e demanda a partir de 2023 e será importante construir novas rotas para a contínua evolução do Renovabio, como a inclusão de outros biocombustíveis para a emissão destes certificados". 

O consultor e ex-diretor da ANP, Aurélio Amaral, destacou que para fortalecer a cadeia dos biocombustíveis é necessário resolver tanto gargalos logísticos, quanto regulatórios, e considerar as especificidades dos produtos derivados de um mercado de safra.  O presidente da Vibra Energia e presidente de Honra do iBesc, Wilson Ferreira Jr, também abordou a questão dos biocombustíveis e reiterou que a transição energética se dará gradualmente por uma opção do consumidor. 

O secretário-adjunto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Pietro Mendes, reconheceu a preocupação de todos os palestrantes em colocar a sustentabilidade como um aspecto importante que está sendo considerado nos investimentos feitos pelas empresas, e ressaltou que o Ministério vem dialogando de forma transparente com as empresas sobre os desafios e entraves para avançar nas questões de expansão da infraestrutura. 

O debate foi mediado pela diretora da ANP, Symone Araújo, que destacou que as sugestões dos participantes serão levadas para a agência: 

"Acredito que todos trabalhamos por uma discussão muito produtiva, pensando num mercado aberto, transparente e competitivo. Vários desafios foram colocados e a agência está com um senso de responsabilidade e ciente das expectativas depositadas", afirmou.  

O conjunto de debates e visitas promovidos pelo Instituto Besc, que, na 40ª edição foi realizado na sede do Ultra, têm por objetivo conectar os principais stakeholders do setor, para que, juntos, possam avançar em soluções para resolver os gargalos de infraestrutura e melhorar as condições para o desenvolvimento do país através de seus negócios. Segundo a presidente do Instituto, Jussara Ribeiro, as reuniões foram criadas durante a pandemia diante dos desafios logísticos de garantir o abastecimento de alimentos, combustíveis, remédios e outros insumos no período do combate à Covid-19 e, têm trazido à tona temas importantes e revelado a resiliência dos empreendedores brasileiros. 

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