Etanol

Demanda de etanol da Raízen migra dos postos para a indústria

Bloomberg, 17/03/2022
17/03/2022 06:01
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Companhias farmacêuticas, fabricantes de cosméticos e outras empresas que usam plástico e borracha superaram os motoristas e se tornaram as principais compradoras do etanol da Raízen.
Mais da metade do etanol produzido pela brasileira se torna insumo de padrão industrial e acaba virando álcool gel ou garrafa PET, disse o CEO Ricardo Mussa, em entrevista realizada durante a Conferência do Açúcar em Dubai. Quatro anos atrás, a maior parte do etanol da companhia -- que é a maior produtora mundial de açúcar -- era transformada em combustível.
A disparada do preço do petróleo encareceu produtos petroquímicos como plástico, borracha e medicamentos. Isso leva empresas a buscar o etanol, que é mais barato. A mudança para a utilização industrial é "uma grande mudança e está progredindo a cada ano", segundo Mussa.
"Quando vendemos para a Coca-Cola, vendemos o açúcar para a Coca-Cola, mas também o etanol que compõe a garrafa de plástico", afirmou.
A Raízen continua sendo exceção entre as usinas brasileiras, que têm a maior demanda no uso do etanol como combustível de veículos. O etanol se popularizou a partir da década de 2000, com a fabricação de carros flex.
A Petrobras elevou o preço da gasolina na semana passada em 18,8% para acompanhar a cotação internacional, indo contra pedidos do presidente Jair Bolsonaro.
A decisão aumenta a competitividade do etanol, já que as usinas conseguem decidir quanto da cana vira biocombustível e quanto vira açúcar, dependendo do produto que está pagando melhor. A situação também reforça a confiança nos investimentos para ampliação da produção de etanol.
A forte demanda pelo combustível no Brasil tem a retaguarda da política nacional que exige um percentual de biodiesel e etanol no consumo total de combustível.
O quadro atual pode reduzir a produção de açúcar a ponto de o Brasil deixar de ser o colchão que atenua oscilações no mercado de açúcar em tempos de escassez, disse Mussa.

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