As negociações em torno da incorporação da Quattor pela Braskem foram concluídas hoje (05), segundo uma pessoa próxima das conversações. A fonte, que pediu para não ser identificada, afirmou que o acordo pode ser oficializado ainda na noite desta terça-feira. "A questão negocial já está encerrada. Só falta agora a questão burocrática de imprimir os documentos", afirmou.
O acerto prevê o aporte de aproximadamente R$ 3,5 bilhões na empresa resultante da união entre Braskem e Quattor, que está sendo chamada de Nova Braskem. A maior parte do aporte será feita pela Petrobras, mas ainda assim a estatal terá participação minoritária na nova petroquímica. A Odebrecht, atual controladora da Braskem, continuará na gestão da empresa, com aproximadamente 50% do capital votante. A companhia ainda terá acionistas minoritários, que atualmente possuem menos de 7% do capital votante da petroquímica.
Esses acionistas devem ser convidados a participar do processo de aumento de capital da nova companhia. A Unipar, atual controladora da Quattor com 60% de participação, não será acionista da Braskem, como se previa inicialmente. Segundo essa fonte, a mudança nos rumos do acordo ocorreu no último final de semana.
A nova definição prevê que a Unipar receberá entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões por sua participação na Quattor. A petroquímica foi incluída no negócio com valor de mercado de cerca de R$ 7 bilhões e dívida de aproximadamente R$ 6,6 bilhões. A diferença, aliada a um prêmio pela cessão do controle da nova empresa, será convertida em recursos para a Unipar.
O acordo também prevê que a Petrobras, além de ter participação acionária relevante na nova empresa, terá direito a veto na escolha de diretores e planos de investimentos. A presidência da Braskem, no entanto, deverá permanecer inalterada, ao contrário do conselho de administração, que deverá refletir a maior relevância da Petrobras na companhia - a estatal também é a principal fornecedora de matéria prima de Braskem e Quattor.
A nova empresa terá dívida superior a R$ 15 bilhões, mas expectativa de captura de sinergias e de geração de caixa medida pelo Ebitda superior a R$ 3 bilhões por ano. Com esse patamar de alavancagem e mais de R$ 7 bilhões em caixa (incluindo o aumento de capital), a nova companhia, preveem seus controladores, terá porte para manter seu plano de crescimento, que inclui investimentos no México, na Venezuela, no Peru e nos Estados Unidos, além de possíveis aportes na Bolívia e de novas capacidades em território brasileiro.