Avaliação

Valorização da moeda americana deverá pressionar preços de energia e aluguel, preveem economista

A valorização do dólar, que fechou acima de R$ 2 pela primeira vez em quase três anos, terá efeito sobre a inflação, principalmente sobre os preços do aluguel e da energia, preveem economistas. Em contrapartida, os preços de alimentos e de minérios não deverão sofrer grandes variações

Agência Brasil
16/05/2012 10:22
Visualizações: 1586
A valorização do dólar, que fechou acima de R$ 2 pela primeira vez em quase três anos, terá efeito sobre a inflação, principalmente sobre os preços do aluguel e da energia, preveem economistas. Em contrapartida, os preços de alimentos e de minérios não deverão sofrer grandes variações por causa da retração na economia externa, que empurra para baixo os preços das commodities – bens primários com cotação internacional.

 
A avaliação foi feita por especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Para os economistas, mesmo com o encarecimento de alguns tipos de produtos e serviços, os impactos sobre os preços serão diluídos e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, tende a fechar o ano abaixo dos 6,5% registrados em 2011.
 
 
O economista-chefe da consultoria Austin Ratings, Alex Agostini, acredita que a inflação oficial vá encerrar 2012 em 5,6%. O percentual indica aceleração em relação à variação de 5,1%, acumulada em 12 meses até abril. Mesmo assim, o repique não deverá ameaçar o cumprimento da meta, cujo teto é 6,5%.
 
 
Agostini, no entanto, admite que a valorização do câmbio interferirá nos índices gerais de preços (IGP), calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Isso porque esses índices têm 60% do cálculo baseado na variação dos preços no atacado, que refletem as variações no dólar com mais rapidez. O IGP-M, por exemplo, é o índice usado para corrigir a energia e o aluguel.

 
Em relação aos preços dos alimentos, a subida do dólar não deverá ter impacto no bolso dos consumidores. “As turbulências na Europa e a desaceleração na China têm diminuído os preços das commodities. Essa queda é o que compensa a alta do dólar”, explica Agostini.

 
A contaminação generalizada dos preços pelo câmbio pode ocorrer, mas os próprios especialistas consideram esse cenário improvável. O professor Fábio Kanczuk, da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o impacto do câmbio sobre a inflação só será duradouro se o dólar ficar em torno de R$ 2 por muito tempo. “Se o dólar for persistente, aí, sim, haverá algum efeito sobre a inflação”, prevê.
 
 
Uma eventual alta da inflação poderá fazer o Banco Central (BC) interromper o ciclo de queda dos juros básicos. Para Agostini, o Comitê de Política Monetária (Copom) diminuirá a taxa Selic para 8% ao ano na próxima reunião, que ocorre no final do mês, mas ele acredita que essa será a última redução. “O câmbio pode azedar anseios por queda de juros para abaixo de 8%”, avalia.

 
Professor de economia internacional da FGV, André Nassif diz que haverá algum repasse da alta do dólar para os preços. Ele, no entanto, considera que o BC lançará mão de outras medidas além dos juros básicos para conter a inflação. “O BC pode usar o compulsório [recursos que os bancos são obrigados a recolher à autoridade monetária] e as medidas de controle do crédito para lidar com a inflação sem mexer na taxa Selic”.

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