Empresas

Vale prevê 2013 menos volátil

Empresa cortará custos, mas não demitirá.

Valor Econômico
17/12/2012 11:25
Visualizações: 508

 

A poucos dias do fim de 2012, "um ano de grande desafio", Murilo Ferreira, presidente-executivo da Vale, disse em entrevista exclusiva ao Valor esperar um 2013 menos volátil, com preços do minério de ferro variando entre US$ 110 a US$ 140 a tonelada, e um ambiente de crescimento mais vigoroso da China, a taxas entre 8% e 8,5%. Apesar do cenário "mais benigno", Ferreira não vê razão para a mineradora abandonar "a política de austeridade" adotada nos últimos meses.
"O superciclo (de commodities) acabou e nossa filosofia é que não vamos gerar mais excedentes financeiros tão generosos em futuro próximo", disse o executivo. A empresa vai continuar cortando ativos não estratégicos e buscando parceiros em novos negócios para reduzir despesas e garantir caixa para tocar projetos, afirmou.
Nas próximas semanas, a companhia vai anunciar a venda de dois ativos de óleo e gás. Ao todo, são 19 blocos exploratórios em quatro bacias petrolíferas do Brasil desde 2008. Já em janeiro, a companhia pretende divulgar o nome dos parceiros financeiros e estratégicos da Valor da Logística Integrada (VLI), que reúne alguns ativos de ferrovias (FCA e Norte-SUL) e o porto de Mearim, no Maranhão.
Em busca de sócios estratégicos para o megaprojeto de potássio de Rio Colorado, na Argentina, de US$ 5 bilhões, a Vale está contratando bancos. E fará o mesmo para o projeto Kronau, de níquel no Canadá. "Vamos vender o Kronau ainda em 2013", informou Ferreira. O executivo também confirmou a venda das ações que a Vale possui da Norsk Hydro, gigante de alumínio da Noruega, correspondentes a 22% do capital da empresa. "Elas serão vendidas em momento mais adequado da indústria de alumínio".
Além de vender ativos que não estão no foco, os planos da Vale para 2013 priorizam a implantação "com muita eficiência" de todos os projetos do novo orçamento de investimento, de US$ 16,3 bilhões, anunciado no Vale's Day, em Nova York. A maioria é de ferrosos, como o Serra Sul (S11D), em Carajás, e os "Itabiritos", em Minas. E ainda o projeto de cobre de Salobo II, da siderúrgica do Ceará, de Biodiesel e o de carvão de Moçambique.
"Só o S11D, com produção estimada de 90 milhões de toneladas de minério de ferro em 2016, vai custar R$ 40 bilhões (US$ 19,5 bilhões)", avalia o executivo. "Para tirar esses projetos do papel temos de apertar o cinto, cortar custos", disse Ferreira, manifestando preocupação. E brincou: "custo é como unha, se não cortar, cresce".
O corte de custos não passa por demissões na Vale, garantiu o presidente. A empresa emprega 140 mil pessoas em 37 países. Só no Brasil são 68 mil. "A Vale não vai demitir", declarou ao "Valor".
"Não temos este propósito, apesar de que vamos tocar menos projetos". "Garanto que não teremos novos empregos no Rio e em Belo Horizonte, mas vamos precisar de muita gente (engenheiros e projetistas, dentre outros) em Canaã dos Carajás". Só o projeto S11D vai empregar, na fase de obras, 30 mil pessoas. Depois de entrar em operação, em 2016, serão três mil empregos diretos e seis mil indiretos.
Ferreira negou pressões do governo para a Vale investir mais, apesar de ter encolhido os aportes programados. A estratégia do corte reduziu investimentos no Brasil. Dos 19 projetos listados, 12 estão no país e vão consumir US$ 4 bilhões no ano. No total, somam US$ 27,6 bilhões.
Em seu balanço de 2012, Ferreira taxou o ano de "desafiador", com volatilidade nos mercados de minério de ferro, cobre, níquel e carvão metalúrgico "muito maior do que qualquer um poderia esperar". Mas, fechou com saldo positivo. "Obtivemos 186 licenças e autorizações ambientais, um recorde, e conseguimos reduzir pendências judiciais com o governo federal e governos estaduais".
A Vale acaba de acordar pagamento de R$ 1,4 bilhão de royalties atrasados com o DNPM: R$ 300 milhões estão sendo pagos e R$ 1,1 bilhão será feito em janeiro. Também quitou R$ 673 milhões em taxas de mineração devidas aos estados do Pará e Minas Gerais. Para 2013, resta o litígio judicial com a Receita Federal referente a cobrança de imposto de renda de subsidiárias e coligadas. O processo está no STF e Ferreira espera solução até a Páscoa.
Além de querer zerar as pendências judiciais no ano que vem, o presidente está empenhado em melhorar a imagem da mineradora. Vai se esforçar para a Vale ter nota 10 em segurança do trabalho e prepará-la para disputar o título de "melhor empresa para se trabalhar".

A poucos dias do fim de 2012, "um ano de grande desafio", Murilo Ferreira, presidente-executivo da Vale, disse em entrevista exclusiva ao Valor esperar um 2013 menos volátil, com preços do minério de ferro variando entre US$ 110 a US$ 140 a tonelada, e um ambiente de crescimento mais vigoroso da China, a taxas entre 8% e 8,5%. Apesar do cenário "mais benigno", Ferreira não vê razão para a mineradora abandonar "a política de austeridade" adotada nos últimos meses.


"O superciclo (de commodities) acabou e nossa filosofia é que não vamos gerar mais excedentes financeiros tão generosos em futuro próximo", disse o executivo. A empresa vai continuar cortando ativos não estratégicos e buscando parceiros em novos negócios para reduzir despesas e garantir caixa para tocar projetos, afirmou.


Nas próximas semanas, a companhia vai anunciar a venda de dois ativos de óleo e gás. Ao todo, são 19 blocos exploratórios em quatro bacias petrolíferas do Brasil desde 2008. Já em janeiro, a companhia pretende divulgar o nome dos parceiros financeiros e estratégicos da Valor da Logística Integrada (VLI), que reúne alguns ativos de ferrovias (FCA e Norte-SUL) e o porto de Mearim, no Maranhão.


Em busca de sócios estratégicos para o megaprojeto de potássio de Rio Colorado, na Argentina, de US$ 5 bilhões, a Vale está contratando bancos. E fará o mesmo para o projeto Kronau, de níquel no Canadá. "Vamos vender o Kronau ainda em 2013", informou Ferreira. O executivo também confirmou a venda das ações que a Vale possui da Norsk Hydro, gigante de alumínio da Noruega, correspondentes a 22% do capital da empresa. "Elas serão vendidas em momento mais adequado da indústria de alumínio".


Além de vender ativos que não estão no foco, os planos da Vale para 2013 priorizam a implantação "com muita eficiência" de todos os projetos do novo orçamento de investimento, de US$ 16,3 bilhões, anunciado no Vale's Day, em Nova York. A maioria é de ferrosos, como o Serra Sul (S11D), em Carajás, e os "Itabiritos", em Minas. E ainda o projeto de cobre de Salobo II, da siderúrgica do Ceará, de Biodiesel e o de carvão de Moçambique.


"Só o S11D, com produção estimada de 90 milhões de toneladas de minério de ferro em 2016, vai custar R$ 40 bilhões (US$ 19,5 bilhões)", avalia o executivo. "Para tirar esses projetos do papel temos de apertar o cinto, cortar custos", disse Ferreira, manifestando preocupação. E brincou: "custo é como unha, se não cortar, cresce".


O corte de custos não passa por demissões na Vale, garantiu o presidente. A empresa emprega 140 mil pessoas em 37 países. Só no Brasil são 68 mil. "A Vale não vai demitir", declarou ao "Valor".


"Não temos este propósito, apesar de que vamos tocar menos projetos". "Garanto que não teremos novos empregos no Rio e em Belo Horizonte, mas vamos precisar de muita gente (engenheiros e projetistas, dentre outros) em Canaã dos Carajás". Só o projeto S11D vai empregar, na fase de obras, 30 mil pessoas. Depois de entrar em operação, em 2016, serão três mil empregos diretos e seis mil indiretos.


Ferreira negou pressões do governo para a Vale investir mais, apesar de ter encolhido os aportes programados. A estratégia do corte reduziu investimentos no Brasil. Dos 19 projetos listados, 12 estão no país e vão consumir US$ 4 bilhões no ano. No total, somam US$ 27,6 bilhões.


Em seu balanço de 2012, Ferreira taxou o ano de "desafiador", com volatilidade nos mercados de minério de ferro, cobre, níquel e carvão metalúrgico "muito maior do que qualquer um poderia esperar". Mas, fechou com saldo positivo. "Obtivemos 186 licenças e autorizações ambientais, um recorde, e conseguimos reduzir pendências judiciais com o governo federal e governos estaduais".


A Vale acaba de acordar pagamento de R$ 1,4 bilhão de royalties atrasados com o DNPM: R$ 300 milhões estão sendo pagos e R$ 1,1 bilhão será feito em janeiro. Também quitou R$ 673 milhões em taxas de mineração devidas aos estados do Pará e Minas Gerais. Para 2013, resta o litígio judicial com a Receita Federal referente a cobrança de imposto de renda de subsidiárias e coligadas. O processo está no STF e Ferreira espera solução até a Páscoa.


Além de querer zerar as pendências judiciais no ano que vem, o presidente está empenhado em melhorar a imagem da mineradora. Vai se esforçar para a Vale ter nota 10 em segurança do trabalho e prepará-la para disputar o título de "melhor empresa para se trabalhar".

 

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