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Vale fecha 1o trimestre com lucro de R$ 3,182 bi

Jornal do Commercio
07/05/2009 04:05
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A Vale encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ R$ 3,151 bilhões, queda de 1% em relação aos R$ 3,182 bilhões apurados de janeiro a março do ano passado, período em que a indústria siderúrgica estava extremamente aquecida. Apesar da redução, na comparação com o lucro de R$ 2,441 bilhões do quarto trimestre de 2008, quando o resultado foi impactado pelo período mais agudo da crise internacional, a alta foi de 29,1%. De acordo com a companhia, a melhora foi influenciada pela variação cambial e pelas operações com derivativos.

 


“As variações monetárias e cambiais foram negativas em R$ 361 milhões no primeiro trimestre, contra resultado negativo de R$ 2,343 bilhões no quarto trimestre de 2008, em virtude do ajuste da variação cambial sobre os investimentos no exterior. No primeiro trimestre, o efeito líquido das operações com derivativos geraram ganho de R$ 44 milhões, contra uma perda de R$ 1,327 bilhão no trimestre anterior. Os contratos de derivativos ligados a preços de alumínio, cobre, ouro e platina, usados para mitigar a volatilidade do nosso fluxo de caixa, expiraram ou foram encerrados ao final de 2008. Deste modo, os únicos instrumentos de derivativos de preços de commodities em nossa posição são os contratos utilizados para manter nossa exposição à volatilidade dos preços de níquel nos contratos de vendas a preço fixo”, disse a Vale em comunicado.

 


china. As vendas de minério de ferro alcançaram 49,993 milhões de toneladas métricas, 7,6% superior ao volume vendido no trimestre anterior. “Temos explorado oportunidades para expandir nossas vendas, implementando as vendas C&F (modelo custo e frete) e firmando contratos com novos clientes. Os embarques para a China atingiram 35,387 milhões de toneladas métricas, constituindo-se em recorde trimestral, ultrapassando a marca anterior de 27,481 milhões de toneladas métricas atingida no terceiro trimestre de 2008. Desta forma, a participação da China nas nossas vendas de minério de ferro elevou-se para 66,3% contra apenas 8,2% para o Japão, 6,2% para o Brasil , 6% para a Coréia do Sul e 3,3% para a Alemanha.”

 


De acordo com a Vale, a demanda por metais na China está se recuperando e os consumidores daquele país estão aproveitando os preços baixos para criar estoque. “Na posição de uma das poucas economias do mundo em expansão, a demanda chinesa por minerais e metais está se recuperando dos níveis apresentados no último trimestre de 2008. Para atender à sua crescente demanda, os consumidores chineses estão tirando vantagens das oportunidades de compra criadas pelos preços mais baixos causados pelo colapso na demanda global. Assim, as importações aumentaram significativamente, puxadas pelo aumento da demanda e pela substituição de matérias primas produzidas internamente, a custos elevados e com qualidade sofrível.”

 


O relatório da Vale diz que, no caso do minério de ferro, ampliou suas exportações em 18,8% no trimestre, em relação aos três primeiros meses de 2008, para 131,5 milhões de toneladas métricas. “Em abril, as importações chinesas chegaram a 54,3 milhões de toneladas métricas.”

 


Receita. A receita operacional bruta encolheu 9,4% no primeiro trimestre e registrou R$ 13,179 bilhões, ante R$ 14,549 bilhões de janeiro a março do ano passado. O menor nível de embarques impactou severamente a receita gerada com as vendas de pelotas e níquel, reduzindo-as em R$ 1,769 bilhão e R$ 346 milhões respectivamente. As quedas de preços afetaram mais a receita com vendas de minério de ferro, causando uma redução de R$ 1,379 bilhão.

 


Somando-se as vendas de minério de ferro e a de pelotas, o volume atingiu 53,335 milhões de toneladas métricas de janeiro a março deste ano, 3,4% inferior às registradas no quarto trimestre do ano passado, quando se iniciou forte queda nos embarques da Vale.

 


“Como a demanda por pelotas é tipicamente mais cíclica que a de minério de ferro, a queda no volume vendido deveu-se principalmente à redução substancial de seus embarques, os quais totalizaram somente 3,342 milhões de toneladas métricas, contra 8,757 milhões registrado no quarto trimestre”, afirmou a companhia.

 


As receitas com a venda de minério de ferro totalizaram R$ 7,266 bilhões, apresentando declínio de 8,4% ante o quarto trimestre. A queda no preço médio realizado ocorreu principalmente devido à mudança do destino das vendas, com maior participação de países asiáticos e a descontos concedidos, a título de “preços provisórios”.

 


As receitas com minerais não-ferrosos ficaram em R$ 3,554 bilhões, com redução de 25,5% ante a verificada no trimestre anterior. A redução foi principalmente influenciada pela queda nos preços do alumínio e diminuição nos embarques de níquel e de cobre.

 


O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a geração de caixa da empresa, totalizou R$ 5,446 bilhões nos três primeiros meses do ano, recuo de 18% em relação aos R$ 6,638 bilhões de igual período de 2008. Segundo o relatório financeiro da Vale, o Ebitda foi quase todo gerado pelo segmento de minerais ferrosos, cuja participação aumentou de 51,2% no primeiro trimestre do ano passado para 95,4% de janeiro a março deste ano.

 


INVESTIMENTO. No primeiro trimestre de 2009, a Vale realizou investimentos de US$ 1,715 bilhão (excluindo aquisições).

 


No campo das aquisições, a companhia desembolsou US$ 922 milhões para a compra de minas de potássio e cobre e adquiriu por US$ 857 milhões minas de potássio do Rio Colorado, localizado na Argentina, e Regina, no Canadá, em uma transação com pagamento à vista.

 


“Também concluímos a transação que cria uma joint venture entre a Vale e a African Rainbow Minerals Limited (ARM) para futuro desenvolvimento e operação da TEAL Exploration & Mining Incorporated, que totalizou US$ 65 milhões, ampliando as opções estratégicas de crescimento no segmento de negócios de cobre na África.”

 


CONJUNTURA. Fora da China, avalia a companhia, a demanda por minério de ferro permanece extremamente fraca, com o Japão, o segundo maior importador, reduzindo suas compras em 34,4% no primeiro trimestre, na comparação com igual período do ano anterior.

 


Com o arrefecimento das exportações, a Vale afirmou que os investimentos no setor devem ficar abaixo do anunciado para o decorrer deste ano. “Estimamos que projetos de metais e mineração envolvendo um investimento total de US$ 200 bilhões tenham sido cancelados ou postergados. Para 2009, esperamos que o investimento global da indústria de mineração se reduza em US$ 60 bilhões, comparado aos US$ 110 bilhões investidos no ano passado. O atual corte dos investimentos e a oferta muito mais restrita de recursos financeiros para investimentos, deverão contribuir para uma situação no mercado de minérios e metais mais apertada no médio prazo”, comentou a Vale em nota.

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