Projeto
Jornal do Commercio
A Vale poderá ampliar o projeto da usina siderúrgica que pretende instalar no Distrito Industrial de Pecém, no Ceará, com a entrada de novo sócio. O projeto, orçado em US$ 2 bilhões e que previa a construção de uma unidade integrada com capacidade para 2,5 milhões de toneladas de placas aço por ano, poderá dobrar de tamanho caso a japonesa JFE Steel Corporation resolva aderir à sociedade que havia sido formada entre a mineradora brasileira e a siderúrgica sul-coreana Dongkuk.
De acordo com comunicado divulgado ontem pela Vale, foi assinado memorando de entendimento com a JFE e a Dongkuk Steel Mill Co. (Dongkuk), um dos maiores produtores de aço da Coréia do Sul, para conduzir um estudo de viabilidade para a construção de usina siderúrgica integrada, movida a carvão, para a produção de placas de aço.
O projeto inicial anunciado pela Vale e Dongkuk em novembro de 2007, contemplava uma capacidade inicial de produção de 2,5 milhões de toneladas anuais, com possibilidade de expansão futura para até 5 milhões de toneladas anuais. Este novo memorando, segundo informou a mineradora, abre a possibilidade para a JFE Steel Corporation participar de um projeto ainda maior.
O estudo de viabilidade será concluído nos próximos meses e prevê a instalação de uma usina siderúrgica integrada com capacidade inicial de produção de 5 a 6 milhões de toneladas anuais de placas de aço. "No caso da JFE considerar o projeto viável, o mesmo será implementado conjuntamente com a Vale e a Dongkuk, no qual a JFE deterá uma participação majoritária. Caso contrário, o projeto continuará a ser conduzido pela Vale e Dongkuk, como previamente anunciado", diz o comunicado.
O projeto da usina de Pecém surgiu como alternativa ao da Ceará Steel, que previa uma usina movida a gás natural no estado nordestino. A Ceará Steel esbarrou nas críticas do setor siderúrgico nacional, que queixava-se do preço do gás a ser fornecido à unidade. O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) acusava a caracterização de subsídio. A escassez do gás também virou motivo de preocupação da mineradora, que optou por desistir do projeto.
Ainda de acordo com a Vale, "o projeto faz parte da estratégia da Companhia de fomentar o consumo de minério de ferro por meio de participações minoritárias em projetos siderúrgicos localizados no Brasil".
O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Antônio Bahlman, disse que próxima semana acompanhará o governador do Estado, Cid Gomes, à Coréia, para uma reunião com executivos da Dongkuk, que permanece no projeto.O governo cearense, com financiamento do BNDES, está promovendo obras no Porto de Pecém, para ampliação das instalações do porto, hoje voltado basicamente à exportação de frutas.
O investimento em infra-estrutura será de R$ 770 milhões, mas as obras da siderúrgicas só estão previstas para começar em 2009, segundo Bahlman.
A Dongkuk emitiu nota, informando que a JFE "concordou em assumir um papel de liderança na construção e operação da usina após revisar a viabilidade do projeto". A JFE fez o mesmo, no Japão. Toda a produção inicial da nova usina será voltada ao mercado externo.
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