Energia Elétrica

Usinas atrasam entrega de energia da cana

Valor Econômico
19/01/2011 09:25
Visualizações: 1462
Quase metade das usinas termelétricas movidas a bagaço de cana e que venderam energia em 2008, em um leilão pioneiro que chamou a atenção do mundo inteiro, está com o cronograma atrasado. Juntas, essas usinas têm uma capacidade de gerar 754 megawatts (MW) de energia e já deveriam ter entrado em operação no ano passado, mas até gora não começaram a gerar energia para o sistema. Um dos motivos apontados ainda é a forte crise econômico e financeira mundial daquele ano do leilão, que afetou fortemente as usinas de açúcar e álcool. Além disso, algumas usinas estão prontas mas não geram energia para o sistema por falta de linhas de transmissão.
 

Os atrasos registrados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não se limitam a pequenos grupos. Das 13 usinas listadas pela agência e que estão em atraso, quatro delas pertencem à ETH Bioenergia, empresa do grupo Odebrecht, e uma à Cosan. As usinas da ETH foram herdadas da Brenco, incorporada no ano passado. As quatro usinas da empresa acumulam multas de quase R$ 200 mil pelos atrasos. A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou apenas que no caso dos projetos Água Emendada e Costa Rica, eles já registravam atrasos quando a Brenco foi incorporada e não deu outra explicação sobre os motivos dos atrasos. As outras duas unidades - Alto Taquari e Morro Vermelho - estão prontas mas a conexão ao sistema ainda não foi disponibilizada.
 

A falta de conexão também afeta a usina da Cosan. A empresa não quis falar sobre o assunto e apenas enviou uma nota em que diz ser "importante contar com a colaboração das diversas autoridades, seja na viabilização da infraestrutura necessária ao fornecimento, seja pela criação de condições de preços que reconheçam a prioridade e importância da energia limpa e renovável e viabilizem seus investimentos de longo prazo".
 
 
O fator preço se tornou um obstáculo às usinas de açúcar e álcool que querem vender energia nos leilões de governo federal e, com isso, garantir nova geração de caixa para seus negócios. Estudos de algumas consultorias mostram que aquelas usinas de açúcar que tem 100% de cogeração já integrada à sua produção geram até 80% de seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) por meio dos contratos de venda de energia. Mas nos últimos leilões, essa fonte de energia perdeu espaço para as eólicas, que baixaram fortemente os preços. O assessor de bioeletrecidade da UNICA, Zilmar José de Souza, diz que as eólicas receberam incentivos fiscais que tornaram a biomassa menos competitiva. "Mas em 2011 esperamos um leilão dedicado à biomassa", diz Zilmar de Souza.
 

O setor sucroalcooleiro foi fortemente afetado pela crise de 2008 e pela forte queda dos preços do etanol no mercado mundial. Os investimentos em geração de energia foram paralisados e apenas no ano passado empreendimentos voltaram a ser leiloados. Da lista de atrasos da Aneel, alguns empreendimentos não tiveram sequer suas obras iniciadas. Um deles é a usina Alda que tem ainda apontado como motivo do atraso a falta de recursos financeiros. Os executivos da empresa, entretanto, não quiseram falar sobre o assunto.
 

Outro que não teve recursos, segundo a Aneel, foi Cachoeira Dourada, do grupo USJ. A empresa informa que o novo cronograma para o funcionamento da usina, previsto para 2012 já foi aprovado pela Aneel e levou em consideração os impactos da crise financeira de 2008, que provocou diminuição no ritmo de investimentos do Grupo USJ nesse obra. "A obra, no entanto, jamais foi interrompida - sua execução teve o prazo dilatado, apenas", disse a empresa por meio de nota.
 

Em meio à crise, o governo federal realizou diversos leilões de energia para suprir uma demanda que crescia à galope. Além do chamado leilão de reserva, onde foram vendidos os projetos de biomassa, também foram vendidos quase 5 mil MW de energia proveniente de termelétricas, principalmente movidas a óleo combustível. Boa parte dessas térmicas também tiveram dificuldades financeiras e só agora começam a sair do papel. A preocupação agora é se a conta desses atrasos acabará sendo paga pelos consumidores.
 

No caso das usinas de biomassa que não puderam entregar a energia pela falta de linhas de transmissão, a informação é de que elas estão recebendo a receita da energia venderam, o que significa que a conta chegará aos consumidores.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
ROG.e 2026
Gigantes do setor e produtores independentes aceleram pr...
22/09/26
ROG.e 2026
PPSA publica pré-edital do 1º Leilão de Gás Natural da União
22/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e Perenco Brasil assinam acordo para primei...
22/09/26
ABPIP
ABPIP terá programação própria de debates durante a ROG....
22/09/26
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
22/09/26
ROG.e 2026
MODEC debate desafios para um offshore mais eficiente na...
22/09/26
ROG.e 2026
Cladtek foi selecionada para desenvolver tecnologia que ...
22/09/26
ROG.e 2026
Abertura da ROG.e 2026 destaca transição energética just...
22/09/26
ROG.e 2026
Lideranças globais apontam Brasil como polo de estabilid...
22/09/26
ROG.e 2026
Firjan marca presença na abertura da ROG.e 2026 e firma ...
22/09/26
ROG.e 2026
ABB apresenta na ROG.e 2026 portfólio integrado para ope...
22/09/26
ROG.e 2026
Vallourec apresenta novas tecnologias que respondem aos ...
22/09/26
ROG.e 2026
Grupo Forship consolida liderança nacional em O&M (opera...
21/09/26
Brandend Content
Integridade de ativos offshore: como a integração entre ...
21/09/26
BOGE 2027
Bahia Oil & Gas Energy 2027 conecta negócios, inovação e...
21/09/26
Brandend Content
Descoberta e confiança: os dois tempos da venda industrial
21/09/26
ROG.e 2026
Confira a programação do estande do Espírito Santo na RO...
21/09/26
ROG.e 2026
Na ROG.e, Firjan SENAI promove a 30ª edição do programa ...
20/09/26
ROG.e 2026
Primeira edição da Energy Run reúne mais de 1 mil partic...
20/09/26
BRANDED CONTENT
ROG.e 2026 começa na próxima segunda-feira (21) com a pr...
19/09/26
ROG.e 2026
Camorim investe R$ 250 milhões em 2026 para ampliar frot...
18/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25