Combustíveis

Usinas aguardam decisão sobre mistura de etanol na gasolina

Valor Econômico
06/05/2011 10:04
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Algumas usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul dão como certa a redução da mistura do anidro na gasolina de 25% para 20% já neste mês de maio. Segundo fontes do segmento, a presidente Dilma Rousseff está "com a caneta da mão" para sacramentar a redução. Entre as empresas, a dúvida é se a medida vai vigorar ou não por um período mais longo.
 

Se a redução for ratificada, em torno de 120 milhões de litros de anidro deixarão de ser misturados por mês à gasolina. Na hipótese de a medida durar dez meses, seriam consumidos 1,2 bilhão de litros a menos. Esse volume, explicam analistas, seria transferido pelas usinas para produção de hidratado - que é usado diretamente nos veículos -, o que resultaria em uma produção adicional de 1,3 bilhão de litros desse tipo de etanol.
 
 
Os impactos econômicos dessa medida ainda estão sendo calculados, mas é certo que com esse volume adicional alguma depreciação de preços deverá ocorrer.
 

Cálculos da SCA Trading, que representa 20% da comercialização de etanol no país, indicam que se a mistura cair nesses percentuais, a remuneração da usina pelo hidratado deve recuar em torno de 10%. Ainda para os que acreditam em baixos impactos econômicos, a redução da mistura é encarada como "tempos de instabilidade".
 
 
A última esperança é que, diante da queda forte dos preços do etanol dos últimos dias - por causa da entrada da safra - a presidente Dilma reavalie a questão. O indicador Cepea/Esalq para o hidratado em Paulínia encerrou o dia a R$ 1,056 mil o m3, queda no dia de 7,73%. Desde segunda-feira, a retração acumulada é de 16,5%.
 

Já é de conhecimento do mercado que a presidente Dilma ficou bastante irritada com a alta exacerbada dos preços do etanol. O combate à inflação é declaradamente a preocupação número 1 da presidente. Há duas semanas, o litro chegou a valer R$ 3 na usina (com impostos) o que foi o estopim da crise de relação entre o governo e as indústrias do ramo.
 
 
Isso porque, antes do episódio, as duas partes haviam sentado na mesa para discutir juntos uma estratégia para garantir o abastecimento. A Petrobras teria garantido o suprimento do combustível fóssil e as usinas, o de anidro.
 

Fontes relatam que uma verdadeira operação de guerra foi travada para garantir a oferta do biocombustível. Algumas empresas localizaram navios carregados de etanol americano que já estavam em mar, arremataram a carga e a desviaram do seu destino original para os portos brasileiros.
 

As importações de etanol surpreenderam. Segundo a consultoria Datagro, somente o Centro-Sul importou 228 milhões de litros do biocombustível. Considerando-se o volume já realizado e o que será confirmado no Nordeste até agosto, quando termina oficialmente a safra da região, as importações brasileiras de etanol atingirão cerca de 430 milhões de litros.
 

"O problema é que teve um navio que chegou com uma semana de atraso, e por isso, tivemos aquele repique de preço antes do feriado de Semana Santa. O navio só chegou depois", conta uma fonte do segmento.
 

No divã, os executivos de algumas usinas se mostram muito desconfortáveis diante da ferida que se abriu na relação com a presidente Dilma. "Não se ganhou dinheiro com isso, mesmo porque os volumes de etanol vendidos nos momentos de preço alto foram ínfimos", diz um executivo do ramo. Por outro lado, afirma a mesma fonte, o impacto negativo veio justamente num momento crucial, quando o setor tinha aberto um diálogo para discutir políticas estruturais para retomar o crescimento da produção.
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