Internacional

Unidade da gigante do petróleo Yukos vai a leilão

BBC Brasil
23/11/2004 00:00
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O governo da Rússia marcou a data e fixou o preço para venda da Yugansk, principal unidade da gigante do petróleo Yukos, que foi desapropriada para pagar uma enorme conta em impostos atrasados da empresa.
O leilão foi marcado para 19 de dezembro, um dia antes de uma assembléia de acionistas que pode decidir o destino da Yukos.
O preço mínimo é de 246,8 bilhões de rublos (US$ 8,65 bilhões, R$ 24 bilhões), bem abaixo dos US$ 20 bilhões que a Yukos diz valer a Yugansk.
Na quinta-feira (18/11), a Rússia emitiu ordens de prisão para dois executivos da Yukos, acusados de desvio de ações da empresa. Um deles, Alexei Kutsin, da sede da empresa em Moscou, foi preso. O outro, o advogado Nikolay Gololobov, está em Londres.

Preço mínimo - A Yukos é a maior exportadora de petróleo da Rússia e pode ir à falência por estar sendo obrigada a pagar US$ 18,5 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões) em impostos atrasados entre 2000 e 2002.
Muitas das contas bancárias da Yukos foram congeladas o que, segundo a empresa, impediu o pagamento dos atrasados, além dos US$ 4 bilhões já pagos.
A Yugansk, cujo nome completo é Yuganskneftegaz, é reponsável por mais da metade da produção de petróleo da empresa, e seu leilão tinha sido marcado inicialmente para julho.
A iniciativa foi descrita por um analista como algo "semelhante a fazer um transplante de coração em uma pessoa com tosse".
Desde então, tem havido muitos rumores sobre a avaliação da Yugansk.
A Yukos chegou a dizer que o governo poderia tentar vendê-la por apenas US$ 4 bilhões.
Os próprios assessores do governo fixaram o preço mínimo em US$ 10,4 bilhões (cerca de R$ 29 bilhões), embora tenham dito que o valor era "excessivamente cauteloso".

Julgamento - No anúncio desta sexta-feira, o governo da Rússia disse que não haveria limites à participação de potenciais investidores estrangeiros no leilão.
No entanto, a Yukos vem dizendo que a Yugansk poderia ir parar nas mãos de uma empresa estatal, resultando em reestatização, ou a um seguidor do presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Existe a crença generalizada de que Putin tenha posto a Yukos na mira do governo depois que o fundador e ex-executivo-chefe da empresa, Mikhail Khodorkovsky, decidiu tentar a carreira política.
Khodorkovsky foi preso em outubro de 2003, acusado de evasão e fraude tributária, e continua preso, aguardando julgamento.

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