Etanol

Um avanço na área do etanol

O presidente Lula colheu um resultado expressivo em sua recente visita aos países escandinavos e à Espanha. É um resultado que parece tímido, pois isolado, mas pode muito bem ampliar-se com o passar do tempo, e sem grande demora. Trata-se da decisão do governo da Suécia de eliminar até o ano

A Tribuna
19/09/2007 00:00
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O presidente Lula colheu um resultado expressivo em sua recente visita aos países escandinavos e à Espanha. É um resultado que parece tímido, pois isolado, mas pode muito bem ampliar-se com o passar do tempo, e sem grande demora. Trata-se da decisão do governo da Suécia de eliminar até o ano de 2009 as tarifas que pesam sobre suas importações de álcool automotivo e outros biocombustíveis. Sendo a Suécia um país tão preocupado com a questão ambiental, e que sempre demonstrou preocupação ante a hipótese de o cultivo agrícola destinado à fabricação de etanol comprometer a produção de alimentos para o consumo humano, o que prejudicaria principalmente os países pobres e suas populações, a atitude do governo de Estocolmo adquire um significado bem maior. Outros países do Primeiro Mundo certamente irão seguir o mesmo caminho, o que é tido, apenas, como uma questão de tempo. A incógnita são os Estados Unidos, mas também aí as resistências comerciais ao álcool brasileiro já não são tão fortes quanto há alguns anos.

Convém assinalar, como aliás denunciou o presidente Lula, que há países que chegam a tarifar em até 55% o álcool que importam daqui, o que encarece bastante o produto e limita em larga medida o volume dos negócios. Derrubados os obstáculos tarifários, ou pelo menos reduzidos de maneira significativa, surgirão para o nosso País formidáveis possibilidades de exportação, que reforçarão a níveis imbatíveis sua liderança mundial do setor. Para que se veja até que ponto as coisas têm espaço para evoluir, basta citar estimativas técnicas da FAO — o órgão da ONU para alimentação e agricultura —, segundo as quais a produção de álcool combustível no Brasil deverá aumentar 145% até o ano de 2016, passando dos atuais 17 bilhões para 47 bilhões de litros ao ano. Mesmo que, para tanto, as áreas de cultivo de cana-de-açúcar sejam triplicadas, elas não alcançarão 30% do total do território agrícola nacional. Ou seja, não há nenhum risco de que venha a faltar terras para a produção de alimentos, seja na agricultura, seja na pecuária.

Com realismo, não há erro na avaliação de que o etanol jamais será um combustível hegemônico, como os derivados do petróleo. Entretanto, seu papel será estratégico para o pleno abastecimento dos mercados internacionais. E, por provir de fonte renovável, em condições ambientais bem melhores que as de outras matrizes energéticas. O que o Brasil tem a fazer é investir pesadamente em pesquisas, visando sempre aprimorar o plantio da cana e a fabricação do produto. São requisitos indispensáveis para deixá-lo senhor da situação, permitindo-lhe auferir ganhos econômicos dos mais substanciosos. O campo está aberto, portanto, e depois da posição assumida pela Suécia, cabe prever que a maioria dos demais países irá na mesma linha.

Fonte: A Tribuna
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