Combustíveis

Ultrapar tem queda de 30% nas vendas de combustíveis devido à pandemia

Redação/Boletim SCA
15/05/2020 11:44
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O presidente da Ultrapar, Frederico Curado, afirmou que a distribuidora de combustíveis Ipiranga é o negócio do grupo mais afetado pela pandemia de covid-19 até agora, com recuo de 30% nas vendas de combustíveis desde o início da crise. "A Ipiranga é, sem dúvida, o negócio mais afetado com a contração da atividade econômica", disse, em teleconferência com analistas.

Divulgação

Nos últimos dias, contudo, a distribuidora já percebeu alguma recuperação do volume vendido, observou Curado. O segmento mais afetado tem sido o ciclo Otto (gasolina e etanol), por causa das restrições de mobilidade urbana, e há pressão mas margens particularmente do etanol. "Estamos prestando suporte à rede de revendedores, tanto com flexibilidade de condições contratuais como indiretamente, ajudando a obter linhas de crédito para capital de giro", afirmou.

Especificamente no primeiro trimestre, as margens da Ipiranga foram pressionadas pelo efeito negativo da desvalorização do petróleo no estoque da distribuidora. De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da Ultrapar, a perda de estoques, número que não costuma ser divulgado, chegou a cerca de R$ 100 milhões no intervalo.

"Com a pandemia, vemos até agora uma queda expressiva nos volumes do ciclo Otto e um pouco menos no diesel. Enquanto permanecerem as restrições de movimentação, é provável que os volumes mantenham essa tendência", disse Pires. O menor volume vendido também deve seguir pressionando as margens da distribuidora.

Conforme o diretor, no início da pandemia, a Ipiranga reduziu as operações de trading, com vistas a "entender melhor o que estava acontecendo [com os preços do petróleo] e avaliar as oportunidades de arbitragem". Contudo, as importações vêm sendo gradualmente retomadas, para níveis perto dos vistos historicamente, na esteira dos recentes anúncios de aumento de preço pela Petrobras. "As oportunidades de arbitragem melhoraram em relação ao que havia em abril", comentou.

Embora o resultado da Ipiranga tenha sido afetado de forma importante, Curado disse que todos os negócios do grupo apresentaram um bom desempenho no primeiro trimestre. "Tivemos um bom primeiro trimestre, em linha com as expectativas", afirmou o executivo.

O executivo lembrou que, até março, o grupo vinha com expectativa positiva para os resultados em 2020, mas com a chegada da covid-19 ao país, optou por retirar as projeções em abril frente às incertezas quanto à evolução da economia.

Desde a última semana de março, contou, o grupo vem atuando de "maneira diligente" em quatro frentes para gestão da crise: saúde e segurança das pessoas, continuidade das operações, suporte a nossas cadeias de valor e ações sociais para combate à pandemia. "Estamos conseguindo atravessar as dificuldades com resiliência e relativo sucesso".

Os protocolos de segurança adotados pelo Ultra têm se mostrado eficientes, acrescentou o executivo, o que possibilitou a manutenção das operações sem nenhuma interrupção até o momento. "Estamos preservando nossa força de trabalho e não demitimos", disse.

De acordo com o presidente da Ultrapar, desde o início da crise foram destinados R$ 23 milhões entre ajuda a parceiros de negócio, especialmente na Ipiranga, que somou R$ 14 milhões, e ações sociais de ajuda ao combate da covid-19, que totalizaram R$ 9 milhões.

"Adotamos uma série de ações, especialmente nos Estados onde temos mais atuação. Estamos avaliando mais iniciativas, incluindo uma iniciativa de ´crowdfunding´ [financiamento coletivo] do BNDES para a frente hospitalar", disse Curado.

Redução de investimentos

Com o anúncio de redução do orçamento de investimentos para 2020 em 30% em abril, os dispêndios da Ultrapar devem cair nos próximos trimestres, em relação ao executado no três primeiros meses do ano, disse há pouco o diretor financeiro e de relações com investidores do grupo, André Pires. No primeiro trimestre, os investimentos somaram R$ 350 milhões.

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Inicialmente, o grupo Ultra previa investir R$ 1,8 bilhão neste ano, mas hoje o montante está em torno de R$ 1,2 bilhão.

Conforme o executivo, a redução dos investimentos foi uma das medidas adotadas pela Ultrapar para preservar liquidez frente à crise da covid-19. Outra iniciativa foi a captação de R$ 1,5 bilhão entre março e abril. "É uma medida preventiva para termos tranquilidade e assegurar liquidez. Esse reforço de caixa foi fundamental para estabelecer um pacote amplo de ajuda a nossos parceiros na Ipiranga", comentou.

A distribuidora de combustíveis ofereceu a seus revendedores um pacote de ajuda composto, entre outros, por alongamento do prazo para pagamento de aluguel de postos e redução dos juros em antecipações, com vistas a garantir que essas empresas tenham capital de giro para ultrapassar a crise.

Na avaliação de Pires, essas medidas parecem suficientes neste momento para manter a rede. "Fomos a primeira a lançar um pacote e houve adesão grande dos revendedores", observou.

Curado também destacou a posição de liquidez sólida neste momento, garantida pela boa geração de caixa no primeiro trimestre e da captação de novos recursos. Houve algum aumento da inadimplência, que segue em níveis aceitáveis conforme o executivo, e o grupo tem tido uma postura aberta à negociação com seus parceiros, "evitando que o problema se torne crônico".

Em relação ao interesse do grupo em refinarias da Petrobras, Curado afirmou que, embora uma eventual operação seja de longo prazo e os fundamentos positivos permaneçam válidos, o momento é de " grande dificuldade em enxergar o que vai acontecer". "Vai levar alguns meses até que todos consigam enxergar melhor como as condições vão se estabilizar", afirmou.

Oxiteno

A tendência para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Oxiteno no segundo trimestre é de crescimento na comparação anual, disse Pires.

Conforme o executivo, a pandemia de covid-19 deve seguir afetando negativamente a demanda em segmentos específicos, como tintas e óleo e gás, mas há outros mercados que permanecem aquecidos, como o agro. "O efeito positivo do câmbio mais a resiliência da margem unitária em dólar traz a perspectiva de crescimento do Ebitda", afirmou.

Na Ultragaz, para o trimestre em curso, afirmou o diretor, há redução do volume de vendas no segmento granel, especialmente nas médias e pequenas empresas, e elevação na demanda do GLP envasado, com maior consumo nas residências. Diante disso, a tendência para os resultados permanece a mesma observada no primeiro trimestre. Já na Ultracargo, a expansão da capacidade de armazenamento deve continuar dando suporte a "resultados consistentes" nos próximos trimestres.

Em relação à Extrafarma, Curado afirmou que 7% das lojas da rede estão fechadas, uma vez que funcionam em shoppings centers. "Mas a demanda vem até superior à do ano passado nas lojas que estão abertas, o que confirma que a estratégia de fechamento de lojas com baixo desempenho vem dando resultado", disse.

A rede encerrou o trimestre com 411 lojas, das quais 30 fechadas neste momento em razão da covid-19. Ainda assim, a expectativa é de evolução do resultado recorrente no segundo trimestre, na comparação anual.

Em relação às margens da Ipiranga, o diretor financeiro da Ultrapar comentou ainda que o impacto da perda de estoque vista no primeiro trimestre deve se repetir no período em curso, uma vez que a redução mais forte dos preços do petróleo ocorreu a partir de meados de março e se estendeu por abril. "Um pedaço do impacto passou para o segundo trimestre. No fim do período, vai depender muito de como os preços vão ser ajustados pela Petrobras", explicou.

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