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Triunfo define próximos alvos

Além de ter interesse em Suape (PE), a Triunfo olha com atenção o entorno de Sepetiba (RJ), para a eventual instalação de um porto privado voltado à movimentação de contêineres. Também pretende entrar na disputa pelo Ferroanel de S

Valor Econômico
22/03/2013 13:47
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A Triunfo Participações e Investimentos, que controla o aeroporto de Viracopos (SP) e o terminal portuário Portonave (SC), já escolheu seus próximos alvos em grandes projetos de infraestrutura. Ela deverá ter participação agressiva nos leilões de concessões deste ano, conforme indicou ao 'Valor' o presidente do grupo, Carlo Alberto Bottarelli.

Além de ter interesse em Suape (PE), a Triunfo olha com atenção o entorno de Sepetiba (RJ), para a eventual instalação de um porto privado voltado à movimentação de contêineres. Também pretende entrar na disputa pelo Ferroanel de São Paulo, cuja licitação está prevista para o segundo semestre, e estuda dois dos sete lotes de rodovias federais que estão sendo transferidas à iniciativa privada. A empresa ainda mantém interesse na BR-040 (Brasília-Juiz de Fora), que teve leilão suspenso em janeiro.

Nas últimas semanas, Bottarelli tem dedicado parte de seu tempo em Brasília para defender a polêmica medida provisória que altera as regras de funcionamento dos portos. Ele tem defendido, em nome da Triunfo e frequentemente também da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o conteúdo da MP 595. "Ela está ótima, gostaríamos de vê-la aprovada do jeito que está. A MP destrava investimentos, gera empregos com carteira assinada e retira entulhos do setor", diz o executivo.

A Triunfo detém 50% da Portonave, que entrou em operação em 2007 e já recebeu investimentos superiores a R$ 500 milhões, transformando-se em um dos terminais portuários mais modernos do país. Sua situação gerava controvérsia no setor e foi regularizada pela MP 595, que terminou com a distinção entre carga própria e de terceiros. Há duas semanas, o Tribunal de Contas da União (TCU) enterrou as discussões sobre a legalidade da Portonave e de outros três terminais.

"Carga é uma atividade econômica. Não é pública ou privada, própria ou de terceiros. Essa invenção é brasileira e não existe em lugar nenhum do mundo", afirma Bottarelli. Ele diz que a Triunfo "não tem nenhum credo ideológico contra porto público", mas rebate as críticas sobre o suposto desequilíbrio a favor dos portos privados, que não pagam outorga à União e nem se submetem às amarras dos órgãos gestores de mão de obra. As diferenças, de acordo com o executivo, são "irrisórias" porque os privados precisam arcar com a toda a infraestrutura terrestre e marítima.

"Na Portonave, saímos do zero e levamos seis anos para iniciar as operações. Demos as nossas mães e os nossos filhos como garantia aos bancos", diz. Além da aquisição de terrenos, foram investidos R$ 23 milhões em acessos terrestres e outros R$ 14 milhões em linhas de transmissão de energia. À exceção de Suape, que deverá ter um novo terminal de contêineres em área pública arrendada, o foco da Triunfo no setor continuará sendo em portos privados. Bottarelli vê boas oportunidades no setor: "O Brasil ainda tem baixa conteinerização, pouca cabotagem e potencial de crescimento de cargas", avalia.

O executivo revela que estava "pronto para apresentar uma proposta" no leilão da BR-040, suspenso pelo governo às vésperas da disputa, diante do temor de falta de interessados. A Triunfo já opera a rodovia em outro trecho, de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro, leiloado nos anos 90.

Apesar de não entrar em detalhes, Bottarelli sinaliza que a empresa entrará na briga por pelo menos dois dos sete próximos lotes de estradas federais, além da BR-040. Ele reconhece o esforço do governo em aumentar a atratividade das concessões, mas faz uma ressalva: os anúncios feitos até agora melhoram as condições de financiamento e a duração dos contratos, mas não alteram a taxa de retorno dos projetos como um todo - mantida em 5,5% ao ano -, que ainda considera baixa.

Bottarelli ainda vê algumas dificuldades em exigências definidas nos contratos, como a duplicação de pelo menos 10% das estradas privatizadas para o início da cobrança de pedágio. "O problema é ter as licenças ambientais (para as obras)", advertiu o executivo. Ele defendeu a simplificação do licenciamento nesse tipo de obra, que será executada em vias existentes, e sugeriu a dispensa de estudos completos de impacto ambiental.

A Triunfo é a principal sócia, junto com a UTC, da Aeroportos Brasil - empresa que administra, desde o ano passado, o aeroporto de Viracopos. Bottarelli manifestou interesse em participar dos leilões de concessão do Galeão (RJ) e de Confins (MG), mas deixa claro que não vai "lutar contra a decisão do governo".

Em dezembro, ao anunciar as duas concessões, a presidente Dilma Rousseff vetou os atuais controladores de aeroportos privatizados de participar da disputa por Galeão e Confins. Os fundos de pensão, sócios da Invepar, administradora de Guarulhos, tê contestado a regra e pedem uma revisão da medida.
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