Evento

Transição energética é urgente e precisa ser feita sem colocar em risco a sustentabilidade do setor energético

Discussões na abertura da conferência ETRI 2023 reforçaram a importância da hélice tríplice, da inovação aberta, na busca por soluções competitivas; e evidenciaram a complexidade dos desafios a serem superados.

Redação TN Petróleo/Assessoria
08/11/2023 07:16
Transição energética é urgente e precisa ser feita sem colocar em risco a sustentabilidade do setor energético Visualizações: 1918

Acelerar a transição energética é urgente para se atingir o net zero (Net Zero Carbon Emissions), e isso implica em uma responsabilidade coletiva, com governo, indústria e academia focados na busca por soluções competitivas. No entanto, o desenvolvimento e a implantação de inovações em escala industrial pedem cautela. O suficiente para se avançar de forma rápida, mas sem colocar em risco a sustentabilidade das empresas de energia e a segurança no abastecimento. Essas foram algumas das conclusões das apresentações feitas na abertura da 6ª Conferência de Pesquisa e Inovação em Transição Energética (ETRI – Energy Transition, Research and Innovation Conference), que começou ontem (7/11) na USP, em São Paulo (SP), com o patrocínio da Shell Brasil.

O diretor geral de Pesquisa e Desenvolvimento da Shell Brasil, Olivier Wambersie, citou o exemplo de uma empresa, cujas ações caíram depois que a mesma apresentou, neste semestre, problemas inesperados em sua divisão de turbinas eólicas, causando prejuízos vultosos. “Esse é o risco de se avançar demais”, disse, lembrando da complexidade dos desafios na transição energética. “O objetivo do net zero permanece inalterado; todos queremos um sistema energético limpo e sustentável, mas há aspectos complexos – técnicos, comerciais, regulatórios, sociais – que precisam ser superados”, disse.

Entre os desafios, o maior dilema, na visão de Carlos Américo Pacheco, diretor executivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é produzir tecnologias competitivas com soluções para setores economicamente consolidados. “Isso exige uma ciência de excelência, a exemplo do que é feito RCGI [Centro de Pesquisa e Inovação em gases de Efeito Estufa], em conjunto com parcerias sólidas”, disse ele.

O diretor técnico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Daniel Maia Vieira, destacou a importância do apoio pela agência às startups, que “são os catalisadores de soluções disruptivas” na transição energética.  A ANP, que registrou recorde de investimentos (R$ 4,4 bilhões) no ano passado em projetos de PD&I feitos por empresas e instituições de pesquisa, está, segundo ele, atenta às inovações e aos aspectos regulatórios das novas tecnologias. “E também atenta aos programas do governo em transição energética e procurando integração com outras áreas, como a naval, por exemplo”, afirmou.

Já o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, destacou a importância de transformar o conhecimento gerado nas instituições de pesquisa em inovação. Ele pontuou que o estado vem investindo 7% do seu orçamento em ciência e no ensino superior, e isso possibilitou criar um sistema robusto de ciência e tecnologia. O desafio é a inovação. Nesse sentido, “o RCGI é um modelo, um orgulho para o nosso estado, pois é focado em inovar em uma área muito relevante”. Essa visão foi compartilhada pela pró-reitora de Pesquisa da USP, Susana Inés Córdoba de Torresi: “Ninguém vai fazer a transição energética sozinho, e a existência de centros de pesquisa como o RCGI é fundamental.”

Segundo a Chair do evento, Karen Mascarenhas, o RCGI se tornou referência internacional na área porque está focado em soluções para reduzir as emissões de CO2, de forma a levar o Brasil a alcançar suas metas nas das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Tudo isso feito em parceria com governo e empresas (a chamada hélice tríplice), dentro do modelo de inovação aberta.

“Há dois anos, iniciamos projetos de pesquisa em diversos programas, como CCUS [captura, armazenamento e uso de carbono], NBS [soluções baseadas na natureza], e GHG [gases de efeito estufa), entre outros, e agora temos um novo programa, o InnovaPower. Nesse período, fomos visitados por ministros de estado [do Brasil e exterior], o que mostra o quanto o que se faz aqui no centro é relevante para a sociedade. Mais do que gerar conhecimento, buscamos a inovação”, disse o diretor geral do RCGI, Julio Meneghini.

conferência ETRI 2023 acontece até amanhã, quinta-feira. Promovido pelo RCGI, o evento reúne cientistas, representantes do governo e executivos de grandes empresas, do Brasil e do exterior. As inovações tecnológicas e as políticas públicas necessárias para a descarbonização do setor energético no Brasil pautam as principais discussões.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pessoas
Mario Ferreira é o novo gerente comercial da Wiz Corporate
11/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Energia Elétrica
Lançamento de chamada do Lab Procel II reforça o Rio com...
10/02/26
Energia Elétrica
Prime Energy firma novo contrato com o Hotel Villa Rossa...
10/02/26
Energia Elétrica
ABGD apresenta à ANEEL estudo técnico sobre impactos da ...
09/02/26
Tecnologia e Inovação
Brasil estrutura marco normativo para gêmeos digitais e ...
07/02/26
PD&I
Firjan SENAI SESI traz primeira edição do "Finep pelo Br...
06/02/26
Bacia de Campos
Em janeiro, BRAVA Energia renova recorde de produção em ...
06/02/26
Pessoas
Mauricio Fernandes Teixeira é o novo vice-presidente exe...
06/02/26
Internacional
Petrobras fica com 42,5% de bloco exploratório offshore ...
06/02/26
Sergipe Oil & Gas 2026
Ampliação de espaço no Sergipe Oil & Gas vai garantir ma...
05/02/26
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
Descomissionamento
ONIP apresenta ao Governo Federal propostas para transfo...
04/02/26
Pessoas
Daniela Lopes Coutinho é a nova vice-presidente executiv...
04/02/26
Resultado
Com 4,897 milhões boe/d, produção de petróleo e gás em 2...
03/02/26
Pré-Sal
Três FPSOs operados pela MODEC fecharam 2025 entre os 10...
03/02/26
Pré-Sal
Shell dá boas-vindas à KUFPEC como parceira no Projeto O...
03/02/26
Gás Natural
GNLink recebe autorização da ANP e inicia operação da pr...
02/02/26
Gás Natural
Firjan percebe cenário positivo com redução nos preços d...
02/02/26
Etanol
Anidro e hidratado fecham mistos na última semana de jan...
02/02/26
GNV
Sindirepa: preço do GNV terá redução de até 12,5% no Rio...
30/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.