Portos

Terminal da Portonave vai receber US$ 150 milhões

O grupo Triunfo Participações e Investimentos vai investir R$ 150 milhões no seu terminal de contêineres, o Portonave, de Itajaí (SC). O objetivo é aumentar em 50% a produtividade já no próximo ano. Do total, R$ 80 milhões serão de

Valor Econômico
04/12/2012 08:16
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O grupo Triunfo Participações e Investimentos vai investir R$ 150 milhões no seu terminal de contêineres, o Portonave, de Itajaí (SC). O objetivo é aumentar em 50% a produtividade já no próximo ano. Do total, R$ 80 milhões serão destinados à duplicação do parque de equipamentos e R$ 70 milhões à expansão física. A nova frota de máquinas deve chegar até junho de 2013 e permitirá à Portonave alcançar produtividade média de 100 movimentos de contêineres por hora, considerado elevado no Brasil. Hoje, esse número está em 68.
 

São três novos guindastes do tipo portêiner (que embarcam e desembarcam o contêiner do navio), aptos a atender navios super pós panamax, e cinco RTGs (que manuseiam as pilhas de contêineres no pátio). A aquisição integra a segunda fase de construção do terminal, inaugurado em 2007.
 
 
Além dos equipamentos, a Portonave está expandindo a retaguarda do cais em 140 mil metros quadrados. Somada à metragem atual, a área pavimentada chegará a 410 mil. Ao fim do projeto, quando o terminal estiver completamente pronto, a retroárea terá 600 mil metros quadrados. "A nossa autorização está dividida em três etapas", disse o presidente da holding, Carlo Alberto Bottarelli.

 
Além das obras no terminal, a companhia pretende investir na infraestrutura do complexo portuário de Itajaí, ampliando a capacidade para recepção de embarcações. A autoridade portuária fez o processo licitatório para contratar a dragagem do canal e a construtora Triunfo foi a vencedora. A Portonave comprará a draga e, posteriormente, alugará à construtora do grupo que vai realizar o serviço e chegar a 4 metros de calado.
 
 
Só a dragagem não será suficiente para atender as próximas gerações de navios. Por isso, a Portonave se uniu ao Teconvi, o outro terminal de contêineres do complexo catarinense, arrendado à APM Terminals. Juntos, contrataram um estudo que indicará a melhor alternativa para construção de uma nova bacia de evolução no canal, permitindo o giro de embarcações maiores. Com isso, Itajaí poderá receber navios com até 367 metros de extensão e 52 metros de largura.

 
Segundo o diretor técnico da Superintendência do Porto de Itajaí, André Pimentel, o estudo está em fase de conclusão. "Após concluí-lo vamos partir para a licitação da obra". Ao mesmo tempo, busca recursos dos governos estadual e federal para a obra.

 
A Portonave é um terminal de uso privativo misto. Por operar mais cargas de terceiros do que próprias (em volume, não em valor), a empresa está no grupo de terminais privativos com processos no Tribunal de Contas da União e no Supremo Tribunal Federal autorizados pelo governo sem ter passado por licitação pública.

 
Bottarelli afirma que a autorização da Portonave está de acordo com a Lei dos Portos (8.630), que não estipulou quantidade de cargas próprias para terminais privativos mistos. A restrição veio depois, com o Decreto 6.620. O executivo espera que o novo marco regulatório, a ser anunciado nesta semana, acabe com a restrição.

 
A principal crítica aos terminais privativos vem de empresas que tiveram de disputar licitação para arrendar áreas em portos públicos para prestar serviço de movimentação de cargas. Elas receberam infraestrutura de cais pronta, tendo pago ao governo outorga pelo ativo. Advogam, por isso, que sofrem concorrência desleal dos terminais privativos.

 
"Não pagamos outorga porque fizemos o investimento do zero. Da autorização que recebemos até atracar o primeiro navio foram seis anos. Investimos R$ 600 milhões para começar a operar", diz Bottarelli. Para ele, não existe recebível no setor e é por isso que é muito difícil desenvolver porto com investimento privado.
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