Mato Grosso

Térmica de Cuiabá voltará a funcionar

Valor Econômico
15/09/2011 10:28
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A usina termelétrica Governador Mário Covas, com capacidade para gerar 480 megawatts (MW) de energia suficiente para atender a 45% da demanda de Mato Grosso, voltará a operar no dia 27. Ela ficou quatro anos parada e foi a principal vítima das dificuldades do governo boliviano em honrar integralmente os contratos de suprimento de gás natural ao Brasil e à Argentina.

Em 2007, o presidente Evo Morales exigiu um aumento dos valores que a Petrobras pagava à Bolívia e suspendeu o fornecimento à térmica de Cuiabá. Além dos 30 milhões de metros cúbicos por dia que entrega à Petrobras, o país vizinho tinha um contrato à parte com a Pantanal Energia, dona da usina. Esse contrato estipulava a entrega diária de 2,2 milhões de m3 /dia, a partir de um gasoduto saindo da fronteira boliviana em direção a Cuiabá, que foi cortada naquela ocasião. Desde então, a térmica nunca mais funcionou.

"Nós retomamos a negociação, fomos várias vezes à Bolívia, mas não conseguíamos avançar", afirmou o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB). A solução definitiva, negociada no primeiro semestre, foi formalizada no início desta semana: a Petrobras arrendou a termelétrica e passará a operá-la, destinando 2,2 milhões dos 30 milhões de m3 que recebe diariamente à usina matogrossense.

Não há, portanto, aumento do gás vendido pela Bolívia. O que existe é uma realocação do gás já repassado ao Brasil e entregue à Petrobras, sem mudança de valores. Essa solução valerá até o fim do ano que vem. "O contrato está firmado até dezembro de 2012", explicou o diretor-presidente da Pantanal Energia, Fábio Garcia.

A empresa permanecerá como dona da usina, embora a Petrobras fique como responsável pela operação, conforme esclareceu o executivo. A Pantanal Energia é controlada pela Ashmore Energy, que adquiriu os ativos da americana Enron (antiga dona da térmica) após sua falência.

De acordo com o governador, a garantia de operação da usina aumentará a segurança energética de Mato Grosso, além de dar mais tranquilidade ao abastecimento de gás veicular à frota local e ajudar na consolidação de um polo industrial. "Com a vinda do gás permanente, temos como trabalhar em um projeto de expansão do distrito industrial de Cuiabá", disse Barbosa. Implantado em 1978, o distrito fica a 15 quilômetros do centro e reúne cerca de 250 empresas, que geram quase 5 mil empregos diretos. A ideia é usar o gás natural para baixar o custo de produção.

Barbosa afirmou que os testes de operação da usina foram iniciados ontem. Garcia explicou que ela ficará à disposição para acionamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a partir do dia 27, mas isso não assegura seu funcionamento. O acionamento da termelétrica Mário Covas dependerá do preço de referência da operação, que varia diariamente e é monitorado pelo ONS. A energia a gás é mais cara do que a de hidrelétricas e é usada principalmente para recompor os reservatórios.

Em 1997, a Empresa Produtora de Energia (EPE) - conhecida pelo nome fantasia Pantanal Energia - ganhou licitação da Eletronorte para a construção de uma termelétrica em Mato Grosso, fechando um contrato de 21 anos com preços fixos. Em agosto de 2007, em meio a pressões da Bolívia por um aumento dos valores pagos, a estatal YPFB cortou definitivamente a entrega de gás para Cuiabá. A Pantanal Energia concordou até mesmo em aumentar, de US$ 1,19 para US$ 4,20 por milhão de BTU (unidade térmica britânica), mas não adiantou e o fornecimento boliviano nunca mais foi retomado.
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