Offshore

Statoil quer gerar energia em Peregrino com petróleo

Proposta foi enviada ao Ibama.

Valor Econômico
23/06/2014 11:36
Visualizações: 1993

 

A norueguesa Statoil, segunda maior produtora de petróleo entre as estrangeiras que operam no país, propôs ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) utilizar petróleo bruto como combustível para geração de energia na plataforma Peregrino, na Bacia de Campos. Se aprovada, a medida permitirá à Statoil substituir uma quantidade não divulgada de óleo diesel e gás natural utilizados hoje como combustível para alimentar geradores capazes de produzir 44 megawatts (MW). Toda essa energia alimenta uma enorme estrutura para produção de óleo pesado montada em alto mar.
A Statoil ainda não tem dados sobre emissões de poluentes na atmosfera e está avaliando, junto ao Ibama, a viabilidade ambiental, como conta Mauro Andrade, vice-presidente de relações institucionais e comunicação para a América do Sul. A questão que se coloca é teoricamente simples: porque levar o petróleo extraído no mar até a refinaria e depois trazer o combustível refinado de volta quando se tem a matéria-prima no local?
Thor Magnus Sulland, gerente de operaçoes da plataforma de produção, armazenamento e transferência (FPSO) Peregrino, afirma que os dois combustíveis podem ser usados para combustão nas caldeiras sem necessidade de qualquer ajuste. A Statoil informa que apresentou ao órgão ambiental um programa de monitoramento das emissões atmosféricas para validar simulações e estudos feitos pela companhia com ajuda de especialistas, inclusive da COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
"O objetivo é testar a hipótese de que o uso de petróleo bruto como combustível pode ser ambientalmente melhor do que o uso de óleo diesel no caso específico do Campo de Peregrino, principalmente no que diz respeito às emissões totais de CO2", afirmou Andrade, acrescentando que o programa de monitoramente ainda está em avaliação pelo Ibama.
O órgão ambiental confirmou que analisa o pedido da Statoil. Segundo a assessoria do Ibama, foi pedido estudo do ciclo de vida da produção de diesel, com comparações entre a queima de petróleo bruto e a queima de diesel, não apenas na plataforma, como também nas viagens dos barcos que levam o diesel e para a produção do combustível nas refinarias. "Tal estudo e seu plano de monitoramento foram apresentados e encontram-se em análise", informou o órgão ao 'Valor'.
O Ibama informou que a Statoil antecipou pedido para a queima de óleo cru que estava prevista no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Peregrino para começar a partir do sexto ou sétimo ano da produção no campo. O campo está produzindo há quatro anos. Também procurada, a Petrobras, maior produtora offshore do país, respondeu que "atualmente" não tem nenhuma unidade marítima utilizando petróleo cru como combustível para geração de energia.
O petróleo de Peregrino tem 12,5 graus na escala do Instituto Americano de Petróleo (API) e segundo a Statoil é o mais pesado produzido no Brasil. Como o reservatório tem baixa energia (muito pouco gás), o processo de extração e movimentação de óleo é intensivo em energia. A consistência é igual à da graxa e precisa estar a uma temperatura média de 69 graus Celsius para ser movimentado. São os equipamentos para todo esse tratamento que tornam certas áreas da FPSO Peregrino parecidas com unidades de refino para um observador desatento. Antes disso, é necessário um sistema de bombeio submarino para que chegue até a plataforma e, depois, que seja aquecido até uma temperatura de 135° C por processos que exigem vapor, gás e diesel para movimentação das plataformas fixas até a FPSO.
O óleo é exportado direto da Bacia de Campos até o terminal South Riding, da norueguesa nas Bahamas, onde é misturado ao petróleo Maia, produzido no México. O resultado é um petróleo apelidado de "Peregrino blend", vendido para refinarias nos Estados Unidos, China, India e Espanha, para citar alguns compradores capazes de refinar esse tipo de óleo. Sulland explicou que o petróleo de Peregrino já foi vendido com desconto de 30% em relação ao preço do petróleo "brent", produzido no Mar do Norte e cujos preços são utilizados como padrão nas transações fora dos Estados Unidos.
Segundo Sulland, hoje essa diferença baixou para 15% e há forte procura dos Estados Unidos, grande comprador do óleo pesado produzido na Venezuela e que ainda não tem todo o parque de refino adaptado para a nova oferta de petróleo de xisto (shale oil).
Para que o óleo de Peregrino possa ser movimentado é preciso que seja mantido aquecido para circular - com ajuda de água - pelas tubulações desde as cabeças dos poços até as duas plataformas fixas de produção - WHP Peregrino A e WHP Peregrino B - que são ligadas à plataforma. Entre 2008 e 2012 a Statoil tinha investido US$ 5 bilhões no país e deixou de divulgar dados diferenciados por países desde então. Em 2010, uma fatia de 40% de Peregrino foi vendido para a chinesa Sinochem por US$ 3 bilhões.
Em 2013 os sócios pagaram US$ 1 bilhão à dinamarquesa Maersk pela FPSO, colocada à venda depois que a companhia de navegação se desfez dos ativos de produção que estavam afretados. Para operar a plataforma foi contratada a empresa BW Offshore.
Na segunda-feira da semana passada, a FPSO Peregrino estava produzindo cerca de 88 mil barris de petróleo pesado e na quarta esse volume tinha chegado a 90 mil barris diários. Com esse nível a Statoil é a maior produtora do Brasil entre as empresas estrangeiras que são operadoras das áreas, ultrapassando a Shell que produziu em abril, último dado disponível, uma média de 81,155 barris diários no país.
No mundo, a Statoil produziu 1,940 milhão de barris de óleo equivalente (boe) em 2013. Em termos de comparação, o volume é menor do que o da Petrobras, que produziu no ano passado 2,540 milhões de boe quando contabilizada a produção total de óleo, gás e líquido de gás natural (LGN) no Brasil e exterior. A produção internacional eleva o número ajudada pelo gás da Bolívia, e petróleo nos Estados Unidos e África.
O campo de Peregrino tem reservas estimadas entre 300 milhões e 600 milhões de barris recuperáveis e já produziu, no pico, 104 mil barris por dia, mais do que a capacidade da plataforma, que é de 100 mil barris/dia. Até o momento foram perfurados 27 poços, sendo 24 deles produtores de petróleo e três injetores de água ou gás. A companhia está analisando com a Sinochem uma segunda fase de desenvolvimento do campo, cujos investimentos ainda não foram definidos. Se aprovada, uma terceira plataforma fixa será instalada em 2019, o que vai permitir deter o declínio da produção.
A operação brasileira é a maior da estatal norueguesa fora do país de origem. No Brasil o segundo maior projeto depois de Peregrino é com a Repsol Sinopec (operadora) e a Petrobras para desenvolvimento da produção dos campos gigantes de Pão de Açúcar, Seat e Gávea, descobertos no bloco BM-C-33, que fica no pré-sal da Bacia de Campos, em águas ultraprofundas.

A norueguesa Statoil, segunda maior produtora de petróleo entre as estrangeiras que operam no país, propôs ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) utilizar petróleo bruto como combustível para geração de energia na plataforma Peregrino, na Bacia de Campos. Se aprovada, a medida permitirá à Statoil substituir uma quantidade não divulgada de óleo diesel e gás natural utilizados hoje como combustível para alimentar geradores capazes de produzir 44 megawatts (MW). Toda essa energia alimenta uma enorme estrutura para produção de óleo pesado montada em alto mar.

A Statoil ainda não tem dados sobre emissões de poluentes na atmosfera e está avaliando, junto ao Ibama, a viabilidade ambiental, como conta Mauro Andrade, vice-presidente de relações institucionais e comunicação para a América do Sul. A questão que se coloca é teoricamente simples: porque levar o petróleo extraído no mar até a refinaria e depois trazer o combustível refinado de volta quando se tem a matéria-prima no local?

Thor Magnus Sulland, gerente de operaçoes da plataforma de produção, armazenamento e transferência (FPSO) Peregrino, afirma que os dois combustíveis podem ser usados para combustão nas caldeiras sem necessidade de qualquer ajuste. A Statoil informa que apresentou ao órgão ambiental um programa de monitoramento das emissões atmosféricas para validar simulações e estudos feitos pela companhia com ajuda de especialistas, inclusive da COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"O objetivo é testar a hipótese de que o uso de petróleo bruto como combustível pode ser ambientalmente melhor do que o uso de óleo diesel no caso específico do Campo de Peregrino, principalmente no que diz respeito às emissões totais de CO2", afirmou Andrade, acrescentando que o programa de monitoramente ainda está em avaliação pelo Ibama.

O órgão ambiental confirmou que analisa o pedido da Statoil. Segundo a assessoria do Ibama, foi pedido estudo do ciclo de vida da produção de diesel, com comparações entre a queima de petróleo bruto e a queima de diesel, não apenas na plataforma, como também nas viagens dos barcos que levam o diesel e para a produção do combustível nas refinarias. "Tal estudo e seu plano de monitoramento foram apresentados e encontram-se em análise", informou o órgão ao 'Valor'.

O Ibama informou que a Statoil antecipou pedido para a queima de óleo cru que estava prevista no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Peregrino para começar a partir do sexto ou sétimo ano da produção no campo. O campo está produzindo há quatro anos. Também procurada, a Petrobras, maior produtora offshore do país, respondeu que "atualmente" não tem nenhuma unidade marítima utilizando petróleo cru como combustível para geração de energia.

O petróleo de Peregrino tem 12,5 graus na escala do Instituto Americano de Petróleo (API) e segundo a Statoil é o mais pesado produzido no Brasil. Como o reservatório tem baixa energia (muito pouco gás), o processo de extração e movimentação de óleo é intensivo em energia. A consistência é igual à da graxa e precisa estar a uma temperatura média de 69 graus Celsius para ser movimentado. São os equipamentos para todo esse tratamento que tornam certas áreas da FPSO Peregrino parecidas com unidades de refino para um observador desatento. Antes disso, é necessário um sistema de bombeio submarino para que chegue até a plataforma e, depois, que seja aquecido até uma temperatura de 135° C por processos que exigem vapor, gás e diesel para movimentação das plataformas fixas até a FPSO.

O óleo é exportado direto da Bacia de Campos até o terminal South Riding, da norueguesa nas Bahamas, onde é misturado ao petróleo Maia, produzido no México. O resultado é um petróleo apelidado de "Peregrino blend", vendido para refinarias nos Estados Unidos, China, India e Espanha, para citar alguns compradores capazes de refinar esse tipo de óleo. Sulland explicou que o petróleo de Peregrino já foi vendido com desconto de 30% em relação ao preço do petróleo "brent", produzido no Mar do Norte e cujos preços são utilizados como padrão nas transações fora dos Estados Unidos.

Segundo Sulland, hoje essa diferença baixou para 15% e há forte procura dos Estados Unidos, grande comprador do óleo pesado produzido na Venezuela e que ainda não tem todo o parque de refino adaptado para a nova oferta de petróleo de xisto (shale oil).

Para que o óleo de Peregrino possa ser movimentado é preciso que seja mantido aquecido para circular - com ajuda de água - pelas tubulações desde as cabeças dos poços até as duas plataformas fixas de produção - WHP Peregrino A e WHP Peregrino B - que são ligadas à plataforma. Entre 2008 e 2012 a Statoil tinha investido US$ 5 bilhões no país e deixou de divulgar dados diferenciados por países desde então. Em 2010, uma fatia de 40% de Peregrino foi vendido para a chinesa Sinochem por US$ 3 bilhões.

Em 2013 os sócios pagaram US$ 1 bilhão à dinamarquesa Maersk pela FPSO, colocada à venda depois que a companhia de navegação se desfez dos ativos de produção que estavam afretados. Para operar a plataforma foi contratada a empresa BW Offshore.

Na segunda-feira da semana passada, a FPSO Peregrino estava produzindo cerca de 88 mil barris de petróleo pesado e na quarta esse volume tinha chegado a 90 mil barris diários. Com esse nível a Statoil é a maior produtora do Brasil entre as empresas estrangeiras que são operadoras das áreas, ultrapassando a Shell que produziu em abril, último dado disponível, uma média de 81,155 barris diários no país.

No mundo, a Statoil produziu 1,940 milhão de barris de óleo equivalente (boe) em 2013. Em termos de comparação, o volume é menor do que o da Petrobras, que produziu no ano passado 2,540 milhões de boe quando contabilizada a produção total de óleo, gás e líquido de gás natural (LGN) no Brasil e exterior. A produção internacional eleva o número ajudada pelo gás da Bolívia, e petróleo nos Estados Unidos e África.

O campo de Peregrino tem reservas estimadas entre 300 milhões e 600 milhões de barris recuperáveis e já produziu, no pico, 104 mil barris por dia, mais do que a capacidade da plataforma, que é de 100 mil barris/dia. Até o momento foram perfurados 27 poços, sendo 24 deles produtores de petróleo e três injetores de água ou gás. A companhia está analisando com a Sinochem uma segunda fase de desenvolvimento do campo, cujos investimentos ainda não foram definidos. Se aprovada, uma terceira plataforma fixa será instalada em 2019, o que vai permitir deter o declínio da produção.

A operação brasileira é a maior da estatal norueguesa fora do país de origem. No Brasil o segundo maior projeto depois de Peregrino é com a Repsol Sinopec (operadora) e a Petrobras para desenvolvimento da produção dos campos gigantes de Pão de Açúcar, Seat e Gávea, descobertos no bloco BM-C-33, que fica no pré-sal da Bacia de Campos, em águas ultraprofundas.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
Logística
Benel investe R$ 45 milhões em novos transportes no prim...
14/10/26
Margem Equatorial
Governo do Amapá tem acordo formalizado com Transpetro e...
14/10/26
PD&I
Tereos amplia alcance de tecnologia própria para impulsi...
14/10/26
Investimento
ABPIP apresenta propostas ao Governo da Bahia para destr...
14/10/26
Biometano
ANP credencia B3 S.A. como entidade registradora de Cert...
14/10/26
Bacia de Pelotas
TGS retoma pesquisa sísmica na Bacia de Pelotas com foco...
13/10/26
Aviação
Avanço do combustível sustentável de aviação reforça imp...
13/10/26
Sustentabilidade
Vallourec Avança na Sustentabilidade com Tecnologia que ...
13/10/26
PD&I
ANP fará consulta e audiência públicas sobre credenciame...
09/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25