Etanol

SPBio prevê duplicar a capacidade de produção

Jornal do Commercio
19/09/2008 05:55
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A SPBio entrou em produção este mês, usando 60% da capacidade instalada de 50 milhões de litros de biodiesel por ano, e já planeja expansão para 2009. Motivada pela demanda em alta no mercado interno, a empresa de Sumaré, São Paulo, pretende atingir 100% do seu potencial produtivo até dezembro próximo e duplicá-lo já no ano que vem.

 

Fernando Quércia, um dos três sócios da SPBio, disse que foram investidos R$ 20 milhões no empreendimento e para ampliá-lo a idéia é a de destinar ao projeto pelo menos mais R$ 10 milhões em um ano. A decisão de expandir a produção deve-se às expectativa de maior demanda do mercado nacional, em função da obrigatoriedade de adição de 3% de biodiesel ao diesel de petróleo, já em vigor no Brasil.

 

"No planejamento de expansão da produção estamos levando em conta somente a necessidade de abastecer o mercado interno. Ainda nem calculamos o quanto seria necessário crescer em caso de exportação", explica Quércia.

 

Segundo Quércia, as perspectivas positivas de aumento da produção são apoiadas pela diversificação de matérias-primas com as quais a empresa trabalha, incluindo sebo bovino e óleos de fritura usados, além de oleaginosas como soja, mamona, girassol, amendoim, entre outras fontes inovadoras como tipo de alga que, segundo o empresário, produz um óleo de excelente qualidade.

 

"Esse é diferencial que temos em relação à maioria das empresas do setor que já estão enfrentando dificuldades em conseguir matérias-primas em volume suficiente para suprir a demanda. Muitas delas nem saíram do papel por causa dessa dificuldade", disse.

 

Quércia apontou como outra vantagem do seu produto, em relação ao de outros fabricantes, o desenvolvimento próprio de tecnologia para utilização de etanol como reagente na produção de biodiesel, enquanto outras empresas empregam o metanol, derivado de combustível fóssil, nesse processo.

 

"Além da diversificação no aproveitamento das matérias-primas, temos como diferencial competitivo, a capacidade de fabricar um biocombustível ainda mais ecologicamente correto", enfatizou.

 

O empresário acredita que os fabricantes de biodiesel no Brasil conseguirão superar as dificuldades iniciais nesse segmento de negócio totalmente novo, o que inclui percalços na produção, ditados principalmente, pela escassez e preços elevados das matérias-primas.

 

"Essas dificuldades foram enfrentadas pelos produtores de cana-de-açúcar, para fabricação de álcool combustível, há mais de 20 anos. Hoje a situação está estabilizada", afirmou.

 

Nesse processo de superação de dificuldades do setor, Quércia citou como importante contribuição, a recente decisão da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que permite às empresas produtoras de biodiesel a venda direta às distribuidoras, quando, anteriormente, só quem comprava a produção era a Petrobras.

 

Atualmente, a SPBio tem produzido para atender unicamente o mercado de São Paulo, o maior do Brasil, embora a empresa esteja instalada em uma região considerada estratégica para efeito de escoamento de produção em caso de ampliar a sua cobertura nacional ou exportar.

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