Combustíveis

Sindicom rechaça possível aumento na mistura de biodiesel

Valor Online
30/09/2011 17:13
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O governo está reavaliando a política de biodiesel no país. A afirmação é do presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz.

O governo traçou como meta misturar 5% de biodiesel ao diesel comum até 2013. No entanto, o objetivo foi alcançado em janeiro de 2010 e Vaz teme a intenção dos produtores de aumentar ainda mais o teor do biodiesel na mistura. De acordo com ele, além de não haver tempo hábil para a mudança, a qualidade do produto ainda está deixando a desejar.

“Há um lobby muito forte dos produtores querendo aumentar o teor de biodiesel no diesel comum, desconsiderando qualquer tipo de planejamento e de necessidade de investimento”, afirmou Vaz.

O presidente do Sindicom ressalta que o setor de combustíveis cresceu muito e toda a capacidade instalada está sendo usada ao máximo. “O governo sabe disso, ele está, neste momento, reavaliando como atingir esses planos”, disse.

Vaz explica que as distribuidoras não têm capacidade para aumentar o teor de biodiesel misturado ao diesel comum. Segundo ele, seria necessário cerca de dois anos para que fosse feito um planejamento adequado para as compras de materiais, como novos tanques para fazer novas misturas. Além disso, toda construção que envolve combustíveis exige licenças ambientais que demoram um ano para serem liberaradas.

A questão da inflação é mais um argumento para o presidente do Sindicom. “Hoje são cinco, sete centavos por litro que oneram o diesel. Imagina passar para 15 centavos?”, indagou Vaz, considerando o caso do teor do biodiesel aumentar para 10%.

Outra preocupação do governo, segundo Vaz, é que o planejamento incluía o incentivo a agricultura familiar. Vaz explica que “estão aparecendo depósitos, uma espécie de borra, que se acumula nos tanques dos postos, nos caminhões”.

Segundo ele, o problema já ocorria antes, mas, com o aumento do teor de biodiesel, se agravou. Além disso, o próprio diesel é propenso à degradação, é atacado de bactérias.

“O filtro que era trocado a cada mês ou dois meses nos postos, está sendo trocado por semana. Todo o processo está mais caro”, afirmou Vaz, lembrando que a Agência Nacional do Petróleo já está estudando a questão da qualidade.
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