Indústria Naval

Sinaval diz que crise no setor é coisa do passado

A crise que afetou a indústria naval brasileira já faz parte de um passado sombrio, três décadas de crise, e o setor navega de vento em popa rumo ao futuro. A prova disso são as ampliações do parque industrial naval no país, conforme disse o pre

Monitor Mercantil
02/02/2010 07:46
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A crise que afetou a indústria naval brasileira já faz parte de um passado sombrio, três décadas de crise, e o setor navega de vento em popa rumo ao futuro. A prova disso são as ampliações do parque industrial naval no país, conforme disse o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Santana Rocha.

O Estaleiro Atlântico Sul, segundo ele, foi o primeiro a assinar contrato com a Transpetro, em janeiro de 2007, para a construção de dez petroleiros, de um total de 26 embarcações, na primeira fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). Também foi o primeiro a iniciar a construção dos navios, em março de 2008. E deve sair na frente na primeira entrega, prevista para abril deste ano.

"O Estado do Rio de Janeiro, que concentra 15 dos 25 estaleiros em operação, estava perdendo terreno. Não por falta de competitividade, mas de espaço físico. Era preciso buscar outras praças. Ou melhor, outros mares. A Ilha de Tatuoca, no Complexo Industrial Portuário de Suape, oferecia as condições ideais para a instalação do maior e mais moderno estaleiro do Hemisfério Sul", disse Rocha, salientando que os investimentos no estaleiro de Suape foram de R$ 1,6 bilhão, e a unidade tem capacidade para processar 160 mil toneladas de aço por ano.

"Para se ter uma idéia, o segundo maior estaleiro em funcionamento do Brasil, o Eisa (RJ), tem uma capacidade de 52 mil toneladas/ano. Outros estaleiros de grande porte também estão surgindo em Alagoas (também Eisa), na Bahia (Paraguaçu e EDB) e no Ceará (Promar). Representam investimentos de R$ 4 bilhões, com R$ 3 bilhões já assegurados pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM)", comentou Rocha para quem a grande diferença ente o passado (anos 70) e o presente reside na relação entre o governo e o setor. "Naquela época as obras eram induzidas pelo governo. Hoje, se constrói navios por demanda, e com sustentabilidade".

Projetos

Em Pernambuco, foram anunciados mais dois projetos - o da Alusa, em consórcio com Galvão e Songdong - um investimento de US$ 350 milhões; e o da Construção, que prevê investir US$ 100 milhões, com a expectativa de gerar sete mil vagas de trabalho. No Maranhão, poderá ser construído um centro de reparação naval. Todos aguardam o resultado da licitação das 28 sondas (drill ships) pela Petrobras, prevista para sair entre março e abril.

"Pernambuco tem um grande potencial, entre outras coisas, por seu calado (profundidade) natural. As grandes empresas estão migrando para o Nordeste porque no Rio de Janeiro não há mais espaço. Com o pré-sal, esse cenário torna-se ainda mais promissor", disse Rocha, acrescentando que o Sinaval inaugurou, recentemente, um escritório regional no Recife. O primeiro fora do Rio depois de mais de 50 anos.

O Brasil, segundo ele, já tem a quinta carteira de encomendas do mundo. São R$ 55 bilhões em investimentos e encomendas, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As 430 embarcações encomendadas, entre licitadas e a licitar, vão gerar 60 mil empregos no país até 2015, 30 mil deles no Norte e Nordeste. Sinal de que a indústria naval brasileira, de fato, renasceu, inicialmente embalada pelo Promef, e o Nordeste é seu motor de propulsão.

"O interessante disso tudo é que a indústria de navipeças vai crescer em volta desses estaleiros, movimentando toda a economia", disse o secretário-executivo da entidade, Sérgio Leal, para quem as novas embarcações vão eliminar os US$ 1,36 bilhão que só a Petrobras gasta com afretamentos por ano.

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