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Shell se volta para negócio na área de gás natural

Empresa ainda é uma das maiores produtoras de petróleo.

Valor Econômico
17/01/2013 10:09
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Querido, feliz aniversário mais uma vez. Te desejo muitas alegrias, 
Shell se volta para negócio na área de gás natural
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Petróleo e gás
QUI, 17 DE JANEIRO DE 2013 07:16
A Royal Dutch Shell PLC é um colosso moderno: uma companhia de petróleo e gás natural com ativos em 44 países e US$ 470,2 bilhões em receita anual fluindo de seis continentes. Embora ainda seja uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, a empresa está cada vez mais concentrada em gás natural, convertendo-o em diesel limpo no Catar e construindo instalações gigantescas para exportação na Austrália, África e Canadá.
Peter Voser, que se tornou diretor-presidente em 2009, toma as decisões finais sobre investimentos estratégicos de bilhões de dólares que às vezes levam décadas para dar retorno, ao mesmo tempo em que se mantém a par dos acontecimentos políticos em todo o mundo. Seu enorme orçamento de US$ 32 bilhões em 2012 foi três vezes maior que os da Google Inc., Boeing Co. e International Business Machines Corp. combinados.
A Shell tem pela frente o desafio de descobrir mais petróleo e gás para substituir o que ela produz e vende hoje, principalmente porque muitas das melhores regiões ainda exploráveis ou são controladas por governos estrangeiros, ou são tecnicamente difíceis de acessar.
Depois de Voser ter concedido esta entrevista ao The Wall Street Journal em Nova York, o projeto de exploração da Shell em condições difíceis no Ártico sofreu uma série de reveses, incluindo danos a uma plataforma de perfuração que encalhou durante transporte no Alasca. A empresa disse que Voser não poderia comentar sobre o programa do Ártico, em parte porque a Guarda Costeira americana está investigando o acidente. Mas o executivo de 54 anos discutiu o futuro dos combustíveis, as operações nas áreas mais agitadas do mundo e as razões pelas quais as políticas de combustível da China podem ser mais inteligentes do que as dos países ocidentais. Seguem trechos editados:
WSJ: O cenário da energia está mudando e há uma incerteza crescente sobre o futuro dos combustíveis fósseis. Qual a sua visão?
Peter Voser: Prevemos que a demanda por combustíveis vai dobrar nos próximos 40 anos, comparada com a de hoje. Os renováveis serão cerca de um terço disso, [a energia] nuclear estará entre 5% e 10% e o resto ainda virá dos combustíveis fósseis, seja gás, petróleo ou carvão. São necessários ainda investimentos imensos para atender à demanda também no lado dos combustíveis fósseis. E o gás terá um papel dominante e um crescimento muito maior do que, digamos, o petróleo e, num prazo mais longo, também o carvão.
WSJ: A Shell está participando na exploração de gás de xisto na China. As agressivas metas de produção de gás de xisto da China são atingíveis?
Voser: Acreditamos que a China tenha reservas [de xisto] significativas. Elas poderiam ser até maiores que a dos Estados Unidos. A geologia é um pouco mais complexa, então vai custar um pouco mais. Diríamos que as metas deles são ambiciosas, mas estamos tendo apoio para conduzir o desenvolvimento desse xisto. A China está levando isso a sério e tem um histórico de normalmente atingir suas metas.
WSJ: Qual é a diferença entre a exploração na China e no Ocidente?
Voser: Num país como a China nós realmente temos uma política de combustível muito mais firme que na maioria dos países ocidentais. Veja os investimentos realizados em outras partes do setor, como o gás, como os feitos para diminuir o uso do carvão, por exemplo. Você tem uma ideia muito mais clara de onde precisa investir e qual é o objetivo final. E aí, como uma indústria, você pode realmente contribuir. Você dirige seus orçamentos de pesquisa e desenvolvimento; é isso que falta no Ocidente.
WSJ: Falando de política de combustível, o que o sr. precisa que o governo americano faça, principalmente com relação a regulamentar o fraturamento hidráulico?
Voser: Estamos procurando um ambiente de negócios com regras claras que estabeleçam os padrões corretos. Pessoalmente, se elas vêm do governo federal ou estadual, realmente não me importa. Só preciso de clareza sobre o que fazer.
WSJ: Os EUA descobriram muito gás natural dentro de suas fronteiras. O que o sr. acha que vai acontecer com todo esse gás?
Voser: O gás natural é um combustível barato e vantajoso que pode ser novamente usado na industrialização dos EUA. Ele pode trazer as indústrias de manufatura e petroquímica de volta e é lá que os empregos estão. Eu acharia inusitado se os EUA não aproveitarem essa oportunidade. Há vários Estados no meio do país que onde se poderia criar uma área muito industrializada que realmente traga um monte de empregos de volta, que nós terceirizamos em alguma parte do mundo.
WSJ: A Agência Internacional de Energia afirmou que o Iraque precisa produzir seis milhões de barris de petróleo por dia para impedir um aumento considerável nos preços mundiais. A Shell é muito ativa no Iraque. Esse volume é realista?
Voser: Do ponto de vista técnico, é possível. Mas você precisa de estabilidade política e, até agora, está tudo bem. Parei de fazer previsões sobre estabilidade política para além de 12 meses no futuro. Em Basra, a situação da segurança se estabilizou, mas não é um ambiente seguro. Ele melhorou. Não construímos mais instalações com tetos a prova de explosões.
WSJ: A Shell é o maior produtor estrangeiro na Nigéria. Está ficando mais fácil operar lá?
Voser: Se você olhar os últimos cinco, seis anos, o cenário está melhorando. Se olharmos só 2012, [o ambiente de negócios] está indo ladeira abaixo. Onde? Isso no aspecto da corrupção, mas principalmente da sabotagem e do roubo de petróleo. [O roubo de petróleo] é hoje um negócio do tamanho, mais ou menos, de uns US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões por ano. Está se tornando um real gerador de dinheiro no Delta [do Níger], um real gerador de emprego. Isso não é um bom sinal. (Colaborou Tom Fowler.)

A Royal Dutch Shell PLC é um colosso moderno: uma companhia de petróleo e gás natural com ativos em 44 países e US$ 470,2 bilhões em receita anual fluindo de seis continentes. Embora ainda seja uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, a empresa está cada vez mais concentrada em gás natural, convertendo-o em diesel limpo no Catar e construindo instalações gigantescas para exportação na Austrália, África e Canadá.

 


Peter Voser, que se tornou diretor-presidente em 2009, toma as decisões finais sobre investimentos estratégicos de bilhões de dólares que às vezes levam décadas para dar retorno, ao mesmo tempo em que se mantém a par dos acontecimentos políticos em todo o mundo. Seu enorme orçamento de US$ 32 bilhões em 2012 foi três vezes maior que os da Google Inc., Boeing Co. e International Business Machines Corp. combinados.

 


A Shell tem pela frente o desafio de descobrir mais petróleo e gás para substituir o que ela produz e vende hoje, principalmente porque muitas das melhores regiões ainda exploráveis ou são controladas por governos estrangeiros, ou são tecnicamente difíceis de acessar.

 


Depois de Voser ter concedido esta entrevista ao The Wall Street Journal em Nova York, o projeto de exploração da Shell em condições difíceis no Ártico sofreu uma série de reveses, incluindo danos a uma plataforma de perfuração que encalhou durante transporte no Alasca. A empresa disse que Voser não poderia comentar sobre o programa do Ártico, em parte porque a Guarda Costeira americana está investigando o acidente. Mas o executivo de 54 anos discutiu o futuro dos combustíveis, as operações nas áreas mais agitadas do mundo e as razões pelas quais as políticas de combustível da China podem ser mais inteligentes do que as dos países ocidentais. Seguem trechos editados:

 


WSJ: O cenário da energia está mudando e há uma incerteza crescente sobre o futuro dos combustíveis fósseis. Qual a sua visão?

 


Peter Voser: Prevemos que a demanda por combustíveis vai dobrar nos próximos 40 anos, comparada com a de hoje. Os renováveis serão cerca de um terço disso, [a energia] nuclear estará entre 5% e 10% e o resto ainda virá dos combustíveis fósseis, seja gás, petróleo ou carvão. São necessários ainda investimentos imensos para atender à demanda também no lado dos combustíveis fósseis. E o gás terá um papel dominante e um crescimento muito maior do que, digamos, o petróleo e, num prazo mais longo, também o carvão.

 


WSJ: A Shell está participando na exploração de gás de xisto na China. As agressivas metas de produção de gás de xisto da China são atingíveis?

 


Voser: Acreditamos que a China tenha reservas [de xisto] significativas. Elas poderiam ser até maiores que a dos Estados Unidos. A geologia é um pouco mais complexa, então vai custar um pouco mais. Diríamos que as metas deles são ambiciosas, mas estamos tendo apoio para conduzir o desenvolvimento desse xisto. A China está levando isso a sério e tem um histórico de normalmente atingir suas metas.

 


WSJ: Qual é a diferença entre a exploração na China e no Ocidente?

 


Voser: Num país como a China nós realmente temos uma política de combustível muito mais firme que na maioria dos países ocidentais. Veja os investimentos realizados em outras partes do setor, como o gás, como os feitos para diminuir o uso do carvão, por exemplo. Você tem uma ideia muito mais clara de onde precisa investir e qual é o objetivo final. E aí, como uma indústria, você pode realmente contribuir. Você dirige seus orçamentos de pesquisa e desenvolvimento; é isso que falta no Ocidente.

 


WSJ: Falando de política de combustível, o que o sr. precisa que o governo americano faça, principalmente com relação a regulamentar o fraturamento hidráulico?

 


Voser: Estamos procurando um ambiente de negócios com regras claras que estabeleçam os padrões corretos. Pessoalmente, se elas vêm do governo federal ou estadual, realmente não me importa. Só preciso de clareza sobre o que fazer.

 


WSJ: Os EUA descobriram muito gás natural dentro de suas fronteiras. O que o sr. acha que vai acontecer com todo esse gás?

 


Voser: O gás natural é um combustível barato e vantajoso que pode ser novamente usado na industrialização dos EUA. Ele pode trazer as indústrias de manufatura e petroquímica de volta e é lá que os empregos estão. Eu acharia inusitado se os EUA não aproveitarem essa oportunidade. Há vários Estados no meio do país que onde se poderia criar uma área muito industrializada que realmente traga um monte de empregos de volta, que nós terceirizamos em alguma parte do mundo.

 


WSJ: A Agência Internacional de Energia afirmou que o Iraque precisa produzir seis milhões de barris de petróleo por dia para impedir um aumento considerável nos preços mundiais. A Shell é muito ativa no Iraque. Esse volume é realista?

 


Voser: Do ponto de vista técnico, é possível. Mas você precisa de estabilidade política e, até agora, está tudo bem. Parei de fazer previsões sobre estabilidade política para além de 12 meses no futuro. Em Basra, a situação da segurança se estabilizou, mas não é um ambiente seguro. Ele melhorou. Não construímos mais instalações com tetos a prova de explosões.
WSJ: A Shell é o maior produtor estrangeiro na Nigéria. Está ficando mais fácil operar lá?

 


Voser: Se você olhar os últimos cinco, seis anos, o cenário está melhorando. Se olharmos só 2012, [o ambiente de negócios] está indo ladeira abaixo. Onde? Isso no aspecto da corrupção, mas principalmente da sabotagem e do roubo de petróleo. [O roubo de petróleo] é hoje um negócio do tamanho, mais ou menos, de uns US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões por ano. Está se tornando um real gerador de dinheiro no Delta [do Níger], um real gerador de emprego. Isso não é um bom sinal. (Colaborou Tom Fowler.)

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