Internacional

Shell prevê alta no preço do gás nos EUA

Valor Econômico
18/05/2012 09:30
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A Royal Dutch Shell acredita que os preços do gás natural vão dobrar nos Estados Unidos até 2015, recuperando-se vigorosamente de um período de baixa de dez anos resultantes do boom do gás de xisto, graças ao crescimento da demanda pelo combustível no país.

O presidente-executivo da Royal Dutch Shell, Peter Voser, disse, em uma entrevista, que os preços continuarão sob pressão no curto prazo, "mas veremos uma recuperação... na segunda metade da década". Ele disse que, como base para planejamento, a Shell está usando o preço de US$ 4 a US$ 6 por milhão de unidades termais britânicas para o período 2014-15, em comparação ao nível atual de US$ 2,55.

Voser disse que a demanda por gás nos EUA vai aumentar "na medida em que o carvão for sendo substituído pelo gás na geração de eletricidade, e o uso do gás no transporte decolar". Ele acrescentou que o preço baixo levará alguns produtores a restringir a produção, permitindo a alta do preço.

O uso disseminado de técnicas como a perfuração horizontal e a fratura hidráulica, ou "fracking", está criando um boom na produção de gás nos EUA, permitindo um excedente que vem reduzindo os preços e pressionando mitos operadores.

A revolução do gás de xisto está agora se espalhando para além da América do Norte, para a Europa e a Ásia, especialmente a China, que pode ter reservas de xisto ainda maiores que as americanas, segundo afirma um estudo recente da Energy Information Administration dos EUA. Algumas companhias, porém, vêm questionando a viabilidade econômica do desenvolvimento dessas reservas.

A Shell tem uma presença maior no gás de xisto na China do que qualquer outra grande empresa de energia no mundo. Recentemente, a companhia disse que concluiu a instalação de onze poços de exploração de gás de xisto no país no ano passado, e espera dobrar esse número ainda este ano.

Voser disse que os poços perfurados até agora vêm mostrando "taxas de vazão bastante encorajadoras", acrescentando que o gás de xisto na China será uma "fonte de energia competitiva e de preços bastante acessíveis" e que ele vai "atender os critérios de lucratividade da Shell".

A companhia também está examinando a possibilidade de liquefazer gás nos Estados Unidos para exportação - o que lhe permitiria obter preços mais altos, especialmente na Ásia -, transformá-lo em um combustível para transporte limpo, através de tecnologia de transformação de gases em líquidos, e usá-lo como matéria-prima para o setor petroquímico. Essas iniciativas reduziriam sua exposição aos preços deprimidos do Henry Hub, a referência de preço dos contratos futuros nos EUA.

Assim como muitas operadoras dos Estados Unidos, a Shell também está mudando para as chamadas apostas "liquid-rich" - projetos de exploração de xisto que contêm líquidos de hidrocarbonetos, além de gás.

Em parceria com a Kogas, Mitsubishi e CNPC, a Shell pretende construir uma unidade de gás natural liquefeito em Kitimar, Colúmbia Britânica, para suprir mercados carentes de energia da Ásia.

Voser acredita que os Estados Unidos também se tornarão um exportador considerável de gás natural liquefeito, "com uns poucos pontos percentuais do mercado mundial".
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