Petroquímica

Sem a Petroquisa, Braskem já fala em ampliar a Copesul

Valor Econômico
03/10/2005 00:00
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Depois de concluir a operação de troca de ativos que aumentará de 10% para 30% a participação da Petroquisa no seu capital votante, a Braskem vê condições de imprimir uma "nova dinâmica de crescimento e investimento" no pólo petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. A afirmação foi feita pelo vice-presidente de assuntos institucionais da empresa, Alexandrino de Alencar, para quem o pólo gaúcho está "hibernando" desde 1997, quando a capacidade de produção de eteno pela Copesul, a central de matérias-primas local, foi ampliada de 680 mil para 1,13 milhão de toneladas por ano.

A intenção, entretanto, depende do aval da Ipiranga, que assim como a Braskem, detém 29,46% do capital da Copesul. Pelo acordo de acionistas, a empresa tem o direito de ficar com metade dos 15,63% da Petroquisa que foram ofertados no processo de troca de ativos e pode vetar projetos de investimentos na central. A proposta da estatal para a Braskem incluiu ainda o controle da Petroquímica Triunfo, que produz polietileno também no pólo gaúcho, além de 40% no projeto da petroquímica Paulínia (SP).

A Ipiranga não quis comentar o assunto na sexta-feira, mas por meio de seu braço petroquímico, a IPQ, já afirmou que pretende exercer o direito de preferência porque considera a participação na Copesul um ativo estratégico. A central é fornecedora de matéria-prima para a própria IPQ e para a Braskem, que têm fábricas de polietileno e polipropileno em Triunfo, mas os planos das sócias para a expansão do pólo gaúcho podem ser diferentes.

Ninguém acredita que a Ipiranga terá dificuldades para exercer o direito de preferência, que exigirá um desembolso estimado em R$ 380 milhões tomando como base o valor de mercado da Copesul. A empresa melhorou sua situação financeira nos últimos anos e prevê fechar 2005 com endividamento líquido 10% inferior à geração de caixa. No fim do primeiro semestre, a dívida líquida era de US$ 203 milhões, enquanto o lajida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) acumulado em seis meses foi de R$ 137 milhões. Além disto, em agosto obteve um empréstimo "stand by" de US$ 150 milhões junto à International Finance Corporation (IFC) que poderá ser exercido total ou parcialmente até o primeiro trimestre de 2006.

A questão é se a Ipiranga poderá acompanhar os investimentos na unidade de segunda geração para absorver e justificar o eventual incremento de produção de matérias-primas da Copesul, comenta o analista Lucas Brendler, da corretora Geração Futuro. Segundo ele, seriam necessárias algumas "centenas de milhões de dólares" depois de ter gasto recursos significativos no exercício do direito de preferência na central. "Não creio que seja algo para curto prazo", diz o analista, que leva em consideração um cenário de ampliação de oferta de petroquímicos no país com a entrada em operação de unidades como a Rio Polímeros.

Sem contar as possíveis tensões entre os sócios, a Copesul não teria dificuldades em financiar a própria expansão. Segundo Brendler, a empresa tem um endividamento líquido praticamente igual a um ano de geração de caixa, estimada em quase R$ 2,5 bilhões em 2005, e poderia buscar duas a três vezes este valor com facilidade no mercado financeiro internacional. Outro fator que favorece a eventual expansão da central, conforme o analista, é a recente decisão do Cade de revogar a decisão tomada sete anos atrás, que obrigava as controladoras a fornecer o excedente de matéria-prima produzido pela empresa a outras fábricas de segunda geração.

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