Combustíveis

Secretário critica mudança em GNV

Valor Econômico/ag.
20/05/2005 00:00
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Investidores nacionais e internacionais estão "estarrecidos" com a possibilidade de o governo brasileiro desestimular o uso do Gás Natural Veicular (GNV) em carros particulares, após terem aplicado mais de US$ 1,5 bilhão de dólares no setor.
A avaliação é de Wagner Granja Victer, secretário de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo do Rio de Janeiro. Em nota oficial divulgada ontem, Victer afirma que diversas distribuidoras estaduais de gás natural fizeram investimentos "tendo como uma das premissas o uso do GNV e não podem ter esse novo `risco-Brasil` colocado frente a seus investimentos".
Segundo Victer, as afirmações do Ministério de Minas e Energia são contraditórias com ações de empresas, controladas pelo próprio governo federal, como Distribuidora BR e Petrobras, "que têm atuado abertamente para apoiar o projeto do GNV".
A nota afirma também que o consumo de gás natural veicular representa apenas 15% do consumo nacional, "volume bem inferior ao volume de gás natural queimado nas diversas plataformas do país". Existem atualmente no país, segundo Victer, cerca de 900 mil veículos movidos a gás natural e mil postos de abastecimento. O secretário de Energia do Rio diz ainda que o Estado "continuará fomentando a utilização do GNV, com a redução de impostos incidentes como ICMS e IPVA".
Na mesma nota, o secretário afirma que o GNV "nasceu no Rio de Janeiro e tem no Estado sua liderança absoluta na aplicação" e, em função disso o Estado se oporá a "qualquer ação contrária à utilização desse energético."
Para o diretor do setor de gás natural veicular do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindcomb), Gustavo Sobral de Almeida, o desestímulo ao uso do GNV em carros particulares significaria uma punição ao setor de revenda, que apostou nessa alternativa de combustível. "São R$ 10 bilhões investidos, 100 mil empregos e 920 mil veículos convertidos", diz Almeida.
O combustível, segundo ele, é elemento de integração regional, na medida em que ajudou a expandir redes de abastecimento, levando o gás para o interior. "Os postos serviram de âncora para esse crescimento da rede."
Ele espera que o governo federal reveja essa posição, tendo em vista que o país descobriu muito gás natural recentemente. "Espero que o governo acelere os planos de investimento para que não falte nem gás para os carros nem para outras formas de utilização que são necessárias".
Para Almeida, limitar o uso do GNV ao transporte coletivo será prejudicial a um mercado que cresceu muito nos últimos anos e beneficiou o consumidor, principalmente após o aumento do petróleo.

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