Internacional

Sauditas tentam baratear petróleo, o que ajuda Bush


30/09/2004 00:00
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A queda, ainda que pequena, nos preços do petróleo nesta quarta-feira (29/09) foi um alívio para os mercados globais e também para a campanha pela reeleição do presidente americano, George W. Bush. Se os preços do petróleo subirem ou ficarem nos atuais níveis recordes até a eleição, em 2 de novembro, podem tirar votos de Bush. "Seria um forte lembrete de que a economia dos EUA não está muito bem", disse o analista Tom Raum, da agência de notícias "Associated Press".
A queda, depois de os preços ultrapassarem os US$ 50 o barril na terça, foi atribuída a uma trégua entre governo e guerrilheiros da Nigéria, que ameaçava a produção do país, e à informação que os estoques do governo americano cresceram na semana passada.
Dois aspectos, porém, chamam a atenção: em primeiro lugar, o fato de que o anúncio da Arábia Saudita, de que elevaria a produção, não ter tido o efeito imediato desejado de conter os preços. Em parte isso se explicaria por que, na terça, o ministro saudita do petróleo, Ali Naimi, apenas reiterou intenção divulgada em agosto.
Isso remete a outro ponto: por que a Arábia Saudita vem agindo intensamente para baixar os preços, dizendo até que mesmo US$ 40/barril é muito alto? A iniciativa contrasta com o silêncio de outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
A Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, pode tentar sinalizar para o eleitor americano a importância dos laços entre o país e os EUA. Esses laços são particularmente fortes com os atuais ocupantes da Casa Branca, a família Bush e o vice-presidente Dick Cheney. Ambos têm ou tiveram negócios no setor de petróleo.
Adel al-Jubeir, conselheiro do príncipe herdeiro Abdullah - governante de fato da Arábia Saudita - confirmou na terça a disposição de seu país de manter a produção alta quando for necessário para baixar os preços e atender às necessidades de seus clientes. A Arábia Saudita tem a maior capacidade de produção ociosa do mundo - ou seja, controla o colchão, ainda que frágil, que pode absorver choques de abastecimento.
O país vem sendo beneficiado pela alta na produção e nos preços e deve faturar este ano, pela primeira vez, mais de US$ 100 bilhões com a venda de petróleo.
A situação é delicada e analistas evitam a acusação de uso político da amizade da Casa Branca com a casa real saudita, para conter a alta na reta final da campanha eleitoral. Bush e o candidato democrata, o senador John Kerry, porém, trocam acusações pela alta nos preços. "Eles disseram que o barril de petróleo ficaria por volta de US$ 27. Agora está acima de US$ 50", disse anteontem o vice da chapa de Kerry, senador John Edwards. Isso é fácil de explicar, acrescentou Edwards, lembrando "as antigas e profundas ligações" entre Bush e Cheney "com as empresas de petróleo e a família real saudita".

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