Internacional

Sauditas garantem petróleo à UE e acalmam mercados

Valor Econômico
25/02/2011 09:45
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Os mercados se acalmaram ontem depois que as empresas europeias começaram a negociar com a Arábia Saudita para tentar compensar a perda de produção de petróleo na Líbia. Além disso, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou estimativas mais baixas para a quebra de produção no país conflagrado do Norte da África.
 

O barril do petróleo Brent, que vinha registrando altas diárias e ontem chegou a ser negociado em Londres a quase US$ 120, retrocedeu para US$ 111. Em Nova York, o WTI ficou em US$ 97.
 

A Líbia é o 12º maior exportador mundial de petróleo e gás e vende a maior parte do que produz para a Europa, especialmente para a Itália.
 
 
Uma autoridade saudita disse que o reino já teria questionado as refinarias europeias sobre "a quantidade e a qualidade do petróleo" que elas desejariam comprar. Ele disse que duas opções estariam sendo estudadas: embarcar mais petróleo para a Europa por meio do oleoduto Leste-Oeste, que liga o Golfo Pérsico ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, ou introduzir acordos de troca, pelos quais o petróleo produzido no Oeste da África para clientes na Ásia seria redirecionado para a Europa e a Arábia Saudita compensaria isso fornecendo diretamente aos compradores asiáticos.
 

A Nigéria produz petróleo leve da mesma qualidade da Líbia; a Arábia Saudita produz cinco tipos diferentes de petróleo, que poderiam ser misturados de modo a se adequar às especificações requeridas pelas refinarias europeias.
 

Outro funcionário saudita afirmou que os países do Oeste da África que são membros da Opep se disseram dispostos a repor o petróleo líbio.
 

Para Olivier Jakob, diretor executivo da Petromatrix, "esse é um passo positivo, que deve remover alguma pressão dos preços. É o primeiro sinal que temos de que os sauditas estão preparados para fazer alguma coisa".
 

Analistas dizem que a situação atual contrasta com a de 2008, quando o preço do barril subiu a US$ 147 e a Arábia Saudita foi lenta em aumentar sua oferta; naquela ocasião, o governo saudita atribuía a alta dos preços à ação de especuladores financeiros e isso alimentou a preocupação de que o país não tivesse capacidade ociosa de produção para aumentar a oferta, caso quisesse fazê-lo.
 

Quanto à produção de petróleo na Líbia, há informes contraditórios sobre a redução. Algumas estimativas falam em 400 mil barris por dia, cerca de 25% da produção total do país. Segundo o executivo-chefe da italiana ENI, Paolo Scaroni, a queda de produção da Líbia é de cerca de 75%, ou 1,2 milhão de barris/dia.
 

De todas as companhias internacionais de petróleo, a ENI é a que tem a maior exposição à Líbia, que responde por 8% da produção total da empresa.
 

Já a Agência Internacional de Energia (AIE) estima que entre 500 mil e 750 mil barris por dia de petróleo, ou menos de 1% do consumo global diário, foram removidos do mercado no momento. A agência diz que pode compensar adequadamente uma potencial queda na oferta e reafirmou estar preparada para liberar seus estoques de emergência, que são suficientes para cobrir 145 dias de importação de seus países-membros.
 

"Coletivamente, os membros da AIE têm 1,6 bilhão de barris em estoques de petróleo de emergência à sua disposição", afirmou a agência, em comunicado depois da reunião ordinária trimestral.
 

Apesar disso, há preocupação entre as grandes economias mundiais. O premiê russo, Vladimir Putin, disse que forte aumento do preço do petróleo pela instabilidade no Oriente Médio e no norte da África representa uma "grave ameaça".
 

Putin disse até que a Rússia, um importante exportador de petróleo e gás, sofreria as consequências negativas devido ao impacto em outros setores (como químico e de automação) orientados à exportação para Europa e EUA. "Não existe nada de bom" nessa alta dos últimos dias, afirmou o premiê russo. 
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