Petrobras

Roubo simples derruba tese contra abertura do petróleo

Gazeta Mercantil
29/02/2008 10:20
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A prisão de quatro suspeitos do roubo dos equipamentos da Petrobras, ontem, vai enfraquecer a ala da empresa disposta a interromper o processo de abertura do setor brasileiro de petróleo. A avaliação é de consultores e executivos do setor, que criticam o que classificam de pré-disposição demonstrada pelo governo de interromper as licitações de áreas exploratórias da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Esses mesmos especialistas identificam no episódio pelo menos o mérito de desmoralizar as pressões para restringir a operação de companhias estrangeiras no País.

Para os executivos, se uma lição pode ser extraída do episódio, é a necessidade de se aperfeiçoar os procedimentos de segurança da estatal. A facilidade encontrada pela quadrilha, argumentam, não combina com a sofisticação de uma petroleira que se encontra entre as 15 maiores do ranking mundial do setor. Para o consultor Jean Paul Prates, da Expetro Internacional, pela forma pouco transparente como foi tratado, o caso poderia ter prejudicado o desempenho das ações da companhia.

"Fica uma lição para o governo, cujos representantes incorreram até mesmo em atos irresponsáveis como acusar países estrangeiros de ter interesse nas informações da Petrobras", lembrou Prates, ao mencionar, sem citar nomes, as declarações dadas pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. O consultor defendeu, no entanto, um modelo especial de concessões para o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. "Mas sem histeria nacionalista ou traumas para o processo de abertura do setor."

Primeiro diretor-geral da história da ANP - a qual presidiu no início do processo de abertura do setor brasileiro de petróleo - , o hoje consultor David Zylbersztajn também fez coro às críticas ao que classificou de precipitação de parte do governo. Para Zylbersztajn, o desfecho do episódio desmoralizou as pressões ao governo para fechar o setor à participação estrangeira."É uma desmoralização para quem tinha no episódio da susposta espionagem industrial o único argumento em defesa do fim da abertura", criticou o ex-diretor da ANP. "Se esse era o argumento, agora o setor pode voltar à normalidade. Mas, mesmo que não tivessem descoberto os responsáveis pelo roubo, o episódio não deveria representar motivo para interromper um processo tão bem-sucedido como a abertura do setor."

Também duro nas críticas, o economista Edmar Almeida, do grupo de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), usou termos como precipitação e fiasco para classificar as pressões pelo cancelamento das licitações da ANP. "A reação do governo ao episódio demonstra uma pré-disposição de se mudar o atual modelo regulatório, devido às descobertas do pré-sal", argumenta o economista da UFRJ, ao lembrar que tal intenção sempre se baseou no antigo conceito de segurança nacional.

Fonte: Gazeta Mercantil

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